Não foi nada animadora a semana turfística carioca no que se refere a Movimento Geral de Apostas. Foram realizadas três reuniões. No domingo foi registrado o maior valor, R$ 798.942,33, numa corrida solitária no prado carioca. No dia seguinte, segunda–feira, individualmente foi vendido em apostas R$ 676.052,47, o mais baixo dos três. Entretanto, somado ao simulcasting com Cidade Jardim, R$ 195.314,21, o movimento passou dos R$ 870.000,00. E na terça–feira(ontem) o movimento praticamente empatou com o de segunda–feira, ou seja, R$ 679,029,44.
A interpretação destes números parece apontar para um declínio de arrecadação bem assustador. Principalmente no que se refere a reunião de segunda–feira, que durante longos anos foi a preferida do público turfista. O resultado financeiro da reunião de terça–feira, a grande novidade do cardápio, tem sido considerada razoável, pois mantem números parecidos com a segunda. Entretanto, o que parece ficar bem claro é a diminuição das apostas em todas as reuniões semanais.
Há seis anos trabalhei na função de comentarista, na televisão do Jockey Club Brasileiro. Pela força do hábito, consultava de forma sistemática o monitor nas transmissões. Me recordo que o primeiro páreo, da Super Tri, vendia sempre valor de apostas bem superior ao atual. Além disso, as segundas–feiras, haviam números perto de R$ 1 milhão, só na reunião carioca. Nos outros dias, as apostas ficavam entre R$ 850 mil e R$ 900 mil, fora o simulcasting com Cidade Jardim, raramente inferior aos R$ 250 mil. Este movimento de apostas paulista podia chegar ou ultrapassar os R$ 300 mil, em dias de provas clássicas importantes, tais como Grande Prêmio São Paulo, ou Derby Paulista, por exemplo.
Os tempos são difíceis. Dizer isso representa apenas pronunciar o óbvio ululante. Além da crise financeira e social existe a insegurança em que vive o cidadão do Rio de Janeiro. Esta situação não estimula as pessoas a ficarem no hipódromo e nos agentes credenciados até tarde nas reuniões noturnas. Sobretudo, um público de faixa etária elevada. Talvez possam ser encontradas algumas saídas para este beco. A minha sugestão continua a mesma. Realizar a primeira reunião semanal às quintas–feiras. De 15 em 15 dias, o simulcasting com o Tarumã alavancaria o movimento de apostas. Nas outras duas semanas intercaladas, os simulcasting internacionais com os melhores hipódromos dos Estados Unidos, todos nas quintas–feiras, quebrariam o galho. É claro que esta mudança não resolveria todos os problemas. Porém, acredito piamente que poderia ajudar em alguma coisa.
Vale a pena todos os personagens envolvidos, dirigentes, criadores, proprietários e profissionais estudarem com carinho outras alternativas e buscar o quanto antes boas opções. São duas as equações matemáticas atuais no turfe carioca e também do brasileiro, em geral. A primeira equação traz prêmios baixos dos páreos para pagar o trato caro dos cavalos. E a outra equação, exibe um movimento de apostas decadente para sustentar a atividade turfística, extremamente dispendiosa. Estas equações biquadradas permitem prever para qualquer observador lúcido e imparcial um futuro obscuro para o esporte.
por Paulo Gama