JÓQUEIS BRASILEIROS CONQUISTAM ESPAÇO MUNDO AFORA
A conquista do bicampeonato da estatística de jóqueis na Inglaterra pelo maranhense Silvestre de Souza foi notícia nos meios de comunicação de todo mundo. Nas redes de televisão de toda a Europa, e nos sites especializados do esporte de todo o planeta, o brasileiro apareceu recebendo o troféu pelo seu feito, com direito a presença da rainha e tudo. A história de Silvestre, verdadeiro conto de fadas, percorreu centenas de países, com aquela emoção típica das histórias inimagináveis no melhor roteiro de um filme de Hollywood. O piloto, que saiu praticamente anônimo de seu país, depois de discretas participações no turfe paulista e curitibano, conquistou a fama, a fortuna e a glória em curto espaço de tempo. Desde sua chagada a Irlanda, em 2.003, até os dias de hoje, Silvestre conquistou a terra da rainha, os árabes dos Emirados, com vitórias inesquecíveis, entre elas na Dubai World Cup, páreo de maior dotação do mundo. Que bela jornada!
Outra história bem parecida aconteceu com João Moreira. Com a diferença sutil de que o paranaense já saiu do Brasil consagrado. Depois de vencer várias estatísticas no turfe paulista, Moreira se notabilizou com o famoso bordão do locutor oficial, Roberto Casella, que a pleno pulmões berrava a cada vitória dele: “O Fantasma de Cidade Jardim!”. Quase desligado da escolinha de jóqueis do turfe paulista, Moreira ganhou sobrevida depois de um abaixo assinado de treinadores, que reivindicavam mais tempo para ele passar a categoria de jóquei por ser garoto educado e trabalhador. A chance foi dada pela diretoria do clube e Moreira soube agarra–la com unhas de dentes. Hoje, a coisa é bem diferente. Respeitado como um dos melhores jóqueis do mundo, ele é idolatrado no Oriente e possui legião de fãs em Hong Kong e Cingapura, onde é chamado de “Magic Man” ou “Magic Moreira”. E ele, indiscutivelmente, fez muitas mágicas por lá. Ganhou todos os páreos importantes, estatísticas, recordes de vitórias e etc. e tal. Além disso, encontrou tempo para obter vitórias consagradoras na Austrália e em Dubai. Pura magia!
Bem mais perto de nós, logo aqui no país vizinho, a Argentina, as histórias são bem diferentes das de Silvestre e de Moreira. Quatro jóqueis brasileiros, Jorge Ricardo, Altair Domingos, Francisco Leandro e José Aparecido, todos famosos e bem sucedidos, trocaram a incerteza do turfe brasileiro pela paixão dos “burreros”, como são conhecidos os turfistas argentinos. Ricardinho demorou a se decidir pela troca. Começou a montar em 1976, na Gávea, onde escreveu história fantástica. Por 24 anos ganhou a estatística, de 1982 a 2.006. Montou para todas as fardas mais importantes do turfe nacional. Teve contrato com famosas coudelarias, como o Haras Santa Ana do Rio Grande e Stud TNT. Estava numa zona de conforto.
A proposta do Stud Rubio B, do magnata dos cassinos e das máquinas de caça–níqueis, Ricardo Benedicto, entretanto, foi tentadora e irrecusável. E lá se para Buenos Aires, em 2.006, o maior ídolo do turfe brasileiro de toda a história. Bateu o recorde mundial, ganhou quatro estatísticas e cumpriu a missão considerada quase impossível de derrotar Pablo Falero. Teve um linfoma, e se afastou das pistas. Derrotou a doença e voltou. Saudado feito herói pelos argentinos, como se fosse um El Cid nas cruzadas, bateu novamente o recorde. Um ano depois sofreu grave acidente e Russel Base retomou o topo do mundo. No ano passado, Baze saiu de cena pressionado pela família após queda em Golden Gate, na Califórnia. Ricardinho voltou a luta pelo direito de ser o melhor jóquei de todos os tempos. E está nessa luta agora, em 2.017, e a 29 vitórias de alcançar, pela terceira vez, Baze.
Os outros dois excepcionais jóqueis brasileiros, Altair Domingos e Francisco Leandro, já conquistaram a todos na Argentina. Domingos foi campeão da estatística em 2.015, e Leandro, em 2.016. O primeiro é emérito vencedor de provas do calendário clássico e por isso considerado pelos argentinos um piloto com nervos de aço e primeira opção para páreos nobres. Leandro exerce fascínio nos “burreros” por sua força, maneira agressiva de correr e fome de vitórias. Os aficionados das tribunas populares o adoram e gritam o seu nome com entusiasmo. José Aparecido, que chegou por último, começa a ganhar espaço na atualidade. O fato dos três outros colegas terem tido acidentes na atual temporada, Ricardinho fratura de fêmur, Leandro num dos dedos da mão, e Domingos na vértebra e nas costelas, lhe deu a oportunidade de montar mais. E com isso ter melhores montarias. Justiça seja feita, ele soube aproveitar as circunstâncias.
De olho na telinha da Globo, no Jornal Nacional, e ver esta semana o conto de fadas, de Silvestre de Souza. Depois de ouvir falar e ler na internet sobre os feitos de Moreira. Ao acompanhar de perto o sucesso dos brasileiros na Argentina. Além de conversar com o próprio Tiago Josué Pereira, que esteve de férias no Brasil, e monta em Santa Anita, um dos mais importantes hipódromos dos Estados Unidos, contra lendas do turfe mundial, alguns jovens pilotos brasileiros despertaram para a possibilidade de também tentar realizar os seus sonhos Esta semana Luan Silva Machado está de malas prontas para o Kuwait. Ele já viveu a experiência de montar nos Estados Unidos, em Gulfstream Park.
Outros jovens pilotos também já cogitam voos mais altos. Mudança de ares. Melhores perspectivas. A cada ano nascem menos puros–sangues no Brasil. A cada semana menos corridas são formadas por conta disso. A cada programação menos páreos são disputados. A cada dia os prêmios ficam mais baixos e distantes do custo benefício com a despesa do trato. Mas a ambulância continua a acompanhar cada páreo disputado em todos os hipódromos do Brasil. E, para os jóqueis, não é fácil arriscar a própria vida, dia após dia por tão pouco.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Júlio César Sampaio fez gol de placa na apresentação de Paint Naif, do Haras São Francisco da Serra, no quarto páreo de domingo. O excepcional corredor deslocou 61 quilos, ou seja, deu peso s rivais mais novos e bons corredores, e apesar de tudo atropelou com sucesso para obter a sua 11ª vitória. Um luxo de apresentação e um show de competência. Parabéns ao vitorioso treinador. Carlos Lavor foi perfeito.
JOQUEADA DA SEMANA
Wesley Matheus Silva Cardoso teve muita inspiração para levar ao triunfo Blindado do Nijú, de José Gustavo Alvarenga, e treinamento de C. Rodrigues, o Ito, no terceiro páreo de domingo. Largou bem e colou o seu conduzido junto aos paus. Na reta final esperou pacientemente a passagem, sem se preocupar com possível prejuízo. No momento certo em que o espaço apareceu, Cardoso tratou de fazer partida curta e seca para dominar a carreira. Preciso como o pendulo de um relógio suíço. Boa demais a joqueada do garoto para um páreo de cinco anos com apenas uma vitória e seis anos, com duas.
