O convidado da semana é o treinador carioca Marcello Borioni Escobar, de 42 anos, casado com Vanessa F. C. Borioni Escobar e pai de cinco filhos.
O profissional nos contou que iniciou o trabalho no turfe aos 8 anos, na cocheira do seu avô Jorge Borioni. "Eu acompanhava o dia a dia e o manejo dos animais. Quando completei 11 anos, meu avô, na época com poucos cavalos, pediu ao treinador Paulo Morgado que me deixasse ajudá–lo e acompanhá–lo, para que eu pudesse aprender com ele. Foi um momento muito importante, que me fez começar a trilhar meus passos no turfe. Eu acompanhava o Sr.Paulo nos matinais, encilhando os potros e preparando os animais antes de irem para a raia."
Com o passar do tempo, ficou mais difícil para Marcello conciliar o trabalho na raia com os estudos e ele acabou se afastando um pouco. "Tive que parar por um período, mas segui acompanhando meu avô nessa jornada até os 15 anos, quando pude tirar minha matrícula de cavalariço. Fiquei trabalhando com ele e depois com meu primo J.A.Borioni."
Com a morte precoce do seu avô, mais uma vez ele se afastou, mas não por muito tempo. "Voltei para a nossa cocheira e passei a trabalhar com Orlando Ribeiro por três anos, com quem aprendi muito, e depois fui segundo gerente do R.Freire, com os animais do Haras Fátima e Marcio."
Em 1997 surgiu a primeira oportunidade de treinar e foi dada pelo titular do Stud Arc En Ciel. "Foi um período difícil, mas como ele tinha animais com R.Morgado Jr. no CT Dedo de Deus, fui autorizado pelo Bebeto a subir quantas vezes quisesse para acompanhar a sua maneira de trabalhar, isso foi muito importante para mim."
Entre os anos de 2005 a 2008, o profissional viveu momentos especiais na sua carreira. "O titular do Stud Iposeiras acreditou no meu trabalho e possibilitou minha ida para o centro de treinamento. Lá, eu treinava para vários proprietários e consegui terminar a estatística em quinto colocado em uma das temporadas. Alguns proprietários dessa época ainda mantém animais comigo, como Jorge O. T. Santos, Stud Santa Rita do Rio, Antonio Moreira e Stud Nunes de Miranda, que foi o responsável por me trazer ao turfe de maneira mais intensa no final de 2012. Antes disso, eu sofri e paguei calado cumprindo uma suspensão injusta de um ano e um mês, onde ministraram clenbuterol dentro do caminhão, em duas éguas minhas que vinham do CT."
Atualmente Marcello Borioni está radicado na Gávea, com os animais na cocheira 9 da Vila Tattersall, em sua maioria do Stud Nunes de Miranda, Stud Elle et Moi, Stud Caballus e Stud Pentagonal. "Eles me concedem uma estrutura espetacular de cocheira. Uma equipe fantástica de cavalariços, segundo gerente e redeador, que me dão condições de apresentar sempre da melhor maneira possível nossos animais. Meu amigo Diego Vieira, que conhece tudo sobre enturmação, é sempre quem me auxilia nessa parte."
Ao final da nossa conversa, além de comentar sobre todos os seus animais inscritos na semana, Marcello fez questão de registrar alguns agradecimentos. "Aproveito para agradecer a cada apostador que acredita no meu trabalho, aos proprietários que mantém animais comigo, pela confiança e oportunidade, e aos proprietários que um dia tiveram. Deixo aqui o meu muito obrigado pelas oportunidades que tive e que me fizeram um profissional melhor. A cada jóquei, redeador, cavalariço e veterinário que pude trabalhar, eles sempre foram importantes no crescimento da minha carreira. Aos treinadores que convivi e convivo, pois a nossa profissão é dificil e se aprende cada dia mais. Agradeço também a Ronaldo Lima e Marcella Borioni por todo o apoio e ajuda. O agradecimento especial vai para minha esposa Vanessa, que em todos os momentos está ao meu lado, me incentivando e apoiando. Por fim, agradeço o espaço concedido pelo site Raia Leve, e desejo todo sucesso a Maria Teresa Morgado, que vem sempre dando oportunidade aos profissionais para contarem a sua história e comentarem suas inscrições, além de estar realizando um grande trabalho no site. E desejo a todos os turfistas, muito boa sorte, espero estar colaborando um pouco no estudo de cada um. Obrigado mais uma vez."
Sábado:
1º páreo – 7. REINA LOCA
"Égua que vinha de aproximadamente seis meses sem atuar. Pegou um páreo cheio, chegou a se apresentar nos 200m finais parecendo que iria se colocar bem, mas cansou. Desta vez pegou uma eliminatória mais dura do que na última, misturada com os machos. Acredito que agora mais aguerrida, correndo quieta, como de costume e tendo um train ligeiro como deve ter, ela possa chegar descontando bem."
2º páreo – 1. TEA TIME
"Cavalo ligeiro que já tem um terceiro lugar neste claiming. Na grama estreou bem poteando até os 300m finais. Na última deu um trabalho no box e agora tudo foi feito para que se comporte normalmente. Acredito em uma grande atuação, mesmo achando o páreo bastante equilibrado.."
Domingo:
4º páreo – 8. PIRIAPOLIS
"Égua que correu três vezes na turma se colocando nas três. Chega sempre descontando. Optamos pelo claiming para ver se vence logo, já que o regulamento agora nos permite voltar na turma perdedora. Se enconta muito bem de estado e irá correr com um espaço de 15 dias. Acredito que se tudo der certo, ela alcance a vitoria aqui no final. Depende muito do train de carreira."
Segunda–feira:
3º páreo – 6. QUESTOR MAXIMUS
"Animal que vem no repique. Na última vez que correu na grama foi quarto forçando turma. Pegou uma eliminatória muito equilibrada que dependerá do train de carreira. Tenho muita fé na sua apresentação pois se encontra muito bem de estado, até por isso foi repicado.. Não sentiu nada da corrida anterior e chegará descontando, quem sabe até brigando pela vitória, dependendo de como sair o páreo."
5º páreo – 1. UN PINGO
"Cavalo que na última não valeu. Quebrou seu estribo na porta do box. É a minha melhor inscrição da semana. Respeito todos adversários, mas no estado que ele se encontra acredito muito na sua vitória. Vejo em Doctor Kentucky e Garoto da Pesada como maiores adversários. Mas meu cavalo ta tinindo e venderá, ao meu ver, muito caro a derrota."
Terça–feira:
6º páreo – 4. QUADRÍSSIMA
"Égua que na sua última atuação, em fevereiro, teve o tendão decepado. Tinha sido dada como inutilizada para corrida, mas graças a um grande trabalho executado pelo Dr. Flávio Geo em conjunto com os veterinários do HOD, deram condições para que ela voltasse aos treinamentos. Posso dizer que em matéria de treinamento ela não se acorvadou, mantendo a base de tempo de trabalho na qual fazia antes do acidente. Vamos ver como será em corrida. Tem dois trabalhos na distância, sendo um feito do box. Na minha opinião está em uma eliminatória muito dura, forçando duas turmas, além de não correr há 10 meses. Correrá para a melhor colocação possível."
Por Maria Teresa Morgado