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Outubro | 2017

Entrevista com jóquei brasileiro C.Henrique
11/10/2017 - 01h04min

Arquivo Pessoal

O entrevistado de hoje é o jóquei Carlos Henrique Rodrigues da Silva Filho, de 24 anos, atualmente radicado na Alemanha. Na época em que o profissional nasceu, seu pai trabalhava para o Haras das Estrelas, localizado em Cordeiro, na região serrana do Rio de Janeiro. Mas quando ele completou 4 anos de idade, a família veio morar em definitivo no Hipódromo da Gávea. C.Henrique é filho do popular "Henrique", competente enfermeiro do Hospital Octavio Dupont, e irmão do piloto Fausto Henrique, que hoje monta na Noruega. O jovem conversou conosco e respondeu com detalhes cada uma de nossas perguntas.

1. Quando e como começou no turfe carioca?

Ao completar 16 anos entrei para a EPT, em oito meses fui liberado para a raia e dois meses depois estreei montando uma égua do Palura treinada por A.Mota. Tive bons êxitos, fui o 3° na estatística da EPT. Era o principal jóquei do treinador Lucas Eller, ganhamos inúmeras corridas, lindas e marcantes para ambos.

2. Como surgiu a primeira oportunidade para você trabalhar em outro país?

Em novembro de 2009, quando eu ainda era aprendiz de 2°categoria, chegou a então gerente de turfe Mayra Frederico, uma proposta para um jóquei levemontar na Índia, na temporada de inverno 2009/2010. Pedi a comissão que adiantasse a minha mudança para jóquei e fui para a Índia. Tive outras quatro passagens por lá, onde trabalhei muito e consegui importantes vitórias. Minhas provas de grupo internacionais foram conquistadas lá (dois G1 para potros e um G3). Aproveito a oportunidade para agradecer a Mayra, sem ela minha carreira internacional não teria sido possível.

3. Quais outros lugares que você teve oportunidade de conhecer exercendo a sua profissão?

Há um ano estou radicado na Alemanha, onde já montei em todos os grandes hipódromos: Berlin, Hoppegarten, Hamburg , Hannover (onde moro atualmente), Desdren, Leipzig, Bremen, Dortmund, Dusseldorf, Koln e Baden Baden, Bad Harzburg e Bad Doberan. Montei também no hipódromo de Vittel na França, onde conquistei um quarto lugar. Nenhuma pista tem similaridade, umas tem subida, outras decida, em algumas na reta procura-se a grade de fora... Uma corre no sentido horário, outra em sentido anti-horário... O mesmo páreo corrido em outro hipódromo nunca é igual.

4. Como é especificamente o seu trabalho lá fora? Quais são suas obrigações?

Os jóqueis na Europa escovam, trotam, galopam, caminham, escovam novamente e depois guardam o animal. No final dos trabalhos precisamos ajudar nas tarefas da cocheira. É nessa ordem o trabalho do dia a dia, não da para ter preguiça.

5. Em alguns dos lugares onde você passou teve a companhia de outros brasileiros?

Minha ida para Alemanha só foi possível graças a um piloto brasileiro, o Francisco Franco da Silva (F.Franco). Foi ele quem me proporcionou a chance de poder montar na Europa, agarrei com todas as forças! Franco montou comigo na Índia, aonde eu o conheci e ficamos amigos desde então. Ele casou na Irlanda, teve duas filhas lindas e hoje está “arrebentando” da Coréia do Sul.

6. Qual seria a maior diferença entre o turfe nacional e internacional?

As maiores diferenças para mim são algumas regras do código de corrida da Europa, como se manter na sua linha durante todo o percurso, a possibilidade de passar até 1,5kg do equipamento (no inverno) e o uso limitado do chicote (5 chicotadas). Na Alemanha e em outros países tem outras regras específicas relacionadas a o uso do chicote.

7. Quais são seus sonhos e metas?

Meu objetivo é continuar me lapidando como profissional e poder estar no nível dos jóqueis europeus , competindo de igual para igual.

8. Você pretende voltar ao Brasil para trabalhar?

Eu pretendo voltar ao Brasil como um profissional qualificado, que acrescente e ajude o nosso turfe a ficar mais forte. Seja como um jóquei experiente, treinador ou para trabalhar em alguma área administrativa da instituição.

O site Raia Leve agradece ao jovem Carlos Henrique pela sua disponibilidade e gentileza em nos ceder esta entrevista, e deseja a ele muito sucesso e vitórias em sua carreira internacional.

Por Maria Teresa Morgado - Fotos: Arquivo Pessoal



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