Obstinado, perseverante e predestinado. Todos estes adjetivos caem como luva em Jorge Antônio Ricardo, o maior ídolo do turfe brasileiro de todos os tempos. Depois de ficar inativo desde março, devido a fratura do fêmur da perna esquerda, Ricardinho teve reinício nas pistas nada animador. Na última quarta–feira, em San Isidro, amargou o sétimo lugar com o favorito Almendrado Key. No dia seguinte, em La Plata, caiu da égua Barbara D’Asti, na largada do nono páreo. Teria chegado a hora de desistir? Que nada! Ontem à tarde, no quinto páreo do Hipódromo de Palermo, bem ao seu estilo, de ponta a ponta, o brasileiro reencontrou o caminho do triunfo, no dorso de Blackmuss, do Haras Chanaut, e treinamento de Gregório Vivas. Depois da prova, exultante, o campeão conversou com o Raia Leve.
“Para quem ganhou mais de 12.800 páreos pode parecer um triunfo qualquer. Mas, posso afirmar que esta vitória tem um sabor muito especial. Uma das coisas mais importantes na vida é ter confiança. O atleta depende dela para ser bem sucedido. Na minha idade (56 anos), depois de sofrer lesão tão grave e passar por tantas horas de fisioterapia e de exercícios para recuperar o estado atlético, a gente precisa ganhar rápido para recuperar a confiança. As coisas não estavam dando certo apesar do meu esforço. Hoje tudo correu bem e ganhei, graças a Deus. De agora em diante vou engrenar rumo ao recorde mundial”, exultou.
Ricardinho, segundo o site www.paginadetuf.wordpress.com, especialista em estatísticas turfísticas, possuía até ontem à tarde 12.812 vitórias contra 12.844 do recordista mundial e já aposentado, Russel Baze. Com o triunfo de ontem, o brasileiro passa a ter 12.813, ou seja, depende de 31 para igualar o atual recorde e, de 32, para bater. Ricardo não monta hoje à tarde em La Plata. Deixou na dúvida a data do seu próximo compromisso. “Eu tenho a oportunidade de montar em La Plata na semana que vem. Vou analisar com calma as possibilidades. Não preciso ter pressa. Agora é só questão de tempo. Passo a passo eu vou chegar lá”, afirmou.
por Paulo Gama