Jorge Antônio Ricardo, 56 anos, carioca nascido no Leblon, torcedor do Botafogo, e melhor jóquei brasileiro de todos os tempos, volta a montar, hoje à noite, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires. Depois de 40 anos de carreira, ele é recordista sul–americano de vitórias, e segundo colocado no ranking mundial, com 12.812 triunfos. O popular Ricardinho segue incansável na tentativa de realizar o seu maior sonho, ser recordista mundial de vitórias em todos os tempos. Para isso precisa vencer 33 páreos e alcançar o canadense Russel Base, aposentado, com 12.844. Recuperado da fratura no fêmur, que o afastou das competições desde março, o grande ídolo do turfe nacional, vai montar Almendrado Key, do Stud Las Monjitas, e treinamento de Juan Carlos Etchechoury, na 15ª prova, em 1.400 metros, na pista de areia, às 19h40m.
Os turfistas e fãs do brasileiro podem acompanhar a prova pela internet, no site do Hipódromo de San Isidro. Ricardo admite estar muito feliz por ter superado mais este obstáculo. Por duas vezes conseguiu ser recordista mundial, mas imprevistos de percurso como um linfoma, que o levou para as sessões de quimioterapia, e um grave acidente, em que teve 11 pequenas fraturas no cotovelo, permitiram a reação de Russel Base. Agora, no início de 2.017, quando parecia estar bem perto do incrível feito, sofreu outra queda e a fratura de fêmur. Obstinado e focado nos seus objetivos, Ricardo voltou a rotina dos exercícios de fisioterapia até entrar em forma.
“Hoje volto a fazer aquilo que me dá maior prazer nesta vida que é montar. Sei que algumas pessoas não entendem eu ainda estar competindo depois de tanto tempo. Sou igual a todo mundo. Gosto das coisas boas da vida. Mas, a verdade é que o momento em que me sinto mais feliz é quando estou em cima de um cavalo de corrida. A sensação de correr e de vencer me proporciona alegria incontida. Aquela sensação de euforia. Nada me faz sentir melhor. Em breve eu vou ter de parar. É claro! Vai ser o dia mais triste da minha vida. Por enquanto, graças a Deus, ainda vou poder desfrutar ao máximo desta reta final. Quero bater este recorde mundial. Sinceramente, eu acho que mereço” filosofa, o campeão.
por Paulo Gama