VOCÊ SABE O QUE É CAVIAR? NUNCA VI, NEM COMI. EU SÓ OUÇO FALAR.
O Hipódromo da Gávea viveu tarde de gala no último domingo. Pela manhã, a jornada teve início com evento de atletismo, com a participação do campeão mundial dos 100 metros, o americano Justin Gatlin. Transmissão da TV Globo, durante o programa “Esporte Espetacular”, imagens lindas do prado carioca. Poderia ter tido maior badalação. E, consequentemente, haveria mais gente para prestigiar o velocista, muito receptivo e simpático com os fãs. A oportunidade foi preciosa para o Jockey Club Brasileiro. A visibilidade na mídia e a boa organização da corrida, com certeza, renderá frutos para outras iniciativas semelhantes num futuro próximo.
Vieram as corridas. Quatro provas do calendário clássico, com destaque para o Grande Prêmio Linneo de Paula Machado, Grupo I, Grande Criterium. O longo intervalo entre o término do evento de atletismo e o primeiro páreo da reunião turfística, impossibilitou que a maioria do público permanecesse no prado. Caso a ser estudado em outra oportunidade. Olha o Mazini aí gente! De ponta a ponta venceu Arrocha, do Haras Estrela Nova, bem preparado por Roberto Solanês. O castanho filho de Pounced não deu chance aos rivais. Voltou a brilhar a estrela deste magnífico bridão, Marco Mazini. Polêmico e controvertido, porém dono de raro talento. Bom Gosto, do Stud Pixote, que deu muito trabalho no alinhamento, e El Zorro, do Stud B L, em progressos sempre, foram coadjuvantes de luxo na importante prova.
Numa tarde de menu requintado no hipódromo carioca, Jair Ventura Filho, imortalizado como Jairzinho, o “Furacão da Copa de 70”, apareceu como convidado ilustre. Entregou as taças aos ganhadores, criador, proprietário, jóquei e treinador, e ao lado do presidente Taunay, prometeu voltar outras vezes com a sua turma de batutas, apreciadores do samba, do futebol e do chope gelado na praia do Leme. Mais tarde, no apagar das luzes da jornada turfística, a festa engrenou de vez no ritmo do carismático sambista Zeca Pagodinho. Foram pouco mais de duas horas de show, com alguns dos maiores sucessos do craque. Teve jóquei caindo no samba, treinadores e turfistas também.
O Hipódromo da Gávea é um lugar maravilhoso. E há espaço de sobra para este tipo de mistura tão saudável entre esporte, música e alegria. Ambiente familiar, sem violência, espaço para estacionar os carros e segurança durante todos os eventos esportivos e musicais realizados. Desde a exibição das imagens deslumbrantes do prado, pela TV Globo, no evento de atletismo, pela manhã, até a presença maciça dos fãs de Zeca Pagodinho no show à noite, o Jockey Club viveu um dia de gala. Que outros dias como este aconteçam outra vez. São iniciativas assim que podem conquistar novos aficionados para nosso esporte. Afinal, nós turfistas também somos filhos de Deus. E merecemos comer caviar. De vez em quando.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Say It Again, do Haras São José da Serra, foi apresentada em forma exuberante pelo mestre Dulcino Guignoni. Bem conduzida por Leandro Henrique, a filha de Holy Roman Emperor ganhou com autoridade o Grande Prêmio Marciano de Aguiar Moreira. Em fase de evolução deixou claro, depois do galope de apresentação, que dificilmente seria derrotada. E confirmou, logo depois, esta impressão.
JOQUEADA DA SEMANA
Ângelo Márcio Souza esteve impecável no dorso de Ultra Bend, da Coudelaria Alencar, e treinamento de José Ferreira Reis. Ciente de que o ritmo da Prova Especial Santarém seria intenso devido a presença de vários rivais velozes, acomodou o seu conduzido na expectativa. Assistiu de camarote a luta na frente. Nos 800 metros finais, para qualquer observador lúcido e imparcial, como escreveria o saudoso cronista Marcos Ribas de Faria, o Escorial, já era possível prever o desfecho da prova com o seu triunfo. E ele realmente aconteceu.
PROBLEMINHAS A CORRIGIR
Apenas a título de colaboração gostaria de chamar a atenção dos dirigentes do JCB para alguns pequeninos deslizes que podem ser evitados sem maiores problemas. A obediência do horário das corridas é um deles. Tudo bem, o domingo foi um dia especial. Mas, o atraso de meia hora no último páreo é muito significativo. Dá para corrigir. Em todos os principais hipódromos do mundo, o horário das largadas é respeitado. Foi assim o Arco do Triunfo, em Paris. O mesmo ocorre nos principais eventos turfísticos dos Estados Unidos, Breeder’s Cup, Kentucky Derby, etc.
Outro detalhe importante é a ligar as televisões da Tribuna Social quando estiver acontecendo simulcasting internacional no sábado e domingo, de manhã. Basta designar um funcionário para chegar cedo e cuidar disto. No sábado, em Copacabana, desde cedo estava sendo transmitida a corrida de Chantilly, no agente credenciado da Djalma Ulrich. Peguei um taxi e cheguei na Gávea 15 minutos depois. Não havia ninguém para ligar a televisão da varanda da Social. Não se pode promover um evento e não zelar por ele. A definição da raia deve acontecer mais cedo. Devido às chuvas, no sábado as informações de forfaits, pista e etc. demoraram demais a serem colocadas no site do JCB e no Tele Turfe. O turfista fica com pouco tempo para estudar os páreos. E, para encerrar, as telas das televisões do prado estão empoeiradas. O mesmo funcionário que chegar cedo para liga–las pode usar uma flanela e limpar, uma por uma, simultaneamente.
