TURFE CARIOCA VIVE A ERA DO “DRAGÃO”
Em apenas duas semanas de competições no Hipódromo da Gávea, o campeão da última estatística de jóqueis, Valdinei Gil, já soma 20 vitórias. Com exceção do jovem Leandro Henrique, segundo colocado, com 14, que a duras penas consegue acompanhar os seus passos, os demais pilotos estão levando autêntico vareio do popular “Dragão”. Gil atravessa a melhor fase de sua carreira. E os números não deixam dúvida de que ele tem desequilibrado as corridas. Os favoritos raramente deixam de confirmar sob a sua batuta. E, em alguns casos, com azarões, consegue pender a balança para o seu lado devido a frieza no percurso, a atenção na largada e a intuição de fazer sempre o melhor para o seu conduzido. No último domingo, com King David, do Haras Nacional, no Grande Prêmio Dezesseis de Julho, foi assim.
King David, filho de Drosselmeyer e Nocciola, por American Gipsy, foi apresentado em forma exuberante por Venâncio Nahid, representado no programa oficial por M. Paulo, o seu segundo–gerente. No entanto, apesar da sua categoria, já demonstrada nas vitórias clássicas no GP Frederico Lundgren, e no GP Francisco Eduardo de Paula Machado, Grupo I, não tenho dúvida em afirmar a importância decisiva em seu triunfo da destreza, inspiração e categoria de Gil. Animal voluntarioso e que aprecia correr entre os ponteiros, King David pegou pela frente um páreo de ritmo acelerado. Ao perceber a intenção de Carlos Lavor em correr Olympic Google na frente, a qualquer custo, e de Us Trick, com Ângelo Márcio Souza, acelerar atrás dele, Gil tratou de mudar a sua estratégia.
O que se viu foi uma aula de percurso. E este fato pode ser comprovado, no dia seguinte, a segunda–feira. Ao entrar na portaria da Tribuna Social do Jockey Club Brasileiro, por volta do meio–dia, o porteiro sorriu e me perguntou: “O senhor viu aquele páreo espetacular de ontem?”. Me fiz de desentendido e retruquei. “Qual deles?”. E o simpático rapaz sorriu. “Ora, aquele Grande Prêmio do V. Gil”. Imediatamente me lembrei do meu amigo tricolor, ciclista e turfista, Roberto Frederico. “Você viu o jogo do Federar ontem?”. Aí pensei que os craques são assim. Eles assumem de maneira absoluta o protagonismo do espetáculo.
O que importa para as multidões não é o Torneio de Wimbledon, e a sua tradição, e muito menos o adversário da final. O que realmente encanta os aficionados é o craque. E o craque eterno do tênis chama–se Roger Federer. Para o porteiro do hipódromo, na sua ingenuidade, o mais importante do tradicional GP Dezesseis de Julho foi o desempenho de Gil. Foi ele, com o seu talento, que lhe fez ficar entusiasmado, a ponto de procurar os turfistas para tentar compartilhar a sua emoção. Para o cidadão comum foi a joqueada de Valdinei Gil a síntese de tudo. Para ele, o que de fato lhe trouxe o êxtase foi a atuação espetacular do jóquei vencedor. A ponto dele brincar comigo. “Este tal de Dragão solta mesmo fumaça pelas ventas!”. Meio sem jeito e apanhado de surpresa, me limitei a sussurrar: “Solta”.
PURO–SANUE MELHOR APRESENTADO
Ficante, do Haras Basano, este na Gávea na semana do Grande Prêmio Brasil e levantou com autoridade uma das versões da Prova Especial Mensageiro Alado. Parece que o público carioca atribuiu ao acaso o seu triunfo. Ledo engano. Estanislau Petrochinski, profissional de alto gabarito, o trouxe de volta esta semana na Prova Especial Hyperio. Mais um passeio na raia do filho de Holy Roman Emperor. Direção tranquila do bridão Henderson Fernandes e apresentação sublime do Estanislau.
JOQUEDA DA SEMANA
No dorso de Karina D’Or e de Maré Alta, Igor Ribeiro Mendes brilhou esta semana com direções precisas e lúcidas, típicas do bom jóquei que ele sempre foi desde os primeiros passos na Escola de Aprendizes do Jockey Club Brasileiro. Decidi escolher a primeira. No dorso de Karina D’Or, do Stud Turf & Horse, Igor esteve perfeito. Ao perceber o ritmo alucinado da carreira deixou a sua pilotada ficar junto a cerca interna, na expectativa. Na reta esperou o momento certo de dar uma partida curta e seca para vencer a prova sem maiores problemas. Tudo muito simples, seguro e sem firulas. Autêntica aula de direção. Bom preparo do experiente Osmar Loezer.
VARGNER BORGES ESTÁ DE VOLTA
Para a alegria dos turfistas está de volta aos programas esta semana o excelente bridão Vagner Borges. Depois de cumprir suspensão bastante rigorosa, ele assinou diversos compromissos de montaria. Um toque de qualidade nas programações. Ainda está de molho o Bernardo Pinheiro. Profissional dedicado, nem mesmo a longa punição de 45 dias diminuiu o seu entusiasmo. Seguiu marcando presença nos matinais, fato digno de nota. A exemplo do que acontece com os presos de bom comportamento que tem suas penas atenuadas, a Comissão de Corridas poderia diminuir o tempo de suspensão e liberar o rapaz.
CLÁUDIO MOTHE, UM TURFISTA DE ESCOL
Nas últimas semanas, Claudinho Mothé, titular do tradicional Stud Cláudia, me procurou todas as segundas–feiras para tentar realizar o sonho de obter um triunfo para a sua bela farda (ouro com bolas pretas e boné ouro, e borla preta), com a joqueta Victória Mota. Claudinho até comprou uma farda nova e deu de presente a menina. Na última segunda–feira, no dorso de Federal, Victória estreou a tal farda personalizada, feita exclusivamente para ela, toda vez que for montar um cavalo do Stud Cláudia. O resultado foi um triunfo espetacular. Obrigado ao Claudinho por ser tão fino, educado e carinhoso. São tempos difíceis. E ter o privilégio de encontrar pessoas tão gentis e afetivas feito ele é algo bastante raro e muito gratificante.
