A Comissão de Corridas deferiu matrícula provisória de 90 dias para o bridão Marcos Mazini. Esta iniciativa dos dirigentes do Jockey Club Brasileiro oferece mais uma oportunidade, das tantas que já foram dadas ao piloto, de se recuperar e reencontrar os melhores momentos de sua carreira. Mazini possui qualidade técnica inquestionável. Mas a sua vida social é cheia de sobressaltos. Admirado por legião de fãs e admiradores, todos enfeitiçados por seu talento, Mazini não consegue focar apenas na sua profissão e deixar de lado a turbulenta vida pessoal.
Ganhador de algumas das mais importantes provas do calendário turfístico nacional, ele já passou por diversas interrupções em sua carreira. Admirado por suas qualidades como jóquei, Mazini sempre recomeça com apoio, incentivo e ajuda de alguns dos melhores proprietários e treinadores do turfe carioca. Em ambos os casos, este fato se dá por que alguns deles são gratos por suas direções antológicas, que proporcionaram vitórias inesquecíveis. É o caso de Dulcino Guignoni e Venâncio Nahid, parceiros de Mazini em vitórias de Grupo I.
Nos últimos anos, entretanto, cada vez menos estes recomeços de Mazini sensibilizam os proprietários, treinadores e profissionais. Ninguém discute as suas qualidades como piloto. Pelo contrário. É um jóquei espetacular e com enorme carisma junto ao público. Porém, depois de tantas idas e vindas, as pessoas começaram a se cansar dele. Passaram a duvidar da sua capacidade de dar a volta por cima. As saídas de sena repentinas de Mazini, e as suas tentativas de retomar o rumo já passaram a fazer parte da rotina do turfe carioca.
Todos gostam de Mazini. Todos torcem por ele. Menos ele próprio. Agora, os verdadeiros amigos deveriam alertar a ele sobre um trem que vai passar. Dos inúmeros trens desta vida que ele poderia embarcar e salvar a sua carreira. Mas, ele não embarcou. Hoje, para resgatar a sua profissão, para reviver as glórias e o sucesso do passado, Mazini não pode se atrasar. Precisa fazer as suas malas bem rápido e correr atrás desse último trem. Possivelmente, ele será último a passar na sua estação. Mazini não deve vacilar. Nesta vida, ninguém pode perder o último trem para Berlim...
por Paulo Gama