MUCH BETTER, O REI DE COPAS DO TURFE SULAMERICANO
Alguns times de futebol da América do Sul recebem o apelido de “rei de copas”. É o caso de Cerro Portenho, no Paraguai, e do Independiente, na Argentina. Isto acontece devido as inúmeras vitórias e conquistas destes clubes em competições e torneios internacionais. Se já existiu um puro–sangue criado em solo brasileiro que mereceria esta referência é o inesquecível Much Better, criado no modelar Haras J.B.Barros, no Paraná, e defensor do Stud TNT. O filho de Baynoun e Charming Doll, durante a sua exaustiva campanha nas raias, comportou–se como um autêntico Simon Bolívar, que desbravou o continente com sucesso e bravura na década de 90.
Treinado pelo saudoso e extraordinário treinador, João Luiz Maciel, e montado pelo futuro recordista mundial de vitórias, Jorge Ricardo, Much Better colecionou glórias por onde passou. Na Gávea venceu o Grande Prêmio Brasil de 1994, depois de ter perdido a prova no ano anterior, na fotografia, para Villach King. Em Cidade Jardim, colocou no currículo o Grande Prêmio São Paulo, no fatídico dia 1º de maio, data em que morreu Ayrton Senna. Esteve no Hipódromo de San Isidro em 1993 e foi segundo colocado para o peruano Laredo, no Grande Prêmio Carlos Pellegrini.
No ano seguinte esteve outra vez na Argentina, em La Plata, no mês de março e levantou o Clássico Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs. Retornou em dezembro ao solo argentino e conquistou o Grande Prêmio Carlos Pellegrini. Neste mesmo ano de 1994, além de vencer estas quatro provas internacionais, foi a Paris disputar o Arco do Triunfo, e finalizou em 14º lugar, a seis corpos de ganhador Carnegie. Passados 21 dias desta aventura mudou de hemisfério e de volta a Gávea perdeu a Copa ANPC na fotografia, em tempo recorde nacional para Fantastic Dancer.
Aos seis anos, em 1996, quase no final da campanha, Much Better obteve o bicampeonato do Latino–Americano, disputado no prado carioca. Os seus últimos passos nas pistas coincidiram com os meses de calvário de João Maciel. Doente, o profissional faleceu, aos 33 anos, com um currículo grandioso de conquistas. A exemplo de seu treinador, Much Better, já na reprodução, também viria a morrer de forma prematura pouco anos depois. O fato ocorreu durante um incêndio, na sua cocheira, em Bagé, no Haras TNT. Na memória dos seus fãs deixou a imagem de um cavalo de ferro e quase intransponível. Um craque absoluto na acepção da palavra. Todos aqueles que puderam acompanhar de perto a sua incansável jornada podem ser considerados turfistas privilegiados.
