FALCON JET E FLYING FINN, DUELO DE GIGANTES NO GP BRASIL
Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, e Flying Finn, do Stud Numy, se revezaram na liderança de sua geração no início dos anos 90. Falcon Jet era montado por Jorge Ricardo e treinado por João Luiz Maciel. Flying Finn contava com outra dupla espetacular. Juvenal Machado da Silva nas rédeas e Venâncio Nahid, no preparo. Nas pistas, desde 1982, Ricardinho havia desbancado Juvenal da liderança da estatística, depois de uma hegemonia de seis anos do alagoano (1976 a 1982). Se a rivalidade já era enorme, o fato dos dois melhores cavalos do país serem montados por eles acirrou ainda mais esta disputa particular.
No Grande Prêmio Brasil de 1990, Flying Finn conseguiu se impor sobre Falcon Jet, numa reta final antológica. O “lourinho”, como era chamado Flying Finn pelo inesquecível narrador Ernani Pires Ferreira, conseguiu escapar na frente e entrou na reta com boa margem. Falcon Jet sofreu embaraços na reta oposta e na grande curva. Atropelou forte na reta final, mas não teve tempo de alcançar o grande rival. Juvenal Machado da Silva comemorou a sua quinta vitória na prova e se transformou no recordista de triunfos do Grande Prêmio Brasil.
Dois anos depois, em 1992, aconteceu outro duelo entre os dois craques. Numa pista encharcada, com os jóqueis e os cavalos cheios de lama, Falcon Jet foi à forra. Numa tarde histórica, pois foi a primeira vitória de Jorge Ricardo no Grande Prêmio Brasil, Falcon Jet conseguiu livrar cabeça sobre Flying Finn em cima do disco. Juvenal chegou a tentar agarrar a farda de Ricardinho coma mão direita. Ricardinho se desvencilhou com o cotovelo esquerdo. Houve pedido de sino e reclamação. Eu fazia a cobertura da prova como repórter do Jornal do Brasil naquele dia. Me lembro bem do diálogo rápido entre Juvenal e o treinador Venâncio Nahid ao sair da raia.
“Reclama Juvenal. Ele meteu o cotovelo”. Sorridente, Juvenal respondeu para Venâncio. “Neném. Ele meteu o cotovelo porque eu tentei segurar o braço dele quando encostou para me dominar. Tem um monte de gente esperando o Ricardinho ganhar este páreo há longos anos. O cavalo é do doutor Fragoso, presidente do Jockey. Não tem a menor chance de haver desclassificação. Mas se você quer que suba na Comissão de Corridas eu vou”. Anos depois, antes de se aposentar, Juvenal me confidenciou que ao entrar na sala dos comissários falou. “Pode confirmar doutor”.
