HÁ 40 ANOS, DAIÃO DEU SHOW COM EDSON FERREIRA
Lá se vão 40 anos daquela bela tarde de agosto de 1977. Aos 19 anos, eu apostava certo, pela primeira vez, no vencedor do Grande Prêmio Brasil. O castanho Daião, de criação e propriedade do Haras Serra dos Órgãos, filho de Sabinus e Dársena, preparado por Wilson Pereira Lavor e montado pelo freio Edson Ferreira, ganhou a maior prova do turfe nacional. Naquele tempo, o Grande Prêmio 16 de Julho, prova preparatória, disputada um mês antes, era espécie de fiel da balança. Quando o vencedor demonstrava facilidade no triunfo se transformava no osso duro de roer do GP Brasil. Afinal havia pouco tempo para as coisas se modificarem.
Edson Ferreira era um freio clássico, malicioso no percurso, atento aos adversários, e com cálculo de corrida extraordinário. Wilson Lavor foi um treinador de mão cheia, que apresentava os seus pensionistas sempre no último furo nos páreos importantes do calendário clássico. Daião não tomou conhecimento dos rivais na prova preparatória. Cavalo preguiçoso na cocheira, que só gostava de acordar depois das 8 horas da manhã para os exercícios, se modificava nas corridas. Ficava irrequieto, alterado e possuía aceleração fabulosa nos 400 metros finais. O seu triunfo no GP 16 de julho foi tão categórico, que não tive dúvida da repetição 30 dias depois. Foi o que aconteceu de forma insofismável. Com atropelada fantástica, ele escreveu o primeiro capítulo de Edson Ferreira na história da prova.
Onze anos depois, no Grande Prêmio Brasil de 1988, Edson Ferreira voltou a brilhar na maior prova do turfe brasileiro. O Haras Santa Ana do Rio Grande tinha parelha poderosa, Bowlling e Bat Masterson, montados respectivamente, por Jorge Ricardo e Juvenal Machado da Silva. Carteziano, também da família Fragoso Pires, foi inscrito em nome do José Carlos Fragoso Pires Júnior. No padoque, na hora dos jóqueis montarem, Fragoso, Fragoso Júnior e o veterinário José Roberto Taranto passaram pelo treinador João Luiz Maciel, Edson Ferreira e por mim, e perguntaram ao João se o cavalo estava bem. João fez sinal de positivo. Eles então se encaminharam em direção a Ricardinho, Juvenal e mais um monte de baba–ovo. Edson Ferreira virou–se para João Maciel e comentou. “Ninguém ficou do nosso lado”.
João Maciel, um dos maiores fenómenos em treinar cavalos de corrida que conheci em toda a minha vida turfística, respondeu para Edson Ferreira. “Não se preocupe com isso. Depois do páreo, todos eles vão estar com a gente na foto da vitória. Corre quieto, bem tranquilo e faz uma partida seca de 400 metros. Com o exercício que ele tem no centro de treinamento basta confirmar e não será derrotado”. Alguns minutos depois, com uma pule de 20 por 1, Carteziano ganhava o primeiro GP Brasil de João Maciel, que voltaria a vencer em 1992, com Falcon Jet, e em 1994, com Much Better. Tempos que não voltam mais...
