A VITÓRIA DE APORÉ, A PRIMEIRA DO JUVENAL NA PROVA
Em 1979, o Hipódromo da Gávea teve o privilégio de presenciar o desfile de uma geração espetacular dos Haras São José e Expedictus. A inesquecível letra “A” da coudelaria da família Paula Machado. Um dos expoentes foi o tríplice–coroado African Boy, sempre conduzido por Edson Ferreira. Fizeram sucesso também Amazon, Aragonais, Aporema, Apple Honey e o veloz e resistente castanho Aporé, ganhador do Grande Prêmio Brasil sob a batuta de Juvenal Machado da Silva. Juntos, estes incríveis craques levantaram quase todos os clássicos da temporada.
Na tarde em que Aporé estreou, em 1978, num páreo para 3 anos sem vitória, me lembro de estar sentado no alto da Tribuna A, chamada naquele tempo de Especial. Do meu lado, Nilson, turfista fanático, e talvez por ser piloto de aviões, apaixonado por velocidade. Aporé largou e acabou. A pista de grama estava bem leve, raia predileta dos animais da farda ouro com costuras azuis e boné ouro. Entusiasmado, Nilson balbuciou: “Que balaço! ”. Eu tinha poucos anos de turfe, uns cinco, no máximo. E por isso tive a ousadia de profetizar. “Ele vai ganhar o Grande Prêmio Brasil do ano que vem”. Nilson, turfista bem mais experiente, retrucou. “Garoto. Também não precisa exagerar. Ele ganhou o páreo para perdedores”.
Os próximos meses se encarregaram de mostrar que a minha previsão poderia se realizar. Entretanto, depois de algumas atuações, ficou claro que Aporé era um monstro na raia leve, porém sempre fracassava na raia pesada. Fã incondicional do cavalo esperei pacientemente a semana do Grande Prêmio Brasil. Ficava de olho nas previsões da meteorologia e olhava sem parar para o céu. Mas, naquele tempo não haviam os recursos tecnológicos de agora. E os caras erravam para caramba. Já havia comentado com os meus amigos da Rua Almirante Gonçalves, em Copacabana. “Se não chover, Aporé vai ganhar de ponta a ponta com o Juvenal”.
E não choveu. Mas até algumas horas antes da largada do Grande Prêmio Brasil existia a dúvida de quem correria a prova entre os quatro inscritos pela família Paula Machado. Amazon estava certo. Era a montaria do jóquei titular do stud, o chileno Gabriel Meneses. Havia vencido disparado o GP 16 de julho. African Boy era montaria de Edson Ferreira, que o conduziu na conquista da tríplice–coroa. Juvenal assinou duas montarias, Aporé e Tibetano, este último, mais velho e ganhador do Grande Prêmio São Paulo. Seria a sua despedida das pistas. Que agonia! Uma hora antes da prova central foi anunciado nos alto–falantes do hipódromo a presença de Aporé e o forfait de Tibetano. Me lembro de ter socado o ar e dado um berro na arquibancada.
Na hora do páreo fui para o guichê e apostei. Quando foi dada a largada dei a minha pule para o Carlinhos Resende, o popular “Armação de Pipa”, devido a sua incrível magreza. “Se ganhar o Aporé você recebe para mim. Caso vença o Amazon você pode receber a pule para você. Os dois estão de parelha”. Carlinhos olhou assustado. “Você está ficando maluco! ”. Aporé tomou a ponta e veio até o disco sem ser incomodado na condução do fabuloso Juvenal Machado da Silva. Manteve a sua invencibilidade na pista de grama leve a abriu caminho para a série de cinco triunfos do alagoano na história da maior prova do turfe nacional.
