A TRADIÇÃO E A FORÇA DA MARCA GP BRASIL
Apenas Grande Prêmio Brasil. Os indivíduos mais observadores já devem ter percebido, através dos anos, nas chamadas publicitárias de divulgação do maior evento turfístico do país, a referência a marca “Grande Prêmio Brasil”. Entretanto, nas campanhas da mídia escrita, falada e televisada de outros acontecimentos esportivos a expressão utilizada é Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, Grande Prêmio Brasil de Ginástica, Grande Prêmio Brasil de Atletismo, Grande Prêmio Brasil disso ou daquilo. A poderosa marca “Grande Prêmio Brasil” pertence ao Jockey Club Brasileiro. É verdade meus amigos. Esta marca está devidamente registrada e patenteada há muitos anos. O mal informado menciona erradamente Grande Prêmio Brasil de Turfe. Totalmente desnecessário. Só existe um Grande Prêmio Brasil e ele é disputado todo ano no Hipódromo da Gávea, um dos mais belos do mundo.
Por isto é fácil entender a reação negativa de alguns turfistas com a decisão do Jockey Club Brasileiro de dispensar o paletó e gravata na Tribuna Social, pela primeira vez, em todos estes anos. Eu sempre me posiciono em questões polêmicas. Porém, nesta oportunidade, vou ficar em cima do muro. A medida certa entre o antigo e o moderno é algo difícil de se encontrar. Estão certos aqueles que defendem as raízes e as tradições. É um momento único. Um dia especial entre os 365 de todo o ano. No peito dos mais apaixonados bate aquela sensação de ter de reverenciar tarde tão importante. E foram tantas tardes importantes desde à vitória de Mossoró, em 1933. Por outro lado, para a turma da era digital, que só agora começa a descobrir esta paixão das corridas de cavalos, o importante é quebrar as regras. E convenhamos, ninguém derruba conceitos e paradigmas vestido de traje passeio completo. Me parece justo decretar empate técnico entre a tradição da história e o mundo virtual.
O Jockey Club deve procurar, em suas iniciativas promocionais e de divulgação do evento, achar o equilíbrio para agradar a todos. Os turfistas tradicionais, entre eles, estão alguns representantes de escol como Dagoberto Midosi e Fernando Botelho, e a nova geração que começa a dar os primeiros flertes com a atividade turfística. No momento, a nossa maior necessidade, evidentemente, é recrutar reforços para as nossas brigadas. Por isso, é elogiável a contratação de empresas especializadas em marketing para divulgar o GP Brasil. Com certeza, elas vão introduzir estratégias modernas, com inclusão da internet, e–mails e marketing agressivo online. Mas, deve–se respeitar o espaço da turma da velha guarda, grande maioria no dia a dia do prado. Eles já vão se sentir que nem peixe fora da água sem o paletó e a gravata. Acho até que vão vestir os seus melhores ternos e ignorar a nova liberação. Mas, por favor, não tirem nada a mais desta galera apaixonada. Do contrário, eles se sentirão pelados no hipódromo.
O turfe é uma atividade enigmática, misteriosa, e por que não dizer desconhecida da maioria da sociedade. Parte significativa do seu glamour está neste mundo fascinante que só um grupo de pessoas privilegiadas desfrutam. Os tabus do jogo proliferaram na cabeça das pessoas por longos anos. Este preconceito maldito evitou que milhares de seres humanos provassem deste néctar dos deuses. O turfe possui o sabor da maçã no Jardim do Éden. E quem passa pela vida sem jamais ter ido a um hipódromo morre inconsciente que nunca foi feliz. Vencer uma prova carismática e importante como um Grande Prêmio Brasil, na condição de criador, proprietário, jóquei, treinador, ou simplesmente como turfista anônimo, proporciona o mesmo prazer de um orgasmo. E se for no fotochart então, a sensação é de estar ao lado de Zeus no Olimpo.
O Grande Prêmio Brasil de 2.017 deve representar um encontro de gerações. Esta deve ser a linha de divulgação. Tudo bem, os paletós, gravatas e o sapato de couro conviverão democraticamente com as camisas polos e os top–sides. Os velhos binóculos dividirão espaço com a geração de turfistas que só assistem os páreos na televisão. O mais importante nesta festa será o vovô ensinar os segredos do turfe para o netinho. O pai torcer na arquibancada ao lado do filho e da filha. Os tios orientarem os sobrinhos e os seus primos sobre os segredos do cânter. Enfim, deixar de lado qualquer tipo de preconceito. A vida tem o seu ciclo. Isto acontece no turfe também. Com certeza não seremos nós, os mais velhos, a resgatar os bons tempos. Mas podemos dizer a garotada aonde nós erramos. E eles, com os seus celulares de última geração, trocando ideias pelo Face book, tudo em velocidade máxima, mais cedo ou mais tarde, serão picados pelo mosquito da paixão turfística.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
A potranca Play Around, do Haras São José da Serra, filha de Agnes Gold e Paola Rubia, atuou sob a responsabilidade de D. Fonseca, braço direito do mestre Dulcino Guignoni. Que exibição! Fez galope de apresentação esvoaçante e reinou absoluta, de ponta a ponta, da largada ao disco de chegada sem deixar a menor dúvida sob a sua expressiva qualidade. Desde já, um nome a ser observado com enorme admiração entre os produtos da nova geração.
JOQUEADA DA SEMANA
Wesley Matheus Silva Cardoso, jóquei da craque tríplice–coroada No Regrets, esteve impecável no dorso de Kaiwoa, do Haras Nacional, e treinamento do craque Venâncio Nahid. Correu a filha de Good Reward com a precisão dos grandes jóqueis. Parece estar evoluindo na profissão a cada segundo. Reúne todos os recursos técnicos dos bons profissionais das rédeas.
