OS BONS VENTOS DA ESPERANÇA VOLTAM A SOPRAR EM SP
O Hipódromo de Cidade Jardim viveu dois dias de festa, no último final de semana. União e solidariedade foram as palavras de ordem no turfe paulista. Da diretoria do Jockey Club de São Paulo até o mais humilde funcionário, todos arregaçaram as mangas. O trabalho foi árduo, afinal não foi nada fácil organizar uma festa a altura da tradição do Grande Prêmio São Paulo, em tempos de crise financeira. Porém, o empenho da classe turfística e o sentimento de esperança de dias melhores permitiu resultado espetacular. Bem acima de qualquer previsão otimista. Nas pistas, a presença de excelentes corredores. Fora delas, a alegria dos reencontros entre turfistas de todos os cantos do país. E no ar, aquele inconfundível vento da ressurreição. Quando o incansável Jair Bala fez entrevista com o prefeito João Dória tive a convicção de que o turfe de São Paulo vai se reerguer antes do esperado.
A vitória de um cavalo com o nome de Céu de Brigadeiro na prova central pode ser interpretada como o prenúncio de novos tempos. Apresentação soberba da dupla José Amadeu Silva e Bruno Alexandre. Direção precisa e confiante de Muriel Silva Machado. Nada melhor do que um dia após o outro. Criticado no início de carreira por alguns apressadinhos de plantão, Muriel deu duas aulas na parceirada. Com Céu de Brigadeiro e Cinderela, dois defensores da farda de Edson Alexandre e Luiz Alberto Daniellian. Menino simples, de boa família, ingênuo e trabalhador, Muriel sofreu contratempos na Escola de Aprendizes. Desligado antes do tempo certo, ele passou a categoria de jóquei sem estar pronto. Agora, começa a colher os frutos da dedicação e perseverança. E estas, são qualidades imprescindíveis na profissão de montar cavalos de corrida. Para mim foi uma honra, um dia ter sido seu agente de montarias.
Conversei com alguns cariocas presentes à festa do Grande Prêmio São Paulo. Segundo eles, existem muitos problemas estruturais nas cocheiras e no próprio hipódromo paulistano. Sinais visíveis da crise financeira em que o clube ficou mergulhado. Por outro lado, todos foram unânimes em atestar a alegria, a motivação e o desejo de cada criador e proprietário de ajudar a reconstruir e participar com a volta por cima da atividade turfística no estado de São Paulo. Proprietários prometeram voltar, outros decidiram prestigiar futuros leilões e comprar potros e cavalos em treinamento para reforçar o plantel de puros–sangues de Cidade Jardim. Contra a força não há resistência. A impressão da maioria é de que agora a coisa vai. Esta é a nossa torcida e, com certeza, a de todos os verdadeiros turfistas.
JOQUEADA DA SEMANA
Ilson Correa trava luta titânica contra a balança. Piloto de indiscutíveis qualidades técnicas, ele desafia diariamente uma estrutura física contrária a profissão de jóquei. Por outro lado, possui enorme talento. No dorso de Hard Trick, do Haras Springfield, desfilou todo seu repertório de grande bridão. Ele foi o fiel da balança, o ponto de desequilíbrio a favor do pensionista de Júlio César Sampaio na milha internacional, o GP Presidente da República. Vitória emocionante, suada e conquistada com a última gota de suor deste belo jóquei. Na Gávea, Leandro Henrique deu direção mágica em Selo Achaque, de Ronaldo Cramer Moraes Veiga, e preparo do presidente Jaime Moniz Barreto Aragão.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O traço marcante da dupla formada por José Amadeu Silva e Bruno Alexandre é a ousadia. E foi justamente este predicado que levou ao triunfo Céu de Brigadeiro no Grande Prêmio São Paulo. O filho de Out of Control, criado no Stud TNT, já havia comprovado ser um milheiro de excelência. Mas o seu staff vislumbrou a possibilidade de voar mais alto. Saiu da zona de conforto e estendeu o cavalo na distância. O craque produziu treinos excepcionais. O exercício final para a maior prova do turfe paulista foi três segundos melhor do que costumava trabalhar. Bruno Alexandre confidenciou a alguns amigos mais chegados que dificilmente ele seria derrotado se confirmasse em carreira. E foi justamente o que aconteceu. Na Gávea, Daniel Lopes apresentou Knowledge, do Haras Nacional, em forma exuberante e o triunfo veio com mais uma bela direção do líder da estatística, Valdinei Gil.
ESTATÍSTICA
No sábado, Valdinei Gil somou cinco pontos na estatística através de Donna Márcia, Ganzá, Neshama, Que Resti T’il e Knowledge. No domingo foi montar em Cidade Jardim. Na segunda–feira, de volta à Gávea, somou mais dois pontos com Tina Casadewall e Kawara, este último no Clássico Much Better. Sete vitórias em dois dias e 142 vitórias no topo do ranking. A um mês e meio do final do ano hípico, Leandro Henrique, com 125, e Wesley Mateus Silva Cardoso, com 120, vão precisar ralar muito para alcançar a tempo o “Dragão”.
