A HORA E A VEZ DO GRANDE PRÊMIO SÃO PAULO
Depois de suportar tremenda tempestade política e financeira, o turfe paulista terá a oportunidade de renascer das cinzas. Os destinos do Jockey Club de São Paulo estão em novas mãos. E nada melhor do que mais uma edição do Grande Prêmio São Paulo para representar o marco da ressureição. Conversei com alguns amigos turfistas da terra da garoa. Pude notar em todos eles o traço verde da esperança. Existe um otimismo ressabiado no ar. Aquele otimismo comedido, temperado de alguma desconfiança devido à atual localização no fundo do poço. Entretanto, o que seria de todos nós sem a confiança de que há uma luz para iluminar os nossos caminhos? Tem muita gente boa na diretoria que assumiu o destino do turfe paulista. Apaixonados pelo esporte, investidores fiéis a esta paixão. Enfim, gente que pretende suar a camisa para voltar aos bons tempos. E, mais cedo ou mais tarde, os bons tempos irão voltar. Para o bem da comunidade turfística brasileira.
Todo ano, por ocasião do Grande Prêmio São Paulo, escrevo linhas muito parecidas. Falo dos bons tempos. E com aquele toque de nostalgia por ter vivido inesquecíveis emoções no Hipódromo de Cidade Jardim. Ontem, no feriado do dia 1º de maio, lembrei da desilusão, e do misto de alegria e tristeza, em 1.994, quando a vitória de Much Better contrastou com a morte de Ayrton Senna. O craque do Stud TNT, montado por Jorge Ricardo e treinado pelo fantástico João Luiz Maciel, amenizou um pouco os nossos corações combalidos pela dor da morte do maior ídolo do esporte brasileiro naquela manhã de domingo. E os nossos domingos nunca mais foram os mesmos. No prado paulista, os brasileiros permaneceram horas diante dos monitores de televisão. Havia esperança de que o notável piloto voltasse a respirar. Ele não voltou. Much Better, com aquela classe incomparável, voou para o disco de chegada quase esquecido pela multidão. Um dia histórico.
As caravanas da Associação de Cronistas de turfe partiam da Rodoviária Novo Rio a meia–noite da sexta–feira. A ideia era amanhecer em São Paulo, se instalar no Hotel Lux, na Praça Júlio Mesquita, e dar um pulo nos matinais de Cidade Jardim. O turfe paulista fervilhava nas décadas de 70 e 80. Fardas famosas, jóqueis extraordinários, treinadores com torcida organizada. As tribunas ficavam superlotadas desde sábado, na véspera do GP São Paulo. Era espécie de aquecimento para o grande dia. O jantar de confraternização com a crônica paulista era espetacular. A infraestrutura do hipódromo fantástica. Enfim, só de lembrar aqueles momentos o coração aperta de melancolia. Na raia, as fardas coloridas dos grandes proprietários e criadores vestidas por monstros sagrados das rédeas como Ivan Quintana, Gabriel Meneses, Juvenal Machado da Silva, Albênzio Barroso, Gonçalino Feijó de Almeida, Adail Oliveira, Luiz Duarte, Cláudio Canuto e tantos outros.
Daquela tradicional caravana dos cronistas gostaria de lembrar alguns expoentes que não se encontram mais entre nós. Tive a honra de viajar ao lado de Daniel Fontoura, Fernando Fontoura, José Briani Neto, Natan Pacanowiski, Mauro de Faria, Sérgio Resende, Luís Urubatan Carlos, Albino Pinto Resende e tantos outros. Alguns poucos de nós ainda estão por aqui para lembrar de toda esta gente boa. Gente que ajudou a escrever e a testemunhar a bela história do turfe paulista com tintas e microfones. Todo ano, na semana do GP São Paulo, ainda posso sentir, guloso que sou, o sabor da coxa –creme da Tribuna Social de Cidade Jardim, e do Filé do Moraes, com batatas cozidas e agrião, na Praça Júlio Mesquita. Aquele vento frio do final de tarde no prado paulista ainda sopra no meu rosto outrora adolescente. As luzes acesas da bela cidade, ao final do último páreo de domingo, ainda brilham nos meus olhos agora bem mais cansados e míopes do que naqueles tempos inesquecíveis da minha juventude. E por um momento, sinto vontade de chorar o ocaso que parece chegar tão breve.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Energia Important, do Stud Gold Black, não deixou dúvida no galope de apresentação que seria o ganhador. Apresentado em forma exuberante pelo craque Venâncio Nahid, fez o cânter com a nobreza dos bons puros–sangues e com atitude de vencedor. Na raia deu galope de saúde nos adversários, bem conduzido por Waldomiro Blandi, que teve pouco trabalho no dorso do belíssimo castanho. Gostaria de registrar ainda, a forma espetacular de Troppo Bravo, do Stud Guararapes, e preparo de José Ferreira Reis. Obteve a terceira vitória consecutiva com uma atropelada sensacional. Boa direção de Lavor para o pensionista de Reizinho, na melhor fase de sua carreira profissional.
JOQUEADA DA SEMANA
As minhas curtas férias da profissão de agente de montarias se encerraram no nono páreo de domingo à tarde. Depois da atuação da joqueta Victoria Mota no dorso de Afetuoso, propriedade de sua mãe, Juliana Dias, e treinado por seu avô, Odir Jorge Meneses Dias, o popular Cai–Cai, tive que aceitar o insistente convite da joqueta para voltar a trabalhar com ela. A tarefa de obter montarias para uma menina, num meio dominado pelos homens, é das mais árduas. Porém, o talento de Victória e o seu amor a profissão são fatores que não podem ser ignorados. A partir da semana que vem volto para o front, contanto com o apoio de proprietários e treinadores. A borboletinha lembrou o seu pai, Alex Mota, no dorso e Afetuoso. Vocês não acham?
STUD MENDONÇA – A partir desta semana, o Stud Mendonça, do meu querido amigo Jorge Mendonça, estará no patrocínio destas linhas mal traçadas. Turfista apaixonado, Mendonça esteve afastado do nosso convívio por 15 anos. Mas continuou a acompanhar de longe as carreiras. Agora voltou com força total para alegria de todos nós. Esta semana voltou a vencer com Wales Thunder, e perdeu corrida incrível na fotografia com Joly Paris. Novas aquisições vem por aí.
