Prevaleceu o respeito ao estatuto. Em reunião, ontem à noite, comandada por Paulo Roberto Fernandes, presidente do Conselho Deliberativo do Jockey Club do Paraná, com a presença de dirigentes e conselheiros, entre os quais os ex–presidentes Eraldo Palmerini e Edison Mauad (este, atualmente, no comando da bem–sucedida ACPCCP), houve a confirmação do nome de Roberto Hasemann, presidente da Comissão de Corridas, para assumir o controle da entidade.
Há cerca de 90 dias, através do então vice–presidente Henrique Oliva, os sócios, turfistas e proprietários Ricardo Cwikla e Sérgio Bucoski, profissionais de reconhecida eficiência na área de Administração, foram convidados para elaborar uma radiografia sobre a situação do clube e programar ações prioritárias. Para formalizar a autonomia de ambos, Bucoski foi nomeado diretor–adjunto da Vice–Presidência e Cwikla, da Tesouraria, ficando diretamente ligado a Cresus Camargo.
Diante da gravidade do endividamento, cujo montante alcança R$ 21 milhões, e da pequena receita mensal, a dupla decidiu manter em dia, além do pagamento dos funcionários, apenas os compromissos diretamente ligados ao funcionamento das atividades hípicas: os repasses ao JCSP, as contas de energia da COPEL e a quitação dos serviços da KTV e da Supervia, empresas responsáveis, respectivamente, pela produção e geração das transmissões.
No entanto, o distanciamento do presidente Newton Grein de importantes correntes do turfe do estado e, até mesmo, de parte da sua diretoria, entre outras razões, emperrava avanços nas buscas de parcerias e desenvolvimentos de projetos com o intuito de viabilizar recursos.
Sufocado, o caixa fechava, a cada mês, praticamente zerado – e cumprindo, exclusivamente, o cronograma acima referido. Na terça–feira passada, dia 3, Cwikla e Bucoski entregaram os seus cargos. Ato contínuo, Henrique Oliva, que mantém trânsito fácil entre importantes criadores e proprietários de todo o país, apresentou seu pedido de demissão a Grein. A crise estava definitivamente instaurada no Jockey Club do Paraná.
No dia seguinte, diretores e conselheiros do clube receberam de Grein o compromisso da renúncia, numa tentativa de reunir esforços para organizar um colegiado capaz de controlar a desordem administrativo–financeira.
Entretanto, na quinta–feira, o presidente retrocedeu, impondo algumas condições. Na queda–de–braço, acabou derrotado e, como conseqüência imediata, foi paralisada a movimentação financeira e determinado o cancelamento da reunião de sexta–feira. Neste dia, Newton Grein, finalmente, renunciou.
Com a confirmação do nome de Hasemann para conduzir o clube – o término da atual gestão está previsto para 31 de março do próximo ano, deve ser criada uma espécie de força tarefa (na verdade, um conselho gestor) para auxiliá–lo nos próximos passos. Além da retomada das corridas, poderá ser convocada uma Assembléia Geral a fim de aprovar um novo estatuto, cuja proposta repousa há pelo menos seis meses na gaveta da Presidência.
cobertura: Marcos Rizzon e Zig