Aos 62 anos, Juvenal Machado da Silva, um dos melhores jóqueis brasileiros de todos os tempos, trocou a rotina dos hipódromos e das corridas, pelo trabalho na roça, a lida diária com a lavoura e as cabeças de gado, que asseguram o sustento da família. Hoje, em Delmiro Gouveia, interior de Alagoas, o único traço em comum com os tempos de jóquei é o fato de acordar todo dia bem cedo, por volta das 4h30m da madrugada, para separar a ração dos seus bois. Num bate–papo informal, pelo telefone, com o Raia Leve, ele fez questão de dizer que acompanha pela internet a luta do seu antigo e maior rival das pistas, Jorge Ricardo, pelo recorde mundial. Brincalhão e irreverente, ele lembra que está com apenas 56 quilos e que se não tivesse problema num dos joelhos poderia fazer uma curta temporada na Gávea para matar as saudades dos bons tempos.
“Cá entre nós, se não tivesse esse joelho bichado, eu poderia entrar em forma e dá uma aula para essa rapaziada de hoje em dia. O trabalho diário na roça, para cuidar das plantações, e o serviço de tocar meus boizinhos diariamente me mantém com ótimo peso. É bem mais fácil do que na cidade grande, em que a vida é sedentária e à atividade física para mim se resumia aos treinos e as corridas. Agora preciso ficar de olho nos peões senão eles podem fazer besteira. Mas, mudando de assunto. E o Ricardinho? Como é que está a contagem para ele bater o recorde mundial? ”, pergunta.
Juvenal esteve com o eterno rival no ano passado, por ocasião da disputa do Grande Prêmio Bento Magalhães, em Recife. Garante que sempre foram amigos e que os duelos e desafios faziam parte da estratégia da mídia para chamar a atenção para o esporte, muito mais popular do que atualmente. “Quando tenho tempo para assistir as corridas fico admirado como os hipódromos estão vazios. Nos sábados e domingos consigo ver alguma coisa. Mas nas corridas noturnas fica difícil por que durmo cedo por causa da atividade na roça. Assisto o Jornal Nacional e a novela e depois vou dormir”, conta.
Juvenal explica que as plantações vão bem este ano por que houve boa quantidade de chuva. Com relação aos bois, ele costuma dizer que tem conseguido engordar um pouco o gado com muito trabalho. Lamentou muito a notícia da morte de Adail Oliveira, um dos bons jóqueis da sua época. Pegou o endereço do nosso site para acompanhar a contagem regressiva para Ricardinho bater o recorde mundial de vitórias. “Na última vez que estivemos juntos, ele me disse que este era o último objetivo de sua vida profissional, uma espécie de sonho de criança que ele desajava realizar. Não tenho dúvida de que vai conseguir. Ele merece. É um profissional perfeito, sob todos os aspectos e com força de vontade incomum. E, além disso, vale lembrar que não existe mais o Nanau para atrapalhar”, brincou e soltou sonora gargalhada.
por Paulo Gama