OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES
Se não fosse tão pequeno e franzino, poderia se dizer que nesta semana, no Hipódromo da Gávea, o jóquei Leandro Henrique decidiu plagiar Hércules, o herói da mitologia grega. Depois de um acesso de loucura, Hércules matou a esposa, Megara, e os seus três filhos. Deprimido isolou–se do mundo até que o primo Teseu lhe sugeriu consultar o oráculo, em Delfos. Como penitencia, Hércules teve que executar 12 dificílimos trabalhos para obter a libertação da própria alma. O primeiro trabalho foi matar o leão de Neméia. O segundo matar a hidra de Lerna.
O terceiro trabalho foi capturar o javali de Erimanto. O quarto, capturar a corsa de Cerineia. O quinto, expulsar as temíveis aves do lago Estinfale. O sexto, limpar os estábulos do Rei Augius. O sétimo, capturar vivo o touro selvagem de Minos. O oitavo, capturar os cavalos selvagens do Rei Diomedes. O nono, obter o cinto de Hipólita, rainha das amazonas. O décimo, buscar o gado do monstro Gerião. O décimo–primeiro, levar as maçãs de ouro do Jardim Espérides para Euristeu. E finalmente, capturar Cérbero, o cão de três cabeças que guarda o inferno. Hércules, com sua força descomunal, realizou todos os 12 trabalhos.
Leandro Henrique não é filho de Zeus e Hera, como o lendário Hércules. Porém, nas raias de grama e areia do prado carioca pareceu estar movido por força incomum. Aquele tipo de energia tão espetacular que só parece ser possível de encontrar nos deuses da mitologia grega. O jovem pernambucano deitou e rolou. Começou a semana na terceira posição da estatística e, em quatro reuniões, assumiu a liderança do ranking de jóqueis cariocas deixando para trás Valdinei Gil e Wesley Cardoso. Arrojado, decidido, confiante e talentoso, Leandro fez lembrar os bons tempos de Jorge Ricardo, com aquela avalanche de vitórias semanais. Para alegria dos seus fãs e dos apostadores, que venham mais semanas como esta. E quem sabe, depois de alguns anos, o garoto não conquista um lugar ao lado de Hércules no monte Olimpo.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Rich Boy, do Stud Dona Lúcia, mais uma vez foi apresentado em estado atlético exuberante por este ótimo treinador Givanildo Duarte, que aos poucos, recupera espaço no turfe carioca. Conduzido com absoluta correção por Leandro Henrique, o furacão das pistas cariocas, o filho de Schrocco repetiu o triunfo recente e credenciou–se para tentar voos mais altos em sua campanha.
JOQUEADA DA SEMANA
De Guatambu e Surfe, na sexta–feira, passando por Rich Boy, Imbatível Hulk, Back and Forth, Glória Eterna e Nikki Beach, no sábado, Fuerza Natural, Asdrúbal, Irlanda do Sul e Indian Spring, no domingo, até Hacenda Florida, na noturna de segunda–feira, Leandro Henrique desfilou requintado repertório de qualidades. Cada turfista pode fazer a sua própria escolha tal a riqueza de opções. Para mim chamou a atenção o seu desempenho no dorso de Asdrúbal, do Stud B L, no GP Mário de Azevedo Ribeiro. Os quatro potros chegaram escassamente separados. Fiquei com a nítida impressão que aquele em que Leandro Henrique estivesse seria o ganhador de maneira insofismável. Naquela chegada ele desequilibrou a balança para o seu lado.
RECORDE MUNDIAL SE APROXIMA
Jorge Antônio Ricardo soma 12.808 vitórias em 40 anos de carreira. Em ótima fase no competitivo turfe argentino, ele depende de mais 36 vitórias para alcançar Russel Baze, que se aposentou com 12.844. Seria interessante se a parceria PMU/JCB transmitisse ao vivo a contagem regressiva para este feito notável, para alegria da legião de fãs do brasileiro. O recorde mundial deverá acontecer ainda no primeiro semestre. Em 2.017, Ricardo já ganhou 43 páreos nos primeiros três meses.
