A sensação é de terra arrasada. A diretoria derrotada nas urnas, ontem à noite, pelos sócios do Jockey Club de São Paulo, causou enorme destruição desde 2.011 quando assumiu os rumos da instituição. O saldo é de uma dívida em torno de R$ 250 milhões. Os funcionários do clube não recebem há cinco meses. Os proprietários e criadores não veem a cor dos prêmios há dois anos. Enfim, o cenário é de uma cidade devastada por um impiedoso bombardeio antiaéreo. Mas a chapa de oposição, Jockey Futuro, vitoriosa nas urnas assume amparada pelo voto democrático. Os seus ilustres membros representam o grito desesperado de libertação dos turfistas de São Paulo.
Será preciso arregaçar as mangas logo depois de eleger o presidente. Há nomes importantes e representativos na chapa. E as opções são as melhores possíveis. O importante agora é não perder tempo. O ponto de partida é respeitar os trabalhadores, os funcionários humildes e saldar o seu enorme prejuízo. Um belo cartão de visita seria botar em dia a vida de toda esta gente. A maioria dos funcionários, que suam a camisa do clube há longos anos, nem puderam ter ceia de Natal com as suas famílias.
Logo em seguida será necessário o resgate urgente da confiança dos proprietários dos puros–sangues. Pagar os prêmios atrasados representará recuperar esta confiança. Não se pode fazer turfe sem cavalos. E não se pode manter um clube hípico respirando sem turfe. Parece equação bem simples. Mas, na prática executar esta equação não é nada fácil. O certo é que ter proprietários felizes com toda certeza representará ter também aliados fundamentais no processo de ressureição.
O turfe paulista sempre foi grande. E a cidade de São Paulo é a maior potência econômica da América do Sul. Os diretores do clube devem convocar a sociedade empresarial do estado e também a população para colaborar nesta caminhada. O departamento de marketing precisa agir com agressividade e buscar parcerias nos meios de comunicação de massa. A área privilegiada de localização do Hipódromo de Cidade Jardim pode funcionar como moeda de troca para grandes eventos. O Jockey Club de São Paulo tem que interagir com a cidade. Fazer parte dela. Abrir as suas portas para os cidadãos, as crianças, as mulheres, as famílias e a juventude.
A escalação das pessoas certas nos lugares certos será fundamental. O cara do marketing precisa entender do assunto. Na era digital, a comunicação será a mola mestra do sucesso. O responsável pelas finanças deve conhecer de cor a tabuada. Não existe margem para erro em tempos de crise. Os representantes políticos do clube precisam ser vaselinas no trato social. E por aí afora. A menos de dois meses da disputa do Grande Prêmio São Paulo, a realização da festa deve ser encarada como a melhor oportunidade de começar a virada. Um grande, mas saboroso desafio. Chance única de mostrar ao que veio. Arranjar um patrocinador máster para oferecer um prêmio de valor indecente. Promover o evento em toda a cidade com intensa campanha publicitária. Enfim, se os novos dirigentes resgatarem o glamour do seu páreo mais importante, tradicional e representativo. Todo mundo vai acreditar eles estão prontos para voos mais altos. Ou seja, que eles não estão para brincareira.
por Paulo Gama