TODAS AS HONRAS A RAINHA DO TURFE CARIOCA
Nos 400 metros finais do Grande Prêmio Diana, disputado no último domingo, na Gávea, a potranca No Regrets surgiu por fora em violenta atropelada. O ritmo frenético de sua aceleração fez parecer que as demais concorrentes estavam paralisadas na raia. E, efetivamente, elas estavam. A pensionista do talentoso treinador, Venâncio Nahid, seguiu para o disco soberana apenas acariciada por seu piloto, Wesley Silva Cardoso. Em tarde de homenagem, no páreo anterior, a Francisco Eduardo de Paula Machado, me lembrei de imediato de Baronius, o maior atropelador da história da farda ouro, com costuras azuis e boné ouro, dos Haras São José e Expedictus. Que me perdoem os turfistas mais antigos fazer tal comparação, porém não posso negar ter tido esta lembrança. E ter sentido a mesma sensação, do início dos anos 80, quando o craque pulverizava os rivais na reta final.
No Regrets é craque. E os craques merecem atenção especial. O marketing do Jockey Club Brasileiro deve começar, desde já, a promover o dia da sua próxima atuação, em que vai conquistar de forma inexorável a tríplice–coroa. No Regrets é uma destas inexplicáveis forças da natureza. Um desses fenômenos que surgem, de vez em quando, para comprovar a existência de Deus. Como explicar os terremotos? Como explicar os tsunamis? Como explicar a fúria das tempestades? Como explicar que um puro–sangue, de poucos mais de 430 quilos, possa acelerar tanto? No Regrets corre na velocidade da luz. Ou seria mais poético dizer na velocidade do som? O fato é que ontem à tarde e, posteriormente, na corrida noturna, nenhuma das pessoas presentes ao hipódromo falava de outra coisa. Na segunda–feira, dia 13 de março de 2.017, No Regrets foi o assunto no prado. Tipo, o dia seguinte da goleada impossível do Barcelona no Paris Sant Germain, por 6 a 1. Nada é impossível para os imortais.
O turfe precisa agir de maneira semelhante aos demais esportes. Quando surge no atletismo um corredor feito Usain Bolt, o atletismo pega carona na sua genialidade. Quando o basquete apresentou ao mundo um ser extraordinário como Michael Jordan, idem. Até mesmo num esporte de elite, como o golfe, um dia apareceu Tiger Woods, e ele foi endeusado pela mídia. Até a sua vida particular foi devassada. A Fórmula 1 teve Ayrton Senna e Schumacher. E no futebol, o esporte mais popular do planeta, ninguém perde tempo quando craques como Pelé, Garrincha, Maradona, e Messi, produzem coisas absurdas nos gramados. No final da década de 80, o turfe brasileiro produziu Itajara. Ele foi o maior garoto propaganda do esporte em todos os tempos. Arrastava multidões ao prado carioca. Pessoas totalmente leigas no assunto, turfe, queriam ver de perto aquele cavalo que aparecia nas noites de domingo, no Fantástico, cruzando o disco na frente e deixando os rivais no meio da reta. Portanto, façam todas as honras a rainha No Regrets no dia da conquista da tríplice–coroa.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
King David foi um azarão de rateio estratosférico. Mas o seu galope de apresentação e a sua forma atlética estavam simplesmente exuberantes. Venâncio Nahid é daqueles treinadores que nascem com o dom. Difícil de explicar. O popular Neném possui aquele feeling especial. Aquela sensibilidade à flor da pele. Por isso, no Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, Grupo I, a sua estrela brilhou com a mesma intensidade do Grande Prêmio Diana, com a rainha No Regrets. King David galopou nos 2.000 metros com a mesma desenvoltura que produz treinos espetaculares no Vale do Itajara, em Secretário. E foi o suficiente para se consagrar. Parabéns ao jóquei, Edson Ferreira Filho, que recebe bem menos oportunidades do que merece. O filho do freio Edson Ferreira faz ótima temporada.
JOQUEADA DA SEMANA
A confiança deixa o jóquei em estado de graça. Há uns 20 dias escrevi neste espaço da aproximação perigosa de Wesley Silva Cardoso sobre os líderes Valdinei Gil e Leandro Henrique. No momento, ele já superou Leandro e está apenas três vitórias atrás de Gil. É claro que será difícil derrotar os favoritos. Mas, ele também será um osso duro de roer para os rivais. No dorso de Numba Juan, na Prova Especial Quiproquó, Wesley fez de tudo um pouco. Percurso perfeito, ousadia na passagem por dentro, e expressivo rigor na hora de concluir uma direção que foi autêntica obra prima. Forma dupla poderosa com Venâncio Nahid. Aquele casamento sempre perfeito entre a experiência e a juventude.
