NOVA GERAÇÃO COMEÇA A MOSTRAR A CARA
Para todos aqueles que amam o turfe de paixão, a estreia dos potros e das potrancas da nova geração causa enorme frisson. O primeiro passo, logo de manhã, é o estudo da filiação. A gente viaja no tempo e começa a relembrar as corridas dos pais e das mães dos produtos inscritos. Este mergulho, no túnel do tempo, nos transporta para outros períodos de nossas vidas. E aí você lembra daquele dia específico. Daquele cavalo fantástico. Lembra ainda, do cara que assistiu aquele páreo do seu lado. Do amigo de infância que hoje já se foi. Mas, que naquele momento estava vivo, feliz e correndo para o guichê para receber as pules da emoção. O pagamento ilusório por aquele momento efêmero. Aquele suspiro alegre e marcante de tantos outros suspiros da nossa caminhada.
À tarde, nas corridas, depois dos estudos matinais dos papéis genealógicos dos potros, que incluem também os irmãos maternos e paternos, você se defronta com a dura realidade. Algumas vezes, o potro não é nem a sombra dos seus ancestrais. Porém, em alguns saborosos casos, eles não negam fogo. E aí vem aquela sensação maravilhosa do estudioso. A sua alma se sente lavada. Você fica duplamente satisfeito. Em primeiro lugar, por que o seu tempo não foi perdido. E, além disso, por que o rateio foi compensador. E, os preguiçosos, que só gostam de colar os palpites dos outros, ficaram a ver navios na sua cotidiana indolência. É claro que isto acontece nos estudos dos páreos comuns também. Mas, quando se trata dos potrinhos a adrenalina é infinitamente maior.
A adrenalina é tão grande, que o criador e proprietário, Luiz Antônio Ribeiro Pinto, foi ao microfone da televisão falar da sua esperança no triunfo da belíssima potranca Silence Is Gold. Falou com aquela empolgação, carinho e esperança que vem do fundo do coração. Em nenhum momento se preocupou que o rateio da filha de Agnes Gold iria baixar depois da sua entrevista. E ela largou, tomou a frente e galopou livre, leve e solta para o disco. Imaginem só, a alegria de “Sir” Tony em compartilhar a sua barbada com centenas de turfistas. Estes momentos não têm preço na vida da gente. A vitória será lembrada para sempre.
E no clássico dos potros veio o Dragão. Filho de Pioneering em Tieta di Miúcha, por Mensageiro Alado. O castanho de propriedade de Silvio Batista Piotto, criado por Aramys Bertholdi, sai do boxe com a volúpia do seu avô materno. Impossível não viajar no tempo e lembrar do fantástico Mensageiro Alado. Recordista dos 1.200 metros, na areia, com incríveis 1m09s cravados. Treinado pelo mestre Alcides Morales, falecido recentemente. Ganhador do GP Major Suckow em tarde de gala, num mano a mano com a maior velocista argentina da época. E no seu dorso, Juvenal Machado da Silva. Um fenômeno montado em outro fenômeno. E de repente o nome J.M. Silva, atração máxima do programa oficial, nas minhas mãos durante tantos anos, desapareceu como por encanto. Que prazer era sair de casa para ver o extraordinário alagoano em ação.
Nova geração é sinônimo de esperança. Nova geração é sinônimo de paixão. A Nova geração faz o impossível acontecer através do sangue. E o sangue é tudo na raça PSI. Tudo é possível. Tudo pode ser resgatado. Os sonhos podem ser revividos através da corrente sanguínea de gerações e mais gerações. Os que se foram podem voltar. O tempo não existe na herança da qualidade. Enquanto existirem criadores de qualidade e homens de bem, as novas gerações vão manter o turfe vivo. O turfe paulista não vai acabar. Claro que não! Existe muita gente apaixonada para reparar os erros. Não. O Rio de Janeiro não vai sucumbir por que não tem mais Juvenal, Ricardinho, Goncinha e o lendário Luiz Rigoni. Outros virão para assumir os seus lugares. E por todos os hipódromos do país, Cristal, Tarumã, Madalena, Tablada e tantos outros, batem corações fortes. Todos embalados por veias onde circulam o sangue das novas gerações. Novas gerações de puros–sangues. E novas gerações de turfistas.
JOQUEDA DA SEMANA
Como é bom ver Vagner Borges voando outra vez. Semana de gala com direções sensacionais. Destaco a tranquilidade no dorso de Cosmopolitan, do Stud São José dos Bastiões, e preparo de Dulcino Guignoni. Mas a lucidez demonstrada na direção a potranca Tantini, do Haras São José da Serra, também foi digna de nota. De novo focado, Borges pode perfeitamente brigar por um lugar que já foi seu em três oportunidades. O topo do ranking.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
Empate. Emepelafer, do Haras Sweet Carol, e Rich Boy, do Stud Dona Lúcia. A potranca treinada por Adélcio Menegolo fez galope espetacular e na corrida não deu chance as adversárias. Corre com desenvoltura a filha de Crimson Tide, criada por Ulisses Lignon Carneiro. Emepelafer parece ter muito futuro nas pistas. Rich Boy é um castanho muito bonito. Mas, no último domingo, Givanildo Duarte caprichou demais no filho de Shirocco. Parabéns ao treinador, que aos poucos recupera o terreno perdido depois do afastamento do Stud Estrela Energia.
