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Outubro | 2006

Recorde mundial, deste ano não passa
03/10/2006 - 21h55min

montagem DH2

Baze e Ricardo, definição páreo a páreo

O assunto virou rotina, mas não há como fugir dele. Afinal, um dos protagonistas é o brasileiro Jorge Ricardo, exemplo de profissional, com quase 30 anos de carreira e que já conquistou quase todos os títulos e provas mais importantes no turfe sul–americano.

Em busca do recorde mundial de vitórias, há duas semanas foi desbancado da posição de maior ganhador, em atividade, das pistas internacionais, status que ocupava há um bom tempo. Quem o superou foi o canadense Russell Baze, três anos mais velho e detentor de carreira inquestionável, embora praticamente toda cumprida em hipódromos de menor importância, no norte da Califórnia.

Em março deste ano, o canadense começou a se aproximar de Ricardo. Então, a diferença em favor do brasileiro estava em torno de 30 pontos e a distância até o recorde de Laffit Pincay Jr. era de 220 vitórias. Hoje, Baze tem oito vitórias à frente de Ricardo e está a exatas 61 para igualar a marca mundial. Na penúltima semana, Baze ganhou 13 páreos, mas na seguinte Ricardo deu o troco, devolvendo as 13. Da forma como os dois fantásticos pilotos estão se empenhando, é mais do que provável que o recorde caia ainda em 2006.

Vamos detalhar aspectos da disputa. Para muitos turfistas, bem mais empolgante do que as eleições brasileiras.
 
O Baze que precisamos secar, tem o reconhecimento do turfe americano

Russell Baze nasceu no dia 7 de agosto de 1958, em British Columbia, no Canadá, e fez toda a sua carreira no norte da Califórnia, onde reina há mais de três décadas nos principais hipódromos da região. Ganhou 33 meetings consecutivos em Bay Meadows e 27 em Golden Gate Fields. Foi campeão das estatísticas americanas, por número de vitórias, em sete oportunidades: 1992, com 433; 1993 (410); 1994 (415); 1995 (448); 1996 (415); 2000 (412) e, finalmente, em 2002, com 431 vitórias.

Em 1995, Baze foi agraciado com o Eclipse Award

Em 1995, Russell Baze recebeu o maior prêmio do turfe americano, o Eclipse Award, e em 2002, ganhou o George Woolf Memorial Jockey Award, outra premiação importante nos Estados Unidos. Por nove anos consecutivos (1995 a 2003), recebeu o Murphy Award, dado ao jóquei com o maior percentual de vitórias, desde que tenham montado mais de 500 vezes. A verdade é que, mesmo sem atuar nos principais centros turfísticos, como Kentucky, Nova York, sul da Califórnia e outros de peso, Baze é reverenciado por suas conquistas.

Meta é o recorde mundial

Em algumas entrevistas a periódicos americanos, Baze deixou claro que a sua grande meta é o recorde mundial. Para ele, superar o panamenho Laffit Pincay Jr., uma lenda no turfe americano, é o que ainda lhe falta. Casado com Tami e pai de três filhas – Trinity, Brandi e Cassie – e um filho, Gable, Baze não pensa em parar e se considera em boa forma, aos 48 anos.
 
Família ligada ao turfe, em várias gerações

Russell é filho de Joe Baze, que, assim como ele, fez carreira no norte da Califórnia, vencendo meetings em Bay Meadows, Golden Gate e Longacres. Tem dois primos, mais novos, que também são jóqueis e buscaram outros caminhos, principalmente no sul da Califórnia. Michael T.Baze e Tyler Baze (o mais novo) estão montando, atualmente, em Santa Anita.

Ricardinho, ídolo maior dos brasileiros, agora na Argentina, é um adversário forte e continua na briga

Jorge Antônio Ricardo nasceu em 30 de setembro de 1961. Estreou menino, na Gávea, aos 15 anos, no dia 16 de novembro de 1976, vencendo com Taim, preparado pelo pai, Antônio Ricardo, um dos maiores freios da história do turfe brasileiro. Ricardinho foi conquistando espaço e, por seu profissionalismo e dedicação, alcançou o topo do sucesso no continente sul–americano. Ganhou a estatística na Gávea por 24 anos consecutivos. Levantou as principais provas no país e em todo continente. É recordista sul–americano de vitórias numa só temporada, com 477 êxitos. Deixou o Brasil definitivamente em junho e já ocupa lugar de destaque na Argentina.

O início do “namoro” com o turfe vizinho começou ano passado

Pelos fantásticos resultados, Ricardo se tornou alvo de grandes coudelarias do continente, principalmente da Argentina. No fim do ano passado, diante de uma série de fatores, assinou contrato com o Stud Rubio B. para montar em Buenos Aires, durante seis meses, apenas no meio das semanas. Em junho, jóquei e proprietário fariam nova avaliação. Era uma forma, também, de acelerar o ritmo da busca pelo recorde mundial.

O que poderia ser apenas um reforço para as vitórias, acabou se tornando numa transferência definitiva

De repente, a bomba caiu sobre turfistas, proprietários e profissionais brasileiros. Eles tomaram conhecimento de que seu maior ídolo iria se transferir definitivamente para o turfe argentino, assim que terminasse a “quarentena” de seis meses imposta pelo sindicato e aceita pelos dirigentes locais. A excelente proposta e o declínio flagrante das corridas no Brasil (nenhum stud se interessou em cobrir a oferta) foram os responsáveis pela decisão do excepcional piloto, um firme exemplo de honestidade, profissionalismo e dedicação, sempre ávido para cruzar em primeiro.
 
Um começo difícil, mas proveitoso

Segundo o próprio Ricardo, ele precisava conhecer melhor os animais e, para isso, seria necessário trabalhar e montar o máximo possível, buscando o seu objetivo. Profundo conhecedor do meio, sabia que, mesmo para um profissional consagrado como ele, é preciso conquistar a confiança dos treinadores e proprietários. Enfim, chegava ao habitat de outros grandes jóqueis, com suas carreiras vitoriosas e lugares conquistados. Ainda assim, desde janeiro, já obteve 115 vitórias nos hipódromos argentinos. Montando muito mais em Palermo e San Isidro, Ricardinho agora começa, também, a participar com freqüência das carreiras de La Plata. Daqui em diante, cada ponto é precioso.

O troco das 13 e a diferença menor

No dia 20 de setembro, pouco depois de superar pela primeira vez Ricardo na luta pelo recorde mundial, Baze abriu três vitórias de vantagem sobre o brasileiro. Naquela semana a superioridade do canadense foi brutal. Ganhou 13 páreos em Golden Gate Fields, enquanto nosso campeão passou na frente em apenas três oportunidades. A diferença aumentou para 13. Mas, nesta última semana veio o troco, pois Ricardinho conseguiu as mesmas 13 vitórias contra oito do canadense. A diferença, hoje, é de oito pontos em favor de Baze: 9.469 a 9.461.

Aproveitar a vantagem, esta semana, pode embolar

Ricardo monta direto a partir de hoje nos prados argentinos, enquanto Baze só voltará a atuar na sexta–feira. Vitórias nestes próximos dias podem emparelhar a briga dos campeões. E o recorde mundial, que parecia tão distante no início do ano, está cada vez mais perto. Baze precisa de 61 pontos; Ricardo, de 69. Do jeito que vão as coisas, o novo recordista será conhecido ainda em 2006.

por Marco Aurélio Ribeiro



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