Durante muito tempo ele trabalharam juntos e também comemoraram juntos vitórias inesquecíveis. Jorge Ricardo e Venâncio Nahid nasceram no mesmo dia: 30 de setembro. Na Argentina, Jorge Ricardo se diz de bem com a vida. Adaptou–se ao estilo de vida de Buenos Aires e sua mulher Renata, também. As filhas, Giovana e Luana, que nasceram lá, nem se fala. O turfe argentino segue forte, como sempre, e ele, aos 55 anos, se diz tranquilo para realizar finalmente o sonho de ser o jóquei com maior número de vitórias em todos os tempos. No Brasil, Venâncio Nahid vive o melhor momento de sua carreira. Já venceu 32 carreiras no atual ano hípico, 16 no seu próprio nome e outro tanto representado por seu segundo–gerente, M. Paulo.
Ricardinho sempre se mantem informado do turfe brasileiro. Reconhece que a temporada de 2.016 tem sido dura para ele na Argentina, mas não se incomoda com a sétima posição no ranking e nem pensa em voltar ao Brasil. As dificuldades do turfe paulista o assustam e as baixas dotações do hipódromo carioca também. Por isso, prefere ficar onde está, e chegar ao topo do mundo aos poucos, sem pressa, agora que o líder mundial, Russel Baze, se aposentou. “Agora não preciso correr. É só questão de tempo. A vida passa rápido demais. A gente perde alguns amigos. Ontem mesmo ouvi no celular um páreo gravado de uma corrida narrada pelo Marco Aurélio Ribeiro. A gente sente saudade daqueles tempos maravilhosos. Tenho muitos amigos por aí”, emociona–se, com a voz embargada por um sotaque castelhano.
Venâncio está sempre focado no trabalho. A rotina dos treinos na pista do Vale do Itajara, e a atenção redobrada com os seus pensionistas nas cocheiras não lhe permitem ter muito tempo para o lazer. Completa 56 anos hoje, com muita saúde e disposição para fazer o que mais gosta: treinar puros–sangues de corrida. A sua expectativa é sempre otimista e ele acredita em melhores dias para o turfe brasileiro. “As coisas vão melhorar e em breve o turfe vai voltar aos seus melhores dias. Depende de todos, com sua contribuição individual, a evolução de toda a atividade”, afirma.
por Paulo Gama