Jorge Antônio Ricardo conversou ontem à noite, por telefone, com o Raia Leve, e divulgou os seus números oficiais, que ele próprio atualiza diariamente. Segundo colocado do ranking mundial, em todos os tempos, Ricardinho soma 12.659 vitórias, e precisa de 183 vitórias para alcançar o líder, Russel Baze, que aposentou–se esta semana, com 12.842. Otimista, ele admite que ainda há um bom caminho a percorrer, mas acredita na possibilidade de chegar pela terceira vez ao topo do mundo, em 2.017.
“O Baze foi um grande rival. E confesso que já estava um pouco cansado com a tensão desta disputa. Por duas vezes consegui ultrapassa–lo, mas por circunstâncias de saúde e de um acidente na raia, ele recuperou a liderança. Agora preciso estar bem focado no trabalho para não perder muito tempo. Afinal, agora só depende de mim. Particularmente não sei os motivos por ele ter se decidido a parar. Mas acredito que a última queda, em que fraturou a clavícula, possa ter influenciado na sua decisão. Ele deve ter sido pressionado pela família. Tem uma hora que fica difícil continuar nesta longa caminhada”, filosofou.
Jorge Ricardo admite que depois de um certo tempo aumentam os obstáculos na carreira. Segundo o campeão, fica bem difícil enfrentar os jóqueis mais novos, em plena forma física, e com sonhos e ambições para realizar. Considera a rotina da profissão bem desgastante, com restrições na alimentação, necessidade de acordar sempre muito cedo e a tensão de conviver diariamente com o perigo nos treinos e nas competições. “A velocidade é extrema e os impactos das quedas também. A gente flerta com a morte a cada largada. Tive experiências maravilhosas, vitórias inesquecíveis e incontáveis alegrias na profissão. Mas, ao mesmo tempo, fui vítima de acidentes graves, contusões dolorosas e muitas incertezas com relação ao futuro depois de me espatifar no chão”, relembra emocionado.
Ricardinho ainda lamenta a derrota nos metros finais do Grande Prêmio Brasil deste ano com Energia Guest. Embora tenha sido vencedor do páreo por duas vezes, com Falcon Jet, em 1992, e Much Better, em 1994, ele acha que não tem muita sorte numa prova em que já amargou seis segundos lugares. O piloto reconhece as enormes dificuldades de montar atualmente num turfe tão competitivo como o argentino. Mas prefere não fazer planos de voltar ao Brasil agora. Se diz bastante motivado em realizar seu sonho de ser o jóquei número um da história. E, por enquanto será no turfe argentino. Mas, ele não descarta a possibilidade mudar de ideia de uma hora para outra.
“Fico muito feliz sempre que monto na Gávea. É a minha casa. Um dia vou me despedir das pistas por lá. Por enquanto o meu objetivo é somar logo os pontos que me separam do topo do ranking mundial. O dia a dia por aqui é duro e com alta competitividade. Mas, por um lado isto é bom, Me mantem alerta o tempo todo. Agora falta pouco para chegar lá”, encerra esperançoso.
por Paulo Gama