Na programação de hoje à tarde, no Hipódromo de San Isidro, em Buenos Aires, Jorge Antônio Ricardo, reinicia a trajetória incansável, para se tornar o jóquei com maior número de vitórias, em todos os tempos. Desta vez, em definitivo, depois da anunciada aposentadoria do atual líder mundial, o canadense Russel Baze, que encerrou sua caminhada com fantásticas 12.842 vitórias. O magnífico duelo entre estes dois talentosos e obstinados jóqueis ainda não chegou ao fim. Baze saiu de cena, mas deixou para Jorge Ricardo a responsabilidade de obter mais de 150 vitórias e, aí sim, realizar o sonho de ser o número um de toda a história do turfe. Mas, para nós turfistas brasileiros, que convivemos com Jorge Ricardo nos últimos 40 anos, desde a estreia vitoriosa com Taim, em 1976, sabemos que se trata de mera formalidade.
Nestes 40 anos de carreira, Jorge Antônio Ricardo, brasileiro, carioca do Leblon, e torcedor do Botafogo, escreveu algumas das mais belas páginas do turfe sul– americano. E construiu um currículo invejável de vitórias, entre elas, dois Grandes Prêmio Brasil, e seis segundos lugares na prova, dois Grandes Prêmios São Paulo, cinco Latino–americanos, três Grandes Prêmios Carlos Pellegrini e mais uma infinidade de taças e mais taças. Atleta dedicado, focado no trabalho e possuidor de inteligência raríssima, aos 54 anos, o maior ídolo do turfe na América do Sul está próximo de realizar o sonho acalentado desde criança com paciência e obstinação.
Nem mesmo alguns tolos, que vez por outra contestam os seus números inacreditáveis e o seu talento, podem negar que ninguém merece tanto ser o maior ganhador de corridas da história da humanidade. Ricardinho conseguiu duas vezes chegar lá. Mas duas armadilhas do destino ocorreram para testar a sua tenacidade. Da primeira vez um linfoma, um câncer no sangue que ele derrotou nas sessões de quimioterapia. E depois, o acidente grave na raia argentina, em que teve de superar 11 pequenas fraturas do cotovelo do braço direito. Mas, como um verdadeiro El Cid, herói espanhol das cruzadas que venceu a última batalha depois de morto, Ricardinho é um glorioso guerreiro brasileiro. Sem armadura, escudo e espada. Porém, com capacete, selim e chicote, responsáveis por feitos notáveis, que encheram de orgulho a todos os seus compatriotas.
Hoje à tarde, na tradicional reunião das quartas–feiras, em San Isidro, Ricardo estará na raia para competir contra os principais jóqueis da América do Sul, todos mais jovens do que ele. O melhor jóquei uruguaio de todos os tempos, Pablo Falero, o melhor jóquei paraguaio da atualidade, Eduardo Ortega, dois dos melhores pilotos brasileiros, Altair Domingos e Francisco Leandro, e mais de uma centena de jóqueis argentinos, entre eles, Juan Villagra, Gustavo Villalba e Juan Noriega. Ricardo assinou mais compromissos de montaria do que de hábito, oito no total. E se o turfista quiser torcer por ele no site do Hipódromo de San Isidro eis a relação completa de suas montarias: Barbera D’Asti, (4º), Capricórnio Zen (5º), Janygo Aprout(7º), Chivilco (9º), Época Dourada(10º), Piru Man(12º), Fruto Rojo(13º), e Lili Marleen(14º). É o início da épica contagem regressiva em busca da eterna glória de ser o melhor da história.
por Paulo Gama