Bom dia a todos os turfistas. Estamos de volta com a nossa coluna, agora aqui no Raia Leve. Agradeço a toda a equipe do site, e principalmente ao Jorge Olympio, presidente da Associação de Proprietários de Cavalos de Corrida do Rio de Janeiro, viabilizar esta oportunidade. Uma referência toda especial ao Stud Winchester 45, do amigo Ricardo, um turfista para lá de generoso, apaixonado pelos cavalos e pelas corridas, que nos possibilitou voltar a ocupar este honroso espaço para falar da nossa paixão comum pelo esporte.
Na semana do Grande Prêmio Brasil, o treinador Venâncio Nahid, o popular Neném, foi a estrela maior, que reluziu e brilhou num altíssimo patamar. Com aquele talento que lhe é peculiar e a sensibilidade, a flor da pele, para lidar com os puros– sangues, Venâncio foi o grande herói desta edição da maior prova do turfe nacional. A vitória de My Cherie Amour, a quinta dele na história do Grande Prêmio Brasil, foi fruto da sua confiança, coragem e arrojo para inscrever o cavalo. O filho de Ay Caramba sofreu problemas de boxe, há um mês da prova, e devido a este incidente não pode correr a prova preparatória. Venâncio não desistiu do seu pensionista. My Cherie Amour recuperou–se e floreou a distância. Havia dúvida sobre a possibilidade de correr contra a primeira turma do país sem ter atuado no percurso. O máximo que ele havia corrido até então era um páreo de 1.500 metros, na turma.
Mas Venâncio não desistiu da ideia de inscrever My Cherie Amour. Para quem não teve o privilégio de conhecer o seu pai, Alberto Nahid, poderia até estranhar a sua atitude. Por que se arriscar numa inscrição tão ousada se tinha outros representantes com chance na prova? Posso responder sem pestanejar. No meu início de carreira jornalística, nos primeiros passos nos matinais da Gávea, poucas pessoas me incentivaram tanto e foram tão generosas comigo como o saudoso Alberto Nahid. “Seu Nahid” era um homem austero, leal, de temperamento forte, mas sempre pronto a apoiar e ajudar as pessoas.
Naquela ocasião, eu ainda me sentia inseguro como qualquer iniciante. Alberto Nahid, dono de incrível sensibilidade, percebeu isso e procurou me deixar à vontade. Bondoso, ele tratou de me apresentar a outros profissionais, deu entrevistas para o Jornal do Brasil para me ajudar e me ensinou detalhes importantes sobre os cavalos, os treinos de raia, a trato afável com eles na cocheira e outras observações importantes sobre o ambiente do turfe. Sábio na arte de treinar e sincero nas opiniões, tipo doa a quem doer, o velho Nahid não ensinou aos seus filhos, Roberto e Venâncio apenas a arte de treinar. Mas, acima de tudo, a ter postura, caráter e coragem para encarar a vida. Muito do sucesso justo e inquestionável de Venâncio Nahid na profissão tem origem nos ensinamentos profissionais e de vida do saudoso “Seu Nahid”. Treinador de mão cheia e chefe de família exemplar.
Foi uma semana avassaladora de Venâncio. Das seis vitórias conquistadas, apenas uma de turma, com a potranca Nostalgie. As demais, todas na esfera clássica. Mud Pie perdeu o GP Roberto e Nelson Grimaldi Seabra na fotografia para Greenzapper. Lady Charlotte foi a ganhadora da Prova Especial Tirolesa. No domingo, venceu o GP Brasil com My Cherie Amour e a Prova Especial Quick Chance, com Capitólio. E na segunda–feira levantou os dois clássicos realizados na pista de areia. A potranca Ixquenta derrotou os machos no Clássico Imprensa, com rara facilidade, e com Lush Life levou a melhor no Clássico Delegações Turfísticas. Tudo isso é fruto de uma equipe redonda e muito entrosada, com um líder, Venâncio Nahid, talentoso, íntegro e incansável no trabalho. Por isso quando ligo para ele, as 6h da manhã, na raia, ou às 18h da tarde no escritório do Vale do Itajara, nunca digo alô. Apenas falo: “Como está o incansável V.Nahid”. Do outro lado da linha, ele sorri e responde “Pra gente ganhar é preciso trabalhar Paulo Gama”.
A JOQUEADA DA SEMANA
Foram muitas direções maravilhosas na semana do Grande Prêmio Brasil. Mas, Altair Domingos esteve sensacional, com Reality Bites, no GP A.C.P.C.C., em 3.000 metros. Frio, lúcido e calculista, no dorso do pensionista de W.G.Tosta, Domingos fez parecer ao público presente ao prado carioca que montar cavalos de corrida é a coisa mais fácil do mundo. Para ele, com certeza, é fácil demais.
PURO–SANGUE MELHOR APRESENTADO
O tordilho Wenzel Blade deve ser unanimidade nesta semana do GP Brasil no que se refere a estado atlético, beleza e aceleração. Além de ser lindo de morrer, o filho de Blade Prospector é uma máquina de correr. Num dos campos mais seletos dos últimos anos no GP Major Suckow, ele se deu ao luxo de empinar na largada, dar nítida vantagem no percurso e com ainda produzir um arremate que pareceu vir de outro planeta. Alcançou o mais belo triunfo da semana e, com certeza, hoje trata–se do puro– sangue mais bonito do turfe brasileiro. Parabéns ao treinador J.César pelo capricho e ao jóquei V.Rocha pela tranquilidade.
ESTA COLUNA É PATROCINADA PELO STUD WINCHESTER 45.