"Não há mal que sempre dure". O dito popular
exibe sua plena sabedoria, hoje, quando, com a realização de um programa de 10 páreos, o Jockey Club Brasileiro
abre o seu conjunto semanal de reuniões, que será encerrado na noturna da próxima segunda–feira.
Há
consenso entre aficionados, proprietários de cavalos, criadores, muitos dos mais importantes do país,
profissionais e funcionários do clube: os oitos anos das gestões do presidente Luiz Alfredo Taunay, que com a
graça do bom Deus terminam com essas quatro corridas, formam, exceção feita à paralisação imposta pelo presidente
Jânio Quadros, em 1961, o momento mais negro da História do turfe no Rio de Janeiro.
O que faltou de
diálogo com o turfe, atenção a ele, afinal, a atividade–fim e razão da própria existência do Jockey Club, sobrou
em desastre e situações estapafúrdias. Com as raias da Gávea em petição de miséria; o belíssimo hipódromo
maltratado ao extremo; a relação trato/prêmio beirando o ridículo; as arquibancadas vazias; a absoluta ausência de
marketing voltado à renovação de público; Campos fechado, Taunay se prepara para desocupar a presidência
estimulando a desunião entre os sócios turfistas e não–turfistas, instigando esses a "combater" aqueles,
simplesmente rasgando as páginas da História que revelam toda a trajetória da construção do patrimônio do JCB a
partir de recursos provenientes das corridas. E, ao apagar das luzes, pipocam dívidas fiscais de elevado vulto,
cujos números jamais foram apresentados às claras ao Quadro Social, como, por exemplo, os R$ 53 milhões que a
Procuradoria Nacional da Fazenda quer receber – se necessário, recorrendo à penhora de parte dos MGAs.
No âmbito da Comissão de Corridas ficam os disparates: desclassificações com prejuízos inquestionáveis
aos apostadores, total falta de critério nos julgamentos e, até mesmo, para a liberação do uso da pista de grama;
descontrole absoluto no Setor Antidoping – houve de trocas de latas com material (xixi) até lacres de frascos
violados, culminando com a comprovação, através de investigação de DNA, que exames atribuídos a determinado
animal, na verdade, foram realizados com material coletado de outro corredor... e por aí vai.
Mas, tá
chegando a hora. No momento em que o ganhador do último páreo da próxima segunda–feira cruzar o disco, o ciclo das
corridas sob a égide de Taunay chegará ao fim.
Afinal, na quarta–feira 28, haverá eleição no JCB. Será o
momento dos sócios, através da vitória da chapa UNIÃO JCB, liderada por Cláudio Ramos, manifestarem seu repúdio ao
"canto da sereia" imposto a eles desde junho de 2000.
A programação de hoje, na Gávea, começa às 17
horas. Antes, às 16h30, será disputado o primeiro dos 11 páreos que compõem o simulcasting como o Hipódromo do
Tarumã.
A seguir, comentários e indicações para as corridas do Rio. Boa
sorte!
1° Páreo: Ainda que repicado,
May Willion, vindo de encarar Sussex e Qui Soldato, deve abrir a reunião O tropel enfraqueceu bastante. Caso a
carreira em seqüência impeça que produza à altura do esperado, Culminante Double e Fiel Escudeiro resolvem a
questão.
2° Páreo: As adversárias não intimidam Quenian Lover, que desta, vez "pegou",
digamos, um claiming reforçado. Sujeita a hemorragia, eventualmente, porém, sempre apresentada sem lasix, basta
não "botar" sangue para cruzar na frente. Araucária, montaria de Marcos Mazini, é a adversária mais perigosa.
Atropelando, Andrea Lius pode melhorar o rateio da trifeta.
3° Páreo: Bruja de Bagé,
após êxito facílimo, atuou com destaque no 4/1 e, aliviada pela descarga do aprendiz, irá tentar resistir Re
Reality Lady, pra lá de atrasada. Para dura entre ambas. Caso saiam "quebrando" – ainda há a presença de Baby Race
para fortalecer o ritmo, Cristiana Starina, tinindo e muito confirmadora, tem condições de emplacar sua sexta
vitória na areia carioca.
4° Páreo: Duas potrancas trazem colocações "simplesmente" no
Zélia Gonzaga Peixoto de Castro (Grupo I), Sensibilidade, ganhadora de um claiming de R$ 3 mil, arrematou em
segundo, perdendo no photochart para Princess Zuca. For You Only, que já havia agradado em cheio com seu quarto no
Diana, fez quinto na última etapa da Coroa. Inscritas na turma, têm amplo destaque. Trifeta entre Beleza Gaúcha e
Maria Lilia.
5° Páreo: Rendeu menos do que o esperado a potranca New Girl, do Stud
Palura, na estréia. Com eventual de 4 por 1, obteve apenas a quinta e penúltima posição, a 15 corpos da ganhadora.
Positivamente, não produziu de acordo com os treinos. A encrenca é a estreante Rainha Celina, uma Our Emblem do
Stud TNT, comentadíssima. Para complicar o apostador, Joue (Haras LLC/Reisinho) e Doroty Hills (Coudelaria
Jéssica/Guinoni), filhas, respectivamente, de Inexplicable e Crimson Tide, merecem muito
respeito.
6° Páreo: Potro grandalhão e meio atrasado, Rei Ditador, do Stud Estrela
Energia e aos cuidados de Cosminho Neto, após pausa de sete meses da competições, reencontra a companhia
desfalcada. Aparentemente, s falta de aguerrimento é o principal obstáculo. Se vier algo "falhudão", E Daí, Paper
Money, e Atômico Boy passam ao primeiro plano. Olho, ainda, no jogo dos estreantes.
7°
Páreo: A maioria dos concorrentes enfrenta o súbito aumento do percurso. Ainda perdedor, deslocando
apenas 53 quilos, Quaint Normand, ambientado a distâncias longas, parece ótima pedido. Com certeza, estará na
briga pelas primeiras posições. Loteria entre os demais: Mind You Business e Over My Body, pelo menos esses, têm
que entrar nas combinações do Betting 5.
8° Páreo: Cavalo levado meio que no colo,
Venâncio Nahid de uma excelente oportunidade para Tiago Josué Pereira: Bawader. Caso consiga percurso sem
atropelos, o filho de Pavillon vai para a foto! Mestre Luz, bem balizado, subiu de turma com possibilidades. Olho
no galope de Brioni, merecedor de cuidados especiais do excelente veterinário Flavio Geo. Malgrado a colocação no
alinhamento, Johnny Jazz e Impositivo são pules tentadoras.
9° Páreo: Estava atrasada a
Raiz da Terra e, agradecendo a ida para a serra, ganhou disparada. Assim, não será surpresa alguma que prevaleça
novamente. Numa prova onde as competidoras não são lá umas brastemps, Pimenta Doce, Nova Tirana e Nana Vitória
surge como nomes bem apontados para engrossar as acumuladas especiais.
10° Páreo: O
train de carreira deve determinar ganho de causa para Ptindio, mesmo forçando turma. À vontade no partidor,
carregando apenas 52 quilos, o conduzido de Jean Pierre pode alcançar o ligeiro Red Twenty Seven, vindo de pontear
um pesos especiais misturado, entre outros, com Pueblo Bonito e Light of Loose. Captain Pirata não brinca em
serviço e deve ameaçar a dupla favorita.
INDICAÇÕES
1°
Páreo: May Willion (3) – Culminante Double (5) – Fiel Escudeiro (2)
2° Páreo: Quenian
Lover (2) – Araucária (3) – Andrea Lius (5)
3° Páreo: Re Reality Lady (5) – Bruja de Bagé (1)
– Cristiana Starina (3)
4° Páreo: For You Only (2) – Sensibilidade (4) – Maria Lilia
(6)
5° Páreo: Rainha Celina (4) – New Girl (1) – Doroty Hills (6)
6°
Páreo: Rei Ditador (4) – Paper Money (5) – Atômico Boy (8)
7° Páreo: Quaint Normand
(8) – Mind Your Business (3) – Over My Body (6)
8° Páreo: Bawader (9) – Mestre Luz (1) –
Impositivo (11)
9° Páreo: Raiz da Terra (4) – Nova Tirana (7) – Nana Vitória
(8)
10° Páreo: Ptindio (6) – Red Twenty Seven (1) – Capitan Pirata (7)
por Zig