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Setembro | 2008

Raia Leve entrevista candidatos à ABCPCC
25/09/2008 - 13h15min



As eleições em 2009 para a nova diretoria da importante Associação Brasileira de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida (ABCPCC), já chamam a atenção do mundo do turfe. Por isso, o site Raia Leve resolveu abrir a discussão e ouvir os dois candidatos à presidência oficialmente anunciados, os Drs. Flávio Obino e Afonso César Burlamaqui.

Nas entrevistas, os dois discorrem sobre vários temas, desde a motivação de cada um para concorrer ao cargo, seus históricos e planos, até suas idéias sobre coisas concretas como, por exemplo, calendário clássico nacional, grupagem de provas etc...Vamos, então, as opiniões e posições dos dois para o conhecimento de nossos leitores e dos turfistas em geral.

RL – Como vê a sua trajetória dentro da história do turfe brasileiro e porque resolveu pleitear a presidência da ABCPCC?

Dr. Flávio Obino ? Não pleiteio a presidência da ABCPCC em meu nome. Fui escolhido para ser o candidato da situação pela unanimidade dos atuais diretores, que representam criadores de todo o país em âmbito da associação.  Tenho 42 anos e dei os meus primeiros passos na bacia do Hipódromo do Cristal. Cresci no ambiente do turfe, convivendo com criadores, proprietários e profissionais. Sou titular do Haras Capela de Santana, que iniciou suas atividades em 1974, e do Stud Casablanca, que é tetra–campeão das estatísticas de proprietários no Cristal. Sou pequeno criador e proprietário como a esmagadora maioria dos que participam da atividade. Acredito que a escolha do meu nome se deve ao trabalho que venho desenvolvendo nos últimos anos na busca da revitalização da atividade. Participei ao lado de José Bonifácio Coutinho Nogueira, Cirne Lima, Grise, Sérgio Menezes e Taunay de todas as conversações com ?players? internacionais interessados em atuar no Brasil, que culminaram com a aprovação do simulcasting internacional. Demos o primeiro passo para a necessária profissionalização da gestão das apostas e inserimos o Brasil no negócio mundial do turfe. Presidi por quatro anos o Jockey Club do Rio Grande do Sul (relatório dos dois últimos anos pode ser acessado no seguinte endereço:http://www.obinoadvogados.com.br/clipping/rel0406.pdf)
e sou atualmente vice–presidente regional da ABCPCC. Integro desde a sua criação a Câmara de Eqüideocultura do Ministério da Agricultura e hoje coordeno o Grupo de Revitalização do Turfe formado pela ABCPCC e os quatro principais jockeys club. A Indicação para coordenar o Grupo também se explica em razão de meu trânsito em Brasília onde presidi o CODEFAT ? maior fundo público do país com patrimônio de 150 bilhões de reais.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Na verdade não pretendo ser pretensioso, participo, efetivamente, da criação e do turfe brasileiro nos últimos 40 (quarenta) anos, além de ser sócio efetivo de todos os clubes de corridas do Brasil. Sou o titular do Haras Santa Rita da Serra, que iniciou suas atividades em 1970 em Teresópolis (RJ) quando fundamos a ACPCCRJ, e, a partir de 1985 no Paraná,, quando transferimos a parte criatória para Tijucas do Sul. Nunca deixamos de crescer, acreditando sempre no turfe brasileiro. Começamos com 2 (duas) éguas Ballyane e Girice, e hoje temos 62 (sessenta e duas) sendo cobertas em Tijucas do Sul, São Paulo, Bagé e Argentina.

Como dirigente turfista, fui presidente da ANPC, vice–presidente do JCB na gestão Fragoso Pires, conselheiro da ABCPCC, conselheiro da ACPCCRJ, ativo participante da ACP e, internacionalmente já representei o Brasil junto à Federação Internacional de Autoridades Hípicas,  à Organização Sul Americana de Fomento a Criação do Puro Sangue e à Associação Latino–Americana de Jockeys Clubs.

RL – Qual o papel da entidade na sua visão?

Dr. Flávio Obino ? A ABCPCC é a entidade maior do turfe nacional, reunindo criadores e proprietários, e tem como missão fomentar a atividade em todo o país, agindo nas esferas políticas e institucionais na defesa dos interesses de seus representados e da indústria do turfe como um todo. A ABCPCC tem que liderar as reivindicações políticas do setor estando à frente da interlocução com o Estado. Mesmo liderando este processo ao lado dos Jockeys,  não pode perder de vista o seu papel de representante dos criadores e proprietários, muitas vezes em conflito com as entidades promotoras de corridas. A ABCPCC também deve liderar a divulgação no exterior do cavalo brasileiro; deve estar ao lado dos grandes criadores nos seus certames de vendas; e ter a preocupação permanente de fortalecer o mercado interno e criar canais coletivos de comercialização para o médio e pequeno criador. Como órgão de assessoramento técnico deve democratizar entre os criadores informações sobre a criação ? racionamento, pastagens, manejo de reprodutoras, cruzamentos, etc. Não podemos perder de vista a nossa condição de administradores do Stud Book, que deve ser rigoroso na fiscalização e no registro, e ágil nas suas ações.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Na minha visão, a ABCPCC é o órgão máximo do turfe nacional, e, como tal, deveria fiscalizar o procedimento dos clubes promotores de corridas, para que, cumpram, à risca, a lei do turfe. Por outro lado é preciso dinamizar o Stud Book, visando a proteção do criador nacional;

RL – Quais iniciativas devem continuar?

Dr. Flávio Obino ? A ABCPCC atualmente está cumprindo o seu papel institucional de condutora das discussões sobre as políticas do turfe, quando coordena o Grupo de Revitalização. Devemos aperfeiçoar a nossa interlocução com o Governo Federal e com o Congresso Nacional, valorizando a atividade, mostrando os empregos gerados e o volume de negócios do turfe. Outra ação que deve continuar é a de valorização das vice–presidências regionais aperfeiçoando o contato da entidade com criadores e proprietários de todo o Brasil. A Copa dos Criadores deve ser mantida, com revezamento entre o JCB e JCSP, e seu formato permanentemente debatido e aperfeiçoado, sempre tendo em vista o fomento da atividade, inclusive nos hipódromos menores (copa regional no Tarumã e Cristal). O aumento das inscrições de potros de 400 para 1000 nas duas últimas gestões demonstram que estamos no caminho certo. Devem ter continuidade as ações de divulgação do cavalo brasileiro no exterior (produção ?Racings in Brazil é um exemplo), e de auxílio para a realização de leilões coletivos. A associação tem que ser pró–ativa em episódios que afetam a atividade e neste sentido cito como exemplo a nossa liderança dentro da Câmara de Eqüideocultura para construir uma solução no recente episódio do mormo.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Entre outras, o Grupo de Revitalização do Turfe da Câmara de Equideocultura do Ministério da Agricultura que é uma iniciativa excelente, e, se por acaso, vier a presidir a ABCPCC, não teria dúvida em solicitar ao atual coordenador, Dr. Flávio Obino Filho, que continuasse à frente da mesma;

Outra providência urgente, urgentíssima é o arquivamento da Portaria n° 5 do Ministério da Agricultura, a respeito das importações.  Aquele instrumento que foi utilíssimo quando da gestão do Dr. José Bonifácio Coutinho Nogueira, hoje já não atende as necessidades do turfe e dos criadores. Como exemplo, diria que Point Given e Agnes Gold, a prevalecer a ?dura lex? não poderiam ingressar na nossa reprodução e as perdas seriam enormes;

RL – O que pode ser melhorado no Stud Book Brasileiro?

Dr. Flávio Obino ? Muita coisa pode e será melhorada no Stud Book Brasileiro. Não se pode admitir que o criador e o proprietário não tenham a possibilidade de acompanhar permanentemente os processos de registro de seu interesse. Por proposta minha estamos atualmente criando as condições para que o interessado receba informações automáticas pelo correio eletrônico a cada movimentação dos processos. É o mesmo sistema ?push? dos tribunais brasileiros. O setor de registro como um todo será modernizado, a resposta terá que ser dada de forma imediata e buscaremos racionalizar todo o processamento de documentos que ainda é feito de forma arcaica. Estamos atualizados com os mais modernos processos de identificação e paralelamente ao DNA estaremos iniciando a ?chipagem? dos produtos. Os escritórios regionais deverão ser fortalecidos em ações conjuntas com as associações estaduais de criadores. Não poderemos economizar no aparelhamento de nossos fiscais sendo emblemática a recente aquisição de novos automóveis para uso de nossos veterinários.

Dr. Afonso Burlamaqui ? O Stud Book precisa ser ?parceiro? dos criadores, e não polícia. Não é razoável desqualificar um produto nascido no dia 29 de junho! ? Por exemplo. Na minha gestão, a fiscalização ficará proibida de visitar os haras nos últimos 10 (dez) dias de junho, por outro lado, deverá intensificar as visitas nas primeiras semanas do referido mês!

RL – O que podemos esperar da Associação no tocante a um possível calendário nacional, respeitando os calendários das entidades, e também em relação às nossas provas de Grupo?
Como o senhor vê as duas coisas e o papel da Associação em ambas.

Dr. Flávio Obino – Atualmente coordeno o Grupo de Revitalização do Turfe representando a ABCPCC. Na pauta dos trabalhos está a interlocução com o Estado, totalização única, reforma do Código Nacional de Corridas, discussão da tributação das apostas e dos prêmios, e negociação das dívidas das entidades promotoras de corridas. Estamos aprendendo a tratar o turfe nacionalmente, sendo certo que a discussão de um calendário nacional faz parte da pauta do Grupo de Revitalização. A melhor distribuição e compatibilização dos calendários clássicos dos clubes promotores também é assunto de grande importância e que já está pautado. Respeitando tradições de cada estado, os jockeys deveriam se empenhar para que seus calendários clássicos fossem complementares e não concorrentes. Calendários clássicos sincronizados representam maior oportunidade para os cavalos que freqüentam os GPs. Neste cenário, o papel da ABCPCC é decisivo como agente de equilíbrio.

Dr. Afonso Burlamaqui – É evidente que se pretende um turfe nacional, também o calendário deverá seguir a mesma linha.  Com a diminuição da produção, mister se faz agrupar os melhores animais nas melhores provas. Em 1992, quando Vice–Presidente de Turfe do RJ, procurei SP para promovermos um único calendário que, inclusive, seria alternativo nas 4 provas da Quádrupla Coroa e, já naquela época, tinha conseguido um bônus de US$ 500,000. (quinhentos mil dólares) para o animal que ganhasse as 4 provas. São Paulo não aceitou nem discutir o assunto!

Agora com a ABCPCC à frente, o assunto toma outro aspecto e, caso vença, irei implantar o calendário clássico nacional, respeitando, é claro, os regionais;

RL – A grupagem das provas seria da prerrogativa final da Associação através de uma comissão específica que coordenaria os trabalhos com critérios realmente técnicos ou se limitaria a acatar as decisões de cada entidade e as suas mudanças anuais?

Dr. Flávio Obino ? O atual Código Nacional de Corrida estabelece que as provas de grupo serão oficializadas pela ABCPCC. Essa prerrogativa deve ser mantida e a associação deve estar estruturada de forma a aplicar critérios técnicos anuais para revisão e classificação das provas de grupo e ?listed races?. O ?rating? nacional divulgado anualmente pela ABCPCC é uma ferramenta técnica imprescindível e deve ser aperfeiçoada, mantida o formato atual de participação de técnicos que possuem esta expertise.

Dr. Afonso Burlamaqui –  As provas de grupo devem ser distribuídas pela ABCPCC, considerando o MGA e o número de páreos de cada entidade. Este assunto é submetido a OSAF e a Federação Internacional, aos clubes cabe apenas indicar os páreos para os grupos que lhes forem outorgados;

A ABCPCC deveria lutar pelo um aumento de nossas carreiras grupadas e listadas ou ficar longe dessa discussão?

Dr. Flávio Obino ? A ABCPCC tem o direito–dever de liderar esse debate e participar efetivamente das discussões nos organismos internacionais buscando aumentar o número de provas brasileiras de grupo. Tenho plena convicção que a ABCPCC, em trabalho conjunto com o JCB e JCSP, e respaldado pelos resultados alcançados por cavalos brasileiros em provas de grupo internacionais, colocarão fim a discriminação odiosa que sofre o turfe brasileiro. Quando comparamos o número de provas de grupo na Argentina, ou mesmo no secundário hipódromo de La Plata (57), com as brasileiras (60) é de uma clareza de incêndio ? além de iluminar, queima ? a discriminação que o nosso turfe vem sofrendo. A participação efetiva da ABCPCC em todos os conclaves internacionais é uma obrigação, a luta para ter voz e voto uma necessidade. Com relação à questão do voto das associações de criadores na FIAH tive a honra de participar no ano passado de uma reunião de criadores latino americanos em Santiago do Chile, representando a ABCPCC, em que o assunto foi pautado. Temos que nos fortalecer em âmbito da OSAF, o que somente será possível quando o turfe brasileiro tiver atuação em bloco. Neste sentido, o Grupo de Revitalização poderá auxiliar, coordenando nossas (ABCPCC, JCSP, JCB e porque não os clubes do Paraná e Rio Grande) ações na OSAF, sempre em defesa do turfe nacional. Ressalto, ainda, que são as instituições que participam destes organismos e não pessoas. Não existe o criador ou dirigente de entidade promotora de corridas conselheiro da OSAF ou da FIAH. As cadeiras são das instituições.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Como disse, as carreiras listadas e grupadas não são aleatórias.  É preciso haver referência ao MGA e ao número de páreos corridos no exercício anterior para se buscar o necessário equilíbrio. A ABCPCC é quem faz este exercício e não pode se afastar da discussão pois não é caso de lutar por mais ou aceitar a diminuição. Como já disse, a matéria é MATEMÁTICA e resulta da solução de um problema onde os parâmetros já citados (MGA e páreos corridos)  são partes integrantes.

RL – Como você avalia o momento atual da criação brasileira?

Dr. Flávio Obino
? A minha avaliação não é diferente da de outros atores da atividade turfística. Vivemos o melhor momento da criação brasileira e isso deve a ações de nossos criadores, que sem incentivo público e em um período em que a atividade definhou, em decorrência da crise dos Jockeys, ousaram, investiram, buscaram a qualificação e hoje criam com padrão internacional. Os produtos brasileiros são vitoriosos e hoje respeitados em todo o mundo. Em que pese a fotografia desenhada, não podemos nos esquecer do médio e pequeno criador, que sem ter as mesmas condições de investimento, está desaparecendo. Podemos capacitar este tipo de criador, mas a sua sobrevivência depende do fortalecimento das corridas no Brasil, o que mais uma vez coloca a ABCPCC necessariamente desfraldando a sua bandeira de revitalização do turfe no país.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Para responder a este quesito, prefiro me subrogar na opinião da colunista Jéssica Dannemann ? RAIA LEVE de 10/09/2008 ? matéria excelente, enfoque perfeito e confesso jamais seria capaz de produzir artigo tão óbvio, claro e atual.  Aconselho vivamente a leitura;

RL – Existe algum projeto na área de comunicação e divulgação do Turfe Brasileiro no exterior?

Dr. Flávio Obino ? A ABCPCC está co–produzindo o vídeo ?Racings in Brazil? que será distribuído em todo o mundo para divulgação do turfe e dos cavalos brasileiros no exterior. Pretendo alterar o site da ABCPCC que terá uma versão em inglês e um espaço de divulgação do turfe, com ênfase para os resultados dos cavalos ?made in Brazil?. Também estou estudando se teríamos condições de remessa de uma ?newsletter? (em inglês e português) para os principais agentes, promotores de corridas, proprietários e criadores nacionais e internacionais, com periodicidade semanal, enaltecendo a criação e o turfe brasileiro, com registro de nossas conquistas.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Conheço apenas o projeto da Emília Paula Machado, uma iniciativa pessoal, porém de extremo bom gosto e abordagem perfeita para o nosso turfe, que deveria contar com a participação máxima de todos os interessados no segmento;

A ABCPCC tem inspecionado os Haras?  A identificação pelo DNA já está totalmente concluída?

Dr. Flávio Obino
? As fiscalizações de rotina e especiais são realizadas em todo o Brasil, sendo que acabamos de adquirir novos automóveis para facilitar o trabalho de nossos agentes. A migração do sistema de tipagem sangüinea para o DNA foi iniciada em outubro de 2005 com a verificação de parentesco dos produtos da geração 2004 e genotipagem de todos os reprodutores e reprodutoras. Neste período 15.000 produtos foram genotipados. A identificação ainda não está totalmente concluída pois cavalos de geração anterior a 2004 ainda não tem o DNA que é feito a medida que passam a condição de reprodutores.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Sim, a inspeção tem sido normal, porém, como já disse, com espírito muito mais policialesco do que cooperativo. A sensação que fica é que a ABCPCC deve acreditar que a grande maioria dos criadores burlam a lei e a regulamentação do Stud Book e, data vênia, isto não é verdade;

Quanto ao DNA, não sei informar se a identificação já está concluída, porém é medida importantíssima e saneadora, bem como os ?chips? que hoje já se pratica no mundo todo;

RL – A entidade deve continuar a realizar leilões coletivos nos moldes do realizados nos últimos anos? Se positivo, o que fazer para convencer os criadores que ainda não aderiram a esse projeto?

Dr. Flávio Obino ? A ABCPCC deve criar as condições para a realização de leilões coletivos. Os certames realizados nos dois últimos anos em São Paulo apresentaram bons resultados. A parceria com Keeneland para o leilão de seleção também foi positiva. No próximo ano, caso haja interesse dos criadores, também vamos organizar leilão no Rio de Janeiro. Repito que o papel da associação é criar as condições e auxiliar na organização dos leilões. O mercado da cancha reta também deve ser valorizado e os leilões que hoje existem também devem ser apoiados pela ABCPCC. A adesão depende do interesse do criador.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Os leilões coletivos são praticados nos grandes centros criatórios, Deauville, Newmarket, Keeneland e tantos outros,  são sinônimos de sucesso. Confesso que não me ative aos pormenores dos nossos leilões, porém a idéia é excelente.

De forma geral a ABCPCC tem sido considerada como uma entidade Nacional, mas com um controle exagerado dos criadores paulistas. Como a maior parte da criação brasileira está hoje concentrada em outros estados, chegou a hora do comando da Associação ter uma maior representatividade do Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul?

Dr. Flávio Obino ? A entidade é nacional. Acho que fomentar a discussão sobre predomínio político de determinado estado em nada contribui para o fortalecimento da entidade e da atividade. A sede da associação está em São Paulo e em termos funcionais é importante e decisiva a participação de diretores com residência em São Paulo. Acho que a escolha de um gaúcho que mora em Porto Alegre para presidir a ABCPCC é um sinal de que esses privilégios regionais se existiram hoje não mais persistem. O importante para que a associação seja efetivamente nacional é o fortalecimento das vice–presidências regionais. E este é um compromisso que assumo desde já.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Não concordo com a idéia que a ABCPCC tem sido controlada, exageradamente, por criadores de São Paulo. Na verdade, apenas para citar, os dois últimos presidentes são de São Paulo, porém fizeram uma gestão de âmbito nacional, sem qualquer bairrismo. Pessoalmente, não acredito em regionalismos. Somos todos brasileiros;

RL – O turfe brasileiro está vivendo um novo momento?

Dr. Flávio Obino ? Estou bastante otimista com as discussões que estão sendo travadas no Grupo de Revitalização do Turfe. Estamos conseguindo pensar o turfe nacionalmente e agir como um bloco monolítico. Essa união é essencial e a pedra única emblemática. Os atuais atores ? quatro clubes e ABCPCC ? têm plena consciência de que o nosso modelo de turfe, baseado em administrações amadoras e clubes, faliu e que temos que buscar soluções profissionais. É um novo momento.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Não consigo distinguir, ainda este ?tal? novo momento, preciso que alguém me mostre do que se trata.

RL – Quais são nossos maiores desafios?

Dr. Flávio Obino ? O nosso maior desafio é tratar o turfe nacionalmente, com iniciativas comuns da indústria, sob a coordenação ABCPCC. Unidos poderemos enfrentar os desafios permanentes de profissionalização da gestão do turfe ? apostas, marketing e a própria organização das corridas; criar canais de negociação e interação com o Poder Publico; fomentar a criação do cavalo de corrida; e fortalecer o mercado interno.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Em primeiro lugar, reverter esta situação da brutal diminuição de nossa produção. Todos os meses fecham–se Haras, diminuem–se o número de reprodutoras. Em segundo lugar, é preciso encontrar um incentivo à criação do PSI, e eu tenho cá muitas idéias!

RL – O senhor teme que um embate eleitoral pela presidência da ABCPCC possa levar a uma divisão indesejada para o Turfe como um todo?

Dr. Flávio Obino
? Normalmente as eleições oxigenam as entidades. Em tese, sou favorável aos embates eleitorais, desde que centrados na discussão de idéias e que as candidaturas não sejam fruto de desejos pessoais de candidatos. No caso específico de nossa associação, devemos ter em mente que somos poucos e que a palavra de ordem no turfe é a união. Particularmente gostaria de direcionar toda a minha energia para os trabalhos do Grupo de Revitalização do Turfe que coordeno e não para uma campanha eleitoral longa, que culminará com eleição somente em abril de 2009. Se o resultado do embate eleitoral for a divisão, perderemos todos.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Não creio, a divisão só existe até o momento de se abrirem as urnas. Passado isto, somos todos amantes do cavalo e por ele lutaremos juntos;

Dê um recado aos leitores do Raia Leve

Dr. Flávio Obino ? O turfe precisa de união e de colaboração de todos os atores ativos envolvidos com a atividade. Eu acredito na sobrevivência do turfe e no seu crescimento como negócio no Brasil. Continuo entusiasmado, entusiasmo agora redobrado, com a possibilidade de ações conjuntas entre os clubes e a ABCPCC. Como atual coordenador do Grupo de Revitalização do Turfe e, caso eleito, como presidente da ABCPCC, quero manter um contato permanente com criadores, proprietários, profissionais do turfe, apostadores, empresas que compõem a cadeia produtiva do setor. Essa comunidade acompanha a atividade nos veículos específicos dedicados ao turfe e o Raia Leve neste cenário se destaca. Assim, informo o meu e–mail particular(fof@obinoadvogados.com.br) e me coloco à disposição dos turfistas leitores do Raia Leve para receber sugestões e participar de debates que contribuam para o crescimento da atividade e para as iniciativas que estão sendo adotadas no Grupo de Revitalização e na nossa ABCPCC.

Dr. Afonso Burlamaqui ? Caros leitores e eleitores, votem com a consciência, esqueçam as amizades e procurem eleger o melhor. Afinal, a eleição é para o bem de todos.

por Débora Almeida



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