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Junho | 2009

Uma homenagem a Antônio Domingos Meirelles Quintella
14/06/2009 - 13h49min

O site Raia Leve e a Associação Carioca dos Proprietários do Cavalo Puro–Sangue Inglês não poderiam deixar de dar um espaço significativo, neste seu adeus, à figura de Antonio Domingos Meirelles Quintella, pai de nosso diretor Antonio Landim Meirelles Quintella, pai e filho turfistas apaixonados e sempre atuantes na política em prol do turfe no que este tem de melhor e consequente.

E, pesquisando os arquivos do site, deparamo–nos com uma entrevista sua no dia 2 de agosto de 2007, ainda à época em que o nosso Zig era o editor,  dada por ele ao nosso então repórter Marco Aurélio Ribeiro e que desde 2008 trabalha em outras plagas, sobre como via o estado de nosso turfe, tanto carioca quanto o brasileiro, e como vislumbrava o nosso futuro, hoje presente.

Muitas de suas observações continuam pertinentes apesar da mudança da administração (mesmo com a vitória da  chamada situação anterior mas que, hoje, ainda que presente na diretoria, não consegue ver realmente representada como queria e pretendia, a sua "visão" de turfe e de clube).

Lê–las de novo, quase dois anos depois e com todo o processo pelo qual se passou e se vem passando, surgiu–nos como uma forma eloquente de homenageá–lo (tanto quanto, com a vitória ontem da Estrela Solitária botafoguense naquele segundo gol de Laio, foi–lhe presenteado um lindo adeus futebolístico). Em as lendo, temos certeza que os nossos leitores concordarão conosco.

Ao Dr. Quintella, a nossa saudade, o nosso eterno respeito. Ao nosso diretor Antonio Landim Meirelles Quintella, com toda a sua emocionante paixão pelas corridas de cavalo e pelos cavalos de corrida, e a sua família, nossos sinceros sentimentos, sentimentos também de muito respeito e de uma enorme amizade.

A seguir, a entrevista:

JCB deve voltar aos turfistas, diz Quintella

Sócio do Jockey Club Brasileiro há mais de 40 anos, criador e proprietário de grande influência, o advogado Antônio Domingos Meirelles Quintella vê com muita tristeza a situação do turfe carioca e brasileiro.
 
Ele vivenciou importantes transformações no turfe do Rio de Janeiro e diz que, com a derrota de Julio Bozano, o clube mudou inteiramente, deixando de ser uma entidade de corridas para privilegiar a parte social.
 
Não vê nenhuma solução a curto prazo, mas acredita que se o clube voltar às mãos dos criadores, o panorama seria revertido. Admite que a cisão do JCB, tornando–o dois clubes, com administrações distintas, poderia dar resultado e acredita que caso, assim como ocorreu em Palermo, fossem liberadas as slots–machines, haveria dinheiro para melhorar os prêmios e reconstruir o Hipódromo da Gávea. Com experiência e paixão pelo turfe, Quintella gostaria de ter a solução.
 
O senhor cria cavalos há muito tempo e viu muitos de seus corredores vencerem provas importantes. Por que outros como o senhor estão praticamente abandonando o turfe?
 
Não há mais como manter a paixão no turfe em que vivemos. O custo é muito alto e os prêmios, baixíssimos. Por mais que a gente ame o turfe, chega uma hora que é preciso diminuir, ou até mesmo parar com os cavalos. O turfe do Rio de Janeiro vem se deteriorando em todos os sentidos e os criadores, que deveriam ser os mais atuantes, parecem estar sem ação.
 
Em maio do ano que vem serão realizadas eleições no clube. Uma mudança na direção poderia ser a saída para tantas dificuldades?
 
Eu acredito que se o clube voltar às mãos de turfistas, as soluções para os problemas seriam buscadas com mais intensidade. A derrota do Julio (Bozano) foi muito ruim, pois tenho certeza que ele daria seqüência ao extraordinário trabalho feito por Fragoso Pires. Vejo e ouço muita gente reclamar, mas não consigo enxergar um movimento maior para que se tente a mudança.
 
Promover a cisão do JCB seria uma alternativa?
 
Não sei, talvez fosse, pois a grande maioria dos sócios, hoje, está muito mais preocupada com o lazer do que com as corridas. Cheguei a conversar com o presidente Taunay a respeito disso e ele me disse que não se oporia à cisão do clube em duas entidades, uma hípica, a outra, social. Mas também não vejo qualquer movimento neste sentido.
 
Quando aconteceu o contrato com a Codere, pensou–se que as coisas tomariam um rumo diferente, como aconteceu em Palermo, mas até agora nada das “maquininhas”. Elas solucionariam os problemas?
 
Palermo é o exemplo disso, pois o turfe argentino renasceu das cinzas depois que as slots–machines começaram a render muito dinheiro. Deveria existir um movimento grande junto às autoridades do país, no sentido da liberação.
 
Um entendimento maior entre Rio e São Paulo também poderia ajudar?
 
Evidente que sim, mas a vaidade ou rivalidade, que seja, não permite que se busque a pedra única e outros entendimentos. Se trabalhassem juntos, trocassem idéias, as duas entidades poderiam encontrar soluções, nem que de curto prazo, para amenizar a crise.
 
O turfe brasileiro tem saída, doutor Quintella?
 
Gostaria muito de poder responder isso. É preciso mais harmonia, mais vontade e mais amor ao turfe por parte dos criadores e dirigentes. É uma grande paixão, que não pode ser simplesmente abandonada.

da Redação e da Diretoria



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