Energia Guest, do Haras Praça XV, é um dos bons azares no campo do Grande Prêmio Brasil deste ano. Puro–sangue de bela estampa, o pensionista de Edson Ricardo sofreu muitos problemas físicos que atrapalharam a sua campanha nas pistas. Mas, no momento, ele ostenta forma atlética excelente e pode proporcionar a Jorge Antônio Ricardo o tricampeonato do Grande Prêmio Brasil. Acostumado, durante toda a sua carreira, a montar sempre concorrentes mais visados e com favoritismo, Ricardinho vai sentir–se bem confortável no dorso de um azarão. A corrida no Grande Prêmio Doutor Frontin foi bastante promissora para os observadores mais atentos.
Em 1992, no dorso de Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, o maior ídolo do turfe nacional, e recordista sul–americano de vitórias, quebrou um tabu de não vencer a prova mais importante do turfe nacional e realizou o maior sonho de criança. Um sonho que acalentava desde menino, quando ainda acompanhava o pai, Antônio Ricardo, nos primeiros passos dados nos matinais da Gávea. Mas, além disso, o triunfo aconteceu para cima do seu maior rival nas pistas, Juvenal Machado da Silva, que já havia conquistado a prova cinco vezes, sendo duas delas, com Grimaldi, em 1986, e com Flying Finn, em 1990, em finais difíceis contra ele. A vitória por cabeça, numa raia encharcada, e em dia de muita chuva e lama, na revanche contra o próprio Flying Finn, lavou para sempre a alma de Ricardinho.
Em 1994, já contratado do Stud TNT, e formando com o saudoso treinador João Luiz Maciel a parceria mais vitoriosa do turfe brasileiro de que sem tem notícia, Jorge Ricardo faturou sem dificuldade o bicampeonato, com o supercraque Much Better. O triunfo esmagador e aplaudido de pé pelas tribunas do prado carioca, foi apenas a confirmação da classe incontestável de um cavalo que ganhou também o Grande Prêmio São Paulo, o Grande Prêmio Carlos Pellegrini e por duas vezes, o Clássico Latino–americano. Agora, com o azarão Energia Guest, Ricardinho pode chegar a terceira vitória na prova depois de 22 anos de tentativas frustradas.
por Paulo Gama