Por onde começar uma crônica sobre o extraordinário Haras Santa Maria de Araras? Talvez, o mais certo seja começar por seu “big boss”, Júlio Bozano. Um criador irrequieto, detalhista, apaixonado e sempre preocupado com a qualidade dos seus campos de criação. Seja nos Estados Unidos, em Ocala, na Flórida, ou em Capitan Sarmiento, na Argentina, ou ainda, no próprio Brasil, em São José dos Pinhais, no Paraná e Bagé, no Rio Grande do Sul, existe o mesmo traço comum da busca constante e ininterrupta pela excelência. Júlio Bozano, desde os primeiros passos de sua criação, até ontem à tarde, quando Daffy Girl levantou o Grande Prêmio Diana para a sua farda, e Daniel Boone, o Grande Prêmio Francisco Eduardo de Paula Machado, investiu pesado na paixão turfística. Investiu pesado no amor ao puro–sangue de corrida.
O apreço pela qualidade na sua criação é incansável. Desde a seleção dos reprodutores e matrizes, passando pela precisão na escolha dos pastos, da agua, da infraestrutura dos seus haras, até, finalmente chegar ao primor na montagem de suas equipes. Tanto no que se refere a turma da retaguarda, ou seja, dos campos de criação, veterinários, capatazes, domadores, auxiliares, como também no pelotão de frente das competições, formado por um treinador fantástico e de pedigree, Roberto Morgado Neto, um jóquei de outro planeta, Valdinei Gil, e um veterinário competente, Alexandre Dorneles. Esta galera toda e mais algumas dezenas de coadjuvantes entre cavalariços e empregados proporcionou um domingo maravilhoso aos verdadeiros turfistas. Todos aqueles que amam os cavalos, protagonistas absolutos no turfe.
No dia 14 de fevereiro de 2.016, o Haras Santa Maria de Araras além de vencer duas provas da tríplice–coroa, ou seja, dois páreos de Grupo I, estreou duas potrancas de forma vitoriosa Estrella e Escrittora. Ficou sinalizado com isso que o Araras está pronto para o futuro, com a mesma volúpia e classe das vitórias escritas do passado por Old Master, Troyanos, Gas Mask, Queribus, entre tantos outros, e as mais recentes, no presente, com esta geração espetacular. A potranca Escrittora, por exemplo, já está pronta, num futuro próximo, a dar início a uma nova era de triunfos importantes, quando os craques de agora forem servir na reprodução. E numa roda–viva interminável, em que o sangue sempre se renova, no dia em que ela também for servir no haras, a geração seguinte já estará pronta para entrar na raia. E sempre, com a mesma eficiência inconfundível das sucessivas gerações deste maravilhoso Haras Santa Maria de Araras, Um toque de classe no esporte e, também, motivo de orgulho absurdo para todos os turfistas brasileiros.
por Paulo Gama