Amigos me pedem uma reflexão, uma opinião, sobre o nosso querido Jockey Club Brasileiro, que tem vivido agruras inimagináveis nos últimos tempos, assolado por descalabros administrativos, desmandos e abandono. Não é fácil, emocionalmente, adentrar pelos detalhes sórdidos que estão degradando o nosso JCB, patrimônio dos sócios e de toda a sociedade brasileira.
As referências e lembranças que guardo do Jockey Club são grandiosas. Elas estão nas raias, nas sedes e no convívio social que mantenho desde a infância quando, em 1953, meu pai me levava para assistir às corridas todos os domingos. Amigo íntimo do Professor Nova Monteiro, que o indicou para sócio do Jockey, meu pai me fez ver toda a importância social do clube no contexto da Cidade do Rio de Janeiro e do próprio país.
Como não lembrar que o JCB já esteve entre os três principais bailes de Carnaval da cidade? Os bailes do Teatro Municipal, do Jockey Club e do Monte Líbano eram os três ícones de grande destaque do nosso Carnaval, unindo festa, diversão e bom gosto. Quando o saudoso porteiro Marechal nos recebia na sede da Rio Branco com Almirante Barroso, aquilo era como um "seja bem–vindo, divirta–se!" especial, coroado pela certeza de estar fazendo parte de um Club com C maiúsculo.
O que eu vi, ao longo de décadas, foi o JCB crescer e brilhar. Acompanhei com orgulho a construção da nova sede, na Av. Antonio Carlos. E vi, sempre, o nosso Jockey esbanjar glamour, influência e reconhecimento. O Grande Prêmio Brasil, por exemplo, era um acontecimento. Mais que uma competição de turfe, era cercado de extremo glamour e emoldurado por duas festas: uma na 6ª feira anterior ao Grande Prêmio Brasil, realizada no 11º andar da sede do Centro, e a outra, no dia seguinte ao GP, a Noite do Longchamp, no Hipódromo da Gávea, coroando o evento com chave de ouro.
Tudo isso, esse vigor administrativo, social e cultural, fazia do nosso Jockey Club Brasileiro uma potência capaz de receber em seus eventos grandes figuras da República, presidentes, governadores, senadores, líderes da nossa sociedade.
JOCKEY HOJE
Diante de todo esse passado grandioso e glamouroso, torna–se difícil comentar sobre os fatos atuais no JCB sem travar o hálito com um gosto amargo, sem sentir uma pontada aguda de dor na alma.
Os mais de 5 mil sócios têm assistido a um desfile sem fim de iniquidades. Gastos astronômicos em viagens do presidente e farta comitiva ao exterior, despesas gigantes em "cartões corporativos" e até custos devastadores em podas de árvores. Fatos estes, sublinhe–se, jamais verificados em 84 anos de Jockey Club Brasileiro.
Ora, o fato irrespondível é que tais despesas não se sustentam no atual quadro de regressão do clube. As festas que emolduravam o Grande Prêmio Brasil não acontecem mais. Não há mais Carnaval. Não há mais eventos e, muito menos, glamour. A sede da Av. Antonio Carlos foi fechada pelo atual presidente, de forma arbitrária, sem consulta à Assembleia Geral. Seus doze andares estão abandonados, sem manutenção, sob risco. Recentemente, um incêndio destruiu parte das instalações centenárias do Hipódromo da Gávea, acabando com a estrutura de julgamento das corridas de cavalo (Comissão de Corridas), que há muito convivia com dezenas de baldes espalhados pelo chão para tentar conter as infiltrações causadas pela chuva. Segundo apuração do site "Raia Leve", os responsáveis pela área consumida pelas chamas suplicaram ao atual presidente, sem sucesso, a disponibilização de R$ 29 mil, que serviriam como paliativo para a impermeabilização do teto. O retrato do descalabro: estes R$ 29 mil não seriam suficientes, sequer, para reembolsar o atual mandatário pelas despesas contraídas por ele numa única viagem a Lima, no Peru.
Num quadro destes, o que se revela é a total inversão de prioridades. O patrimônio do clube está sendo corroído pelo abandono, pelo descaso e até pelo fogo, enquanto o presidente e sua comitiva viajam pelo mundo com as despesas pagas pelos sócios do JCB.
Por conta dessa triste e deplorável administração – capitaneada pela figura do atual presidente, uma vez que muitos dos diretores e conselheiros eleitos na mesma chapa já se desligaram, decepcionados com os rumos do JCB – o Título de Sócio do clube chegou ao irrisório valor de R$ 8 mil, quando deveria valer algo na casa dos 50 mil reais para fazer jus ao patrimônio e à História do Jockey Club Brasileiro. Ressalte–se que o estapafúrdio valor da Taxa de Transferência, instituído por esta administração inepta em R$ 100.000,00, foi um fator decisivo para a desvalorização dos nossos Títulos. Mais uma vez, prejuízo para os sócios em benefício da administração.
JOCKEY AMANHÃ
Realizar estudos para reduzir este valor da Taxa de Transferência é uma das primeiras providências que deve adotar a nova administração, a ser eleita em maio próximo. E, claro, desde o primeiro dia da posse suspender a farra das viagens ao exterior, os gastos excessivos e direcionar os recursos para as melhorias reais que o nosso Jockey necessita para voltar a brilhar.
A próxima diretoria tem a obrigação moral, ainda, de apurar onde exatamente estão ou foram parar o mobiliário e os objetos de arte que se encontravam na histórica sede do Centro, além de reavaliar profundamente o fechamento de que foi alvo.
Enfim, pode–se dizer, sem medo de errar, que o atual presidente do clube é merecedor do triste troféu de "Pior Presidente da História do JCB".
É hora de virarmos essa lamentável página de nossa história, derrotá–lo definitivamente nas eleições de maio e devolver o Jockey Club Brasileiro ao lugar de destaque do qual jamais deveria ter saído. Esse é um dever dos sócios nestas eleições.
Alexandre Farah
Advogado e sócio do JCB