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Janeiro | 2016

Na era digital, os sites e os blogs são a melhor maneira de divulgar o turfe
20/01/2016 - 12h02min

Aos 57 anos, me confesso um pouco deslocado na era digital. Velocidade de tantos e tantos megas, linguagem de palavras abreviadas e termos específicos da informática. Enfim, tiques nervosos da modernidade. Mas, apesar da assustadora mudança na comunicação entre as pessoas, sou esclarecido o suficiente para saber que, de uma maneira geral, as coisas mudaram para melhor. Aliás, este mundo virtual, tão encantador e diferente, nos conquista aos poucos. Bem devagarinho. Nos tempos em que comecei a trabalhar como repórter do Jornal do Brasil, no longínquo ano de 1982, não existiam computadores nas redações, e sim, a velha e saudosa máquina datilográfica. Os bons repórteres, responsáveis por trazer as notícias da rua, dividiam o espaço nas redações com verdadeiros artistas. Eram os redatores, que tinham a função de corrigir possíveis erros ortográficos e modelar o texto. O objetivo era tornar a notícia comum mais atraente e sedutora possível para o consumidor.

Os redatores eram autênticos príncipes com as palavras. E hoje, este me parece o maior perigo da linguagem digital. Esta linguagem virtual, embora seja “tudo de bom”, como diz a garotada, pois ela é rápida, eficaz, imediata, avassaladora e contundente, diminui a qualidade do texto. Todo este ímpeto em ritmo alucinante vicia os jovens na abreviação excessiva das coisas. E, por conseguinte, alguns aspectos importantes na vida ficam para atrás e passam ao largo, abreviados. Mas, chega de filosofia! O turfe não pode pensar na sua divulgação apenas com os antigos meios de comunicação de massa. Televisão, rádio e jornal. Nem mesmo o rádio, com todo o seu jogo de cintura, consegue acompanhar a velocidade virtual. As notícias, hoje em dia, são divulgadas nas redes sociais no exato momento em que acontecem. Seja um acidente de avião, um tsunami, a morte de um ídolo, um atentado a bomba ou simplesmente um jogo final da Copa dos Campeões da Europa. Ninguém precisa esperar muito tempo para saber os detalhes de cada fato. A atualização se dá, segundo a segundo, nas redes sociais,

Este processo pode ser muito bom para o turfe. Basta os seus dirigentes terem a sensibilidade para investir na internet. O turfe precisa se reformular por dentro e por fora. O seu público está caducando, os frequentadores dos hipódromos também, e as formas administrativas idem. Ora, se você inova e investe na divulgação do belo espetáculo que é uma corrida de cavalos, através de sites especializados e de blogs individuais de conhecedores da matéria, você vai matar dois coelhos. Com entrevistas, matérias, indicações e outros detalhes você vai rejuvenescer a frequência dos prados brasileiros e cativar uma geração de jovens apostadores. O jovem gosta de competir. O jovem gosta de desafios, duelos e de reconhecimento O jovem quer se auto afirmar a todo instante. Promoção de torneios de marcações, de melhores fotografias, de melhores imagens para as redes sociais. E por aí afora.

A saída para a crise turfística está nesta parafernália social que virou o mundo de hoje de cabeça para baixo. O turfe precisa tirar o pijama, levantar da cadeira de balanço na sala de estar e criar coragem para sair de casa apesar da violência nas ruas. Trocar a cadência do piano de cauda pela fúria do funk. O momento é de injetar em nossas veias o sangue desta juventude irrequieta e maluca que anda por aí. Os ginásios de vôlei estão sempre lotados de crianças e adolescentes. Os resultados, há muito tempo, são melhores do que o próprio futebol. Pelo amor de Deus! A saída está em nossos filhos, nossos netos e também nos nossos sobrinhos. Façam projetos para recompor as fileiras turfísticas. Afinal, o tempo é inexorável. A nossa hora de partir é daqui a pouco. Talvez amanhã. E o maior legado que podemos deixar para o esporte que tanto amamos e a sua ressureição. E ela só poderá se dar com bebês chorando nas cocheiras e nas vilas hípicas. Com meninos e meninas de mãos dadas nas tribunas dos hipódromos. Com e–mails de um lado para o outro discutindo os palpites das corridas, no mesmo ritmo frenético que a garotada aperta as teclas nos seus modernos celulares. Afinal, como diz o filósofo Álvaro Bento: “O mundo é dos jovens e dos afoitos”.

por Paulo Gama



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