A solução dos problemas depende apenas de uma prova de amor 22/12/2015 - 10h21min
Quando o nosso querido site, Raia Leve, nos proporciona textos brilhantes como este último, do Sérgio Barcellos, a gente sente orgulho de fazer parte do mundo do turfe. Nem todo mundo pode ser Sérgio Barcellos. Elegante, fino, polido, inteligente e político em tudo o que escreve. A sua objetividade e lucidez na explanação dos fatos não permite contestação. Não fere suscetibilidades. Não causa antipatia. E nem provoca reações explosivas ou contraditórias. Ser político é a arte suprema de governar o desgovernado. De unir os opostos. De inspirar os desesperançados. E de motivar quem já não possui fé. Se pude entender bem o texto brilhante do querido Barcellos, ele conclama todos aqueles que comungam do sentimento de amor ao turfe a perceber que as diferenças são importantes para unir forças.
Não possuo no meu cardápio tamanha grandeza e generosidade. Sou apenas um jornalista a procura de debater os fatos. Escrevo sobre eles vida afora. Não tenho esta proeza política de criticar sem ferir. De levantar polêmica sem magoar. De pedir que rivais consigam dar as mãos. Sérgio Barcellos é assim. Baluarte do projeto que proporcionou a assinatura do contrato entre o JCB e a PMU, ele age anônimo, sem preocupação com reconhecimento. Modesto, silencioso e discreto. Mas com o seu artigo “JCB e eleições” conseguiu, com absoluta certeza sensibilizar o mais radical dos turfistas. Existe um mal bem maior do que as diferenças. Bem maior do que as convicções. Bem maior do que a intolerância. Está em jogo a sobrevivência da atividade turfística no Brasil.
E, pelo que pude entender no texto do encantador Sérgio Barcellos, foi feita verdadeira convocação de união e amor ao esporte. Todos tem o seu papel na recuperação do turfe brasileiro. O que deve mover as atitudes de tantos homens de bem, de tantos homens inteligentes, de tantos homens de qualidades é a paixão comum de todos pelo turfe. As diferenças se contornam com o tempo e com a política. Mas a crise atual é muito grave para deixar o barco afundar e priorizar diferenças ideológicas e pessoais. E como sugestão de filme, para o não menos brilhante, Luís Fernando Danneman, com estilo de escrita bem mais combativo e contundente do que o nosso sutil Sérgio Barcellos, fica uma ideia: “A retomada da Bastilha”, em homenagem aos franceses da PMU.
por Paulo Gama |