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Novembro | 2015

Turfe de São Paulo não pode parar
26/11/2015 - 11h23min

A ressurreição do turfe paulista, envolvido numa crise sem precedentes, precisa acontecer o quanto antes. É claro que todos os Jockeys Clubs coirmãos possuem os seus próprios problemas. Mas gostaria de sugerir aos dirigentes dos principais clubes hípicos nacionais que possam se sentar juntos para conversar. E que desta conversa possa sair um projeto que permita encontrar solução imediata para que o Jockey Club de São Paulo reencontre o seu caminho. Localizado numa área nobre da maior cidade da América Latina, o Hipódromo de Cidade Jardim foi palco de algumas das mais belas páginas já escritas no turfe nacional. São Paulo possui a economia mais poderosa do país e, portanto, com a ajuda de bons empreendedores pode ser encontrada a saída.

Um simples passeio nas vilas hípicas de Cidade Jardim nos dias de hoje provoca imensa depressão em quem não frequenta o local há mais de 30 anos. Foi o que aconteceu, recentemente, com um amigo turfista carioca, frequentador assíduo do hipódromo paulista, nas décadas e 70 e 80, e que ficou estarrecido com as cocheiras vazias, de puros–sangues e de empregados. Presenciou também, um número reduzido de animais passeando com os seus cavalariços durante à tarde. A mente do querido turfista estava povoada pelos tempos dos grandes haras, das grandes coudelarias, das quatro reuniões semanais, dos animadíssimos churrascos para comemorar vitórias memoráveis. Ficou triste e arrasado. Descreveu o que viu como um cenário apocalítico. Paisagem de terra arrasada.

O drama do turfe paulista me fez navegar no meu próprio drama aqui no Rio. Nos anos 80, na Tribuna Social do Jockey Club Brasileiro, havia no segundo andar, a lanchonete com o mate batido, servido pelo funcionário “Pelé”, com ou sem limão. Os sanduiches de queijo prato e de presunto no pão de forma, sem casca. Os salgadinhos deliciosos, croquete de carne e empadas de frango e camarão, os doces finos, quindim, torta de amora e bomba, de creme e chocolate. À direita, cafezinho e água gelada, de graça, durante toda a reunião. O restaurante era do próprio Jockey Club, com louça de porcelana finíssima, guardanapos enormes de tecido macio, e cardápio a La Carte internacional. Hoje em dia, tenho até vergonha do preço do café e da água no segundo andar, de ver o restaurante fechado, em reforma, para ser substituído por uma boate. Meu Deus!

De volta à crise paulista, que nenhuma hipocrisia é mais capaz de esconder. Ela se torna constrangedora pelo número de animais inscritos no programa. Pela quantidade cada vez menor de reuniões semanais. Pelo êxodo de profissionais em busca de novos caminhos pelo mundo afora. Os maiores ídolos locais, João Moreira, Altair Domingos, José Aparecido, Francisco Leandro, e tantos outros caíram fora. O mesmo aconteceu na Gávea, em que Jorge Ricardo, depois de 24 anos liderando a estatística bateu asas, em 2.006, e foi para o turfe argentino.

O Paraná de volta é uma notícia maravilhosa. Enche–nos de esperança. O turfe gaúcho, sempre empreendedor, agora mesmo vai realizar evento extraordinário com as estrelas das rédeas brasileiras que brilham no exterior. É outro motivo de esperança. A PMU a serviço do turfe carioca. Outra expectativa das mais otimistas. E São Paulo? Alguma coisa precisa ser feita com urgência. Para ontem. Afinal, tenho absoluta certeza, que basta receber mínimo de oxigênio para os seus pulmões, razoável transfusão de sangue nas suas veias turfísticas, que o coração valente da terra da garoa volta a bater forte. A sobrevivência do turfe brasileiro está diretamente relacionada com a sobrevivência do turfe paulista. São Paulo não pode parar.

por Paulo Gama



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