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Novembro | 2015

Seletiva para Latino–americano seria ato democrático do JCB
18/11/2015 - 09h54min

O Boletim Oficial nº 44, da Secretaria da Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro, que dispõe sobre a indicação dos representantes do turfe brasileiro para participar do Clássico Latino–americano de Jockeys Clubs, é curto, grosso e muito pouco democrático. A primeira vaga, segundo o disposto, será para o puro–sangue de maior rating na data da indicação. Mas, não diz que data será essa. A segunda vaga, nos mesmos critérios, para o proprietário disposto a pagar US$ 25 mil. Em tempos de PMU, o clube hípico carioca deveria começar a conviver melhor com o espírito democrático francês, que fala em liberdade, igualdade e fraternidade.

Fonte limpa, daquelas que todo jornalista precisa ter, me informou que a maior preocupação dos franceses da PMU é a transmissão para Paris e outras cidades francesas do Clássico Latino–americano, que será disputado na Gávea em 2.016. Eles querem imagem de qualidade e transparência para conquistar, logo de cara a confiança do público europeu. Não seria viável, a disputa de prova seletiva, na mesma data da realização da 1ª prova da tríplice–coroa, em janeiro, para indicar os dois candidatos? Os franceses possuem de forma secular este espírito capa e espada. Gostam de duelos, desafios, aventura e dignidade. Por que não decidir na raia? Por que não deixar de fora esta história de rating, que a maioria dos turfistas não sabe nem mesmo o que é?

O Jockey Club Brasileiro poderia disponibilizar apenas a sua raia de grama. Deixar por conta dos próprios proprietários pagarem cerca US$ 10 mil cada um, do seu próprio bolso, inscrever o seu cavalo, apostar no seu taco e decidir na pista. Aliás, esta é a história deste evento, o Latino–americano. Na tradicional prova, o Brasil esteve sempre representado por quem ganhou a vaga na pista, com muito suor, e não nos gabinetes da politicagem. A prova seletiva mais famosa para o GP Associação Latino–americana de Jockeys Clubs foi à década de 90, na Gávea, e reuniu apenas três animais. Mas estes três puros–sangues juntos levaram a pista quatro Grandes Prêmios Brasil. Falo de 1991, quando a prova foi disputada em Cidade Jardim.

A seletiva carioca reuniu os três craques, Falcon Jet, do Haras Santa Ana do Rio Grande, Flying Finn, do Stud Numy, e Villach King, do Haras Santa Maria de Araras, montados respectivamente por Jorge Ricardo, Juvenal Machado da Silva, e Gonçalino Feijó de Almeida, o Goncinha. Três craques e apenas duas vagas. Foi um páreo épico. Os três craques excepcionais, montados por três grandes campeões, entraram na raia diante de público fantástico. Flying Finn ditou o ritmo da prova, Falcon Jet o acompanhou e Villach King ficou em último.

Nos 400 metros finais, quando parecia inevitável o triunfo de Flying Finn, Villach King aproximou–se de Falcon Jet, por fora, para tomar a segunda vaga. Diante da ameaça do rival, Falcon Jet, cavalo de enorme brio, na tentativa de evitar o pior, acabou por resistir a ele, e ainda dominar Flying Finn, no último pulo, numa chegada antológica. Os dois craques espetaculares foram para São Paulo. E lá, Falcon Jet confirmou no Latino a memorável vitória na seletiva. Bons tempos aqueles. Eram tempos em que a respostas para os embates, as rivalidades e os dilemas eram sempre dados na raia. Como deve ser quando os envolvidos são homens de bem e cavalheiros. E Vive La France!

por Paulo Gama



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