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Novembro | 2015

Mudanças indispensáveis antes de entrar na era da PMU
04/11/2015 - 10h04min

Que não se iludam os dirigentes do turfe carioca diante da entrada na nova era da PMU. Antes de tudo, será preciso total mudança de postura. Mudança de ideologia. Mudança de comportamento. Não será apenas uma questão de desafogo financeiro. Os franceses são profissionais nas atitudes e no ritmo de trabalho. E os diversos seguimentos da atividade turfística do Rio de Janeiro terão que se adequar à nova filosofia de trabalho. Em tempos de PMU não haverá lugar para amadorismo. Não será possível favorecimento político. Não será justificável cometer tantas gafes. Os novos parceiros vão disponibilizar grandes oportunidades através do imenso know–how que possuem no mundo das apostas. Mas, por outro lado, a exigência e a cobrança dos franceses serão diretamente proporcionais.

A PMU surge como uma luz no fim do túnel, no pior momento financeiro e administrativo vivido na história do turfe brasileiro e carioca. Em todo o país, hipódromos importantes foram fechados nos últimos anos, entre eles, Serra Verde, Campos e Tarumã, este último mais recentemente. O turfe paulista, que durante décadas teve quatro reuniões e movimento de apostas superior em quase dois terços ao do Rio de Janeiro, agora agoniza com apenas duas programações. E pasmem! Não são realizadas mais corrida aos domingos. Todo este movimento, no sentido contrário, sobrecarregou a trajetória carioca. Apenas o turfe gaúcho demonstra poder de reação.

Em primeiro lugar, a PMU vem com forte estratégia de marketing. Não poderá ser de outra maneira. Afinal, na sociedade carioca ninguém fala mais do assunto corridas de cavalos. Em nenhum meio de comunicação tradicional ou digital somos assunto. Estamos restritos aos sites oficial do JCB e ao Raia Leve. Os blogs de alguns abnegados se restringem as apostas, e aos palpites, sem condições de desenvolver um trabalho efetivamente jornalístico. A PMU vai querer muito mais! Além disso, a imagem da atividade está desgastada através de preconceito centenário contra tudo e contra todos que frequentam as corridas de cavalos. A PMU exigirá reação imediata neste sentido. Não tenham dúvida disso.

A gestão e o comprometimento em relação ao espetáculo promovido também terá de passar por significativa reformulação. O acesso do público turfista as informações imprescindíveis como pista, forfaits, ferragem, e etc. serão cobrados.  O cumprimento de horários e de regulamentos também. Os guichés terão de estar disponibilizados. Transformar o prado em algo prazeroso para os visitantes, também será preocupação imediata da PMU. A paisagem da Gávea é linda. O Corcovado é lindo também. A Lagoa Rodrigo de Freitas, idem. E a Pedra Bonita e da Gávea, nem se fala. O Jardim Botânico e o Horto Florestal são duas encantadoras reservas ecológicas, Mas e os bons restaurantes? E as lanchonetes e os bares? E a bomboniere será que vai continuar localizada de frente de banheiro da Tribuna A?

Melhor infraestrutura do nosso turfe também será exigida por parte dos franceses. Coisas tais como Jorge Ricardo, o recordista sul–americano de vitórias e maior ídolo dom turfe nacional, ser desclassificado por falta de peso diante dos dirigentes da PMU, não poderá acontecer. O líder da estatística, Leandro Henrique, aparecer no programa oficial no dorso de um cavalo no páreo reservado apenas aos jóqueis com ranking inferior aos 20 primeiros colocados, também não poderá acontecer. No final de semana, o Hipódromo da Gávea, com uma das mais belas paisagens do mundo ficar vazio por falta de divulgação e promoção junto aos meios de comunicação. Não poderá acontecer.

Para a melodia da dupla formada pela PMU e o Jockey Club Brasileiro ficar bem afinada, os dirigentes, funcionários e profissionais do turfe cariocas vão ter que sair da chamada zona de conforto. Deixar no passado a bagunça administrativa e a burocracia dominante. A música a ser tocada em 2.016 será bem diferente da atual. Algo semelhante aos belos acordes do hino francês. Liberdade e fraternidade no lugar de autoritarismo. Democracia invés de ditadura. E Vive La France!

por Paulo Gama



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