A fase espetacular de Jorge Ricardo no turfe argentino, neste mês de abril, começa a surtir efeito nos números. A missão de alcançar o canadense, Russel Baze, líder do ranking mundial de todos os tempos, com 12.535 vitórias, que parecia impossível, começa a se tornar viável. A diferença entre os dois jóqueis, que já foi de mais de 130 vitórias, caiu para 114, já computadas as três vitórias no jóquei brasileiro, ontem à tarde no Hipódromo de San Isidro. Ricardo agora soma 12.421 triunfos, ou seja, se mantiver este ritmo pode diminuir para apenas 100 vitórias no próximo mês de maio. Na temporada de 2.015, Russel Base já ganhou 90 páreos contra 72 de Jorge Ricardo.
“Ainda é cedo para afirmar que vou chegar mais próximo dele este ano. Na verdade tive um mês bem acima da média dos últimos tempos. O Stud Rubio B voltou a ganhar em alta escala e isso facilita o meu trabalho. Além disso, as vitórias chamam melhores montarias e isso já vem acontecendo. Vitórias também trazem confiança e não posso negar que me sinto mais otimista. Mas a gente sabe da dificuldade de superar o Russel Base. Além de ele ser um grande jóquei possui condições de trabalho excelentes. O seu grau de dificuldade para ganhar corridas é bem menor do que a minha realidade. Aqui em Buenos Aires, a competividade é enorme e só tem jóqueis de qualidade na raia. A distribuição das montarias por conta disso é sempre das mais equilibradas”, conta Ricardinho.
Totalmente adaptado à vida em Buenos Aires, e ao bairro de Palermo, onde mora, Ricardo conta animado que as suas duas filhas mais novas, nascidas na Argentina, estão bastante levadas e tem dado muito trabalho a sua mulher, Renata. Com relação ao fato de estar montando menos no Hipódromo de La Plata, o que poderia facilitar o confronto com Base, ele explica. “Todos sabem que eu já não sou mais garoto. Trabalhar todos os dias em dois hipódromos da capital e ainda me deslocar até La Plata e depois das corridas ainda ter de voltar para Buenos Aires é muito cansativo. Às vezes colocam algumas montarias com chance, mas tem sempre cavalos que vem de outras províncias e que nem conheço. Com a minha história no turfe preciso me preservar. Mas quando tem uma barbada eu vou lá”, brinca.
por Paulo Gama