Jairo Borges, a dor de cabeça dos centros de treinamento 07/04/2015 - 10h04min
O treinador Jairo Borges continua a impor o seu talento e foi o maior ganhador da semana no turfe carioca, com quatro vitórias. Num tempo em que os melhores puros–sangues estão concentrados nos centros de treinamento da região serrana, ele consegue ser uma tremenda dor de cabeça tanto para os colegas com cavalos alojados no prado carioca, como também para os treinadores da elite, na serra fluminense. Competir é com ele mesmo. Todo dia, Jairo Borges é um dos primeiros a entrar com os seus pensionistas na raia, e um dos últimos a sair. Detalhista e exigente, os jóqueis chegam a brigar nos treinos matinais para trabalhar os seus cavalos. Todos são sabedores que ele é sinônimo de fotos das vitórias no winner–circle.
O mais interessante no trabalho de Jairo Borges é o fato de que ele dá oportunidade aos jóqueis menos favorecidos e aprendizes inexperientes. E nem por isso deixa de conquistar as vitórias. Se o profissional trabalhou para ele pode esperar uma oportunidade. “Os guris me ajudam diariamente. Não posso deixar eles na mão na hora das montarias”, fala sempre com o seu inconfundível sotaque paranaense. Íntimo da tabela, malicioso nas inscrições, criterioso no trabalho de raia e atento aos mínimos detalhes na cocheira, Jairo Borges é um profissional importante para os colegas cariocas. Ele é a prova viva de que é possível enfrentar os cavalos treinados com as mordomias dos centros de treinamento.
“O que seria de nós, com os cavalos aqui na Gávea, se não fosse o Jairo? Provavelmente os cavalos iriam todos embora”, questiona Breno Piovesan, também treinador e admirador confesso do trabalho do colega. “A maioria dos cavalos do turfe carioca está concentrada nas mãos de quatro ou cinco treinadores dos centros de treinamento. E por isso fica tão difícil formar os páreos. Eles evitam, quando é possível, que os proprietários se enfrentem entre si. E estão certos. Mas, vez por outra, o Jairo passa o cerol na turma da serra também. E aí, os proprietários mantêm os seus cavalos por aqui. Passam a ter esperança e a confiar na possibilidade de ganhar corridas com os cavalos aqui no hipódromo. Ele é peça fundamental com o seu resultado expressivo para a turma do prado. Ele resgata a credibilidade do trabalho de todos nós”, analisa Breno Piovesan.
por Paulo Gama |