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Março | 2015

Raia Leve entrevista candidatos à Presidência do Jockey Club do Paraná
12/03/2015 - 09h33min



Paulo Pelanda - Roberto Hasemann

No próximo sábado, 14 de Março de 2015, os sócios do Jockey Club do Paraná possuem um compromisso dos mais importantes. Em um momento em que as corridas estão paralisadas, o JCP está com sua carta patente cassada pelo Ministério da Agricultura segundo o ex–ministro Iuri Geller, “frente o descumprimento de normas e procedimentos decorrentes de lei e regulamentos e ante a flagrante reincidência de infrações e cominações de sanções”, os sócios da entidade paranaense tem a responsabilidade de escolher um candidato que irá conduzir a mesma pelos próximos três anos com a missão de reativar o turfe paranaense e iniciar o processo de colocar o JCP em seu devido lugar. Diante disso, o site Raia Leve resolveu abrir a discussão e ouvir os dois candidatos à presidência, Paulo Pelanda e Roberto Hasemann.

Nas entrevistas, os dois discorrem sobre vários temas, desde a motivação de cada um para concorrer ao cargo, seus históricos e planos, suas chapas, suas propostas e seus objetivos à frente do JCP. Vamos, então, às opiniões e posições dos dois candidatos para o conhecimento de nossos leitores, dos turfistas em geral e principalmente dos sócios do Jockey Club do Paraná.

RL – Fale a seu respeito, seu inicio no Turfe, as razões que o levaram a aceitar a candidatura e a razão pela qual deseja conduzir o JCP nos próximos 3 anos.

Paulo Pelanda – Tenho 52 anos, sou empresário, e turfista de berço. Comecei a frequentar o mundo turfe aos três anos de idade, quando o meu saudoso pai, Guido Irineu Pelanda, fundou o Haras Rio Iguassu, que até hoje é símbolo da paixão familiar pelos cavalos. Hoje contamos com 60 produtos, entre animais em campanha e éguas de cria. Entre 2008 e 2013 fui presidente do Jockey Club Fazenda Rio Grande, que hoje realiza, por ano, cinco grandes prêmios, com mais de R$ 320.000,00 em prêmios. Mas quero frisar que a minha candidatura presidencial ao JCP, triênio 2015–2018, somente se viabilizou graças a uma grande união de criadores, proprietários e turfistas em geral.

Roberto Hasemann – Sou advogado, tenho 50 anos e freqüento o Jockey Club do Paraná desde 1973, quando assisti a vitória do cavalo Oldak no Grande Prêmio Paraná. Meu pai, Siegfried Hasemann Filho, é proprietário de cavalos PSI desde 1963, ano em que adquiriu Cadete Orion e manteve sob treinamento de Elídio Pierre Gusso.

Aceitei com minha equipe, mais uma vez, o desafio de reerguer o JCP neste difícil momento em que a entidade se encontra. Não foi muito diferente em 2006, quando, por renuncia de presidente e vice, tivemos de enfrentar aquele cenário tenebroso. Naquela época, não existiam receitas extra–turfe e os custos fixos e operacionais sufocavam o caixa. Com planejamento e trabalho saímos daquela situação e entregamos o Clube em 2011 com uma condição promissora.

Hoje o JCP possui condições claras de se reerguer. O Empreendimento Shopping Center – conquistado em nossa gestão – gera desde aquela época uma receita mensal de R$ 200 mil, mantendo os custos fixos e alguns operacionais do Clube. Sem isso, certamente, não teríamos mais os portões abertos e nem atividades diárias no Hipódromo. 

Essa receita externa nos dá condições de focar na atividade turfística e buscar recursos para fomentá–la, o que é a razão principal do nosso grupo.

Baseado em nosso conhecimento jurídico, podemos afirmar que as corridas serão retomadas com brevidade e temos a certeza de que nossa experiência de conduzir o JCP será fundamental para sua continuidade. 

RL – Fale um pouco de sua chapa. Quais são as pessoas que estão com você na busca pela eleição no Jockey Club do Paraná. Na sua chapa, quantos são criadores e proprietários? 

Paulo Pelanda – Tivemos o cuidado e o privilégio de compor uma chapa composta, em sua integralidade, por criadores e proprietários de PSI. São 17 criadores e 15 proprietários, sendo que todos os criadores ali presentes também são proprietários. Tratam–se de pessoas de reputação ilibada, que estão há muito tempo no turfe e que, como eu, se sentem extremamente prejudicados e descontentes com a situação atual do JCP. A Chapa Reconstruir é composta por:

PAULO IRINEU PELANDA Empresário/Haras Rio Iguassu/Presidente

GELSO LUIZ CIMA Empresário/Haras Cima/Vice–Presidente e Diretor Secretário

ROBERTO BELINA Empresário/Stud Yellow River/Vice–Presidente e Pres. Da 

Comissão de Turfe

GILBERTO LUIZ KOPPE Administrador/Cass–Ko Associados/Vice–Presidente – Diretor Financeiro

ALCIBIADES DE ALMEIDA FARIA NETO Membro Aposentado do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná/Stud Zecão/Vice–Presidente – Diretor da Vila Hípica

SILVIO BATISTA PIOTTO Empresário/Stud homônimo/Vice–Presidente – Diretor do Hipódromo

SERGIO JOSÉ BUZATO Empresário/Stud Brothers/Vice–Presidente – Diretor da Sede

JOAQUIN GONÇALO L. A. ROMPANI Médico Veterinário/Stud Don Juan/Vice–Presidente – Diretor de Fomento

JOSÉ CID CAMPELO FILHO Advogado/My Hero Dad Stud/Vice–Presidente – Diretor Jurídico

SONIA GAMA RUBERTI BIRSKIS Advogada/Stud Lara/Vice–Presidente – Diretora Social

RUBENS LUIZ FERREIRA GUSSO Médio Veterinário/Stud JOB/Vice–Presidente – Diretor de Marketing

CONSELHEIROS FISCAIS

ALI ZRAIK JUNIOR Empresário/Stud Ali Dominus

DIVONSIR HAY Empresário/Haras São José dos Pinhais

ODENIR RENE SILVEIRA XAVIER Advogado/Stud homônimo

SILVÉRIO BOGUCHESKI Empresário/Haras SIB

TIAGO BECHER DE MATTOS LEÃO Empresário/Stud AML

CONSELHEIROS CONSULTIVOS

ANTONIO ACIR BREDA Advogado/Stud Florentia e Stud Sigilo

CLEMENTE MOLETTA Empresário/Haras Clemente Moletta

HOMERO OLIVA Empresário/Haras H. Oliva

ÍTALO FERNANDO TROMBINI Empresário/Haras Valente

JOÃO GROSS FILHO Empresário/Haras Áustria

CARLOS TADEU GARBUIO Empresário/Stud Magar

PALMIRO VACCARI NETO Empresário/Stud P.V.

PAULO CESAR BUFFARA BOSCARDIM Médico/Stud Danga

RICARDO SLAVIERO Empresário/Stud Mandrake

SERGIO CARLOS BUCK PEREIRA Empresário/Stud homônimo

COMISSÃO DE TURFE

PATRICIA MARINONI Veterinária/Stud São Judas Tadeu do Iapó

ALEXANDRE ZACARIAS FRARE Empresário/Haras Cifra e Stud Galope

GUILHERME NEGRELO COLAÇO Empresário/Coudelaria Colaço

CARLOS ALBERTO PIOVESAN Empresário/Stud P.V.

OSMAR JOSÉ MULLER Empresário/Stud homônimo

PAULO ROBERTO FERNANDES Empresário/Stud Les Paxá 74

ROMULO AUGUSTO EWALD Administrador/Stud Avanti Tricolori

TIAGO BIANCO GARCEZ CASTELLANO Engenheiro/Castellano Stud e Cass–Ko Associados 

Roberto Hasemann –  Assim como em 2006, montamos uma diretoria jovem e com apoio de conselheiros experientes e conhecedores de Turfe. Todo nosso grupo diretor é ligado diretamente ao Turfe e tem farda registrada. Buscamos também nomear para os cargos, pessoas com capacitação e experiência profissional para tal, formula que já usamos com sucesso anteriormente. 

RL – Em julho do ano passado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento cassou a Carta Patente que autorizava o Jockey Club do Paraná a realizar suas corridas que, portanto, não são realizadas há oito meses. O que isso representou para a história do Clube? Há alguma proposta de sua chapa para a recuperação desta Carta Patente? Porque o senhor acha que o JCP perdeu esta carta patente? Quais foram os prejuízos decorrentes da perca da Carta Patente?

Paulo Pelanda – Em 141 anos de história do Jockey Club do Paraná, as suas corridas haviam sido interrompidas uma única vez, em virtude da 2ª Guerra Mundial, por um curto período de tempo. É do conhecimento de todos que as entidades que não satisfazem as formalidades da lei 7.291, de 19 de dezembro de 1984 se tornam inaptas a organizar e promover corridas de cavalos com exploração de apostas. E, segundo o despacho do Ministro Neri Geller, que cassou a Carta Patente do Jockey Club do Paraná, o motivo determinante foi a “flagrante reincidência de infrações e irregularidades no cumprimento de normas e procedimentos determinados em lei”. Portanto, por puro desrespeito da última gestão às respectivas normas, que norteiam a realização das corridas de cavalo, é que o Ministério da Agricultura cassou a respectiva Carta Patente. Tal desfecho também foi reflexo das conturbadas administrações das duas gestões anteriores. Os prejuízos são enormes, tanto de maneira direta, pela falta de apostas, quanto de maneira indireta, como por exemplo em relação ao desemprego, à insegurança dos profissionais, o esvaziamento de cavalos da vila hípica, e a desmotivação dos proprietários e criadores, que viram–se obrigados a transferir suas atividades para outros hipódromos. A falta de corridas significa a morte do objeto principal de um Jockey Club. Isso leva o turfe a um declínio de difícil reparação. Portanto, a nossa principal proposta é a recuperação da Carta Patente, no menor prazo possível, o que não mediremos esforços para que aconteça. Atenderemos às normas vigentes e solicitaremos a Renovação da Carta junto ao Ministério da Agricultura, já que até o presente momento tal providência ainda não foi tomada, segundo a informação do órgão.

Roberto Hasemann – A perda da Carta Patente é sem duvida o pior capítulo da história do JCP. 

Estamos vivendo este momento ruim. Alguns problemas técnicos somadas a algumas exigências inexeqüíveis por parte do MAPA – como a instauração da Pedra Única, algo que não depende somente do JCP – culminaram em uma decisão que impactou a todos. A união da coletividade turfística paranaense era fundamental. Isso não ocorreu. O que vimos foi um grupo opositor atuando politicamente contra a liberação imediata da Carta Patente e uma Associação de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida do Paraná inerte.

Já estamos mantendo contato com Brasília para a reversão do quadro se eleitos formos. Já verificamos também que toda parte documental solicitada já foi encaminhada pela atual diretoria.

RL – Restabelecida a Carta Patente, quais seriam as primeiras medidas adotadas por você para recuperar as corridas, como um todo, no Paraná?

Paulo Pelanda – A primeira medida a ser adotada é o restabelecimento, pela Comissão de Corridas, de um cronograma, para que sejam retornadas as atividades o mais rápido possível. Para recuperarmos as corridas, buscaremos de imediato a realização das mesmas com pagamento integral dos prêmios, tanto aos proprietários e criadores, quanto aos profissionais. Idealizamos fomentá–las com premiações atrativas, a exemplo de como fizeram os nossos vizinhos a Argentina e o Uruguai. 

Roberto Hasemann – Temos algumas ações a serem tomadas para o aumento do número de animais em nossa Vila Hípica. Diversos proprietários já manifestaram solidariedade, com a promessa de envio de animais para competir no JCP. Também um grupo de investidores já acenou com patrocínio para a reedição do financiamento de animais para novos, pequenos e médios proprietários (Páreo do Caminhão).

Retomaremos as corridas de forma imediata, com premiações pagas rigorosamente em dia. Enquanto fui presidente honrei todos os meus compromissos com os valores decorrentes das premiações.

RL – O JCP possui algumas fontes de receitas (Victoria Villa, Codere, Buffet Belloni, estacionamento, etc) você tem idéia de qual o montante aproximado mensal dessas receitas? 

Quais foram os destinos dessas receitas? Como o senhor destinaria estes recursos?

Paulo Pelanda – Não temos qualquer ideia do montante dessas receitas, assim como quais foram os destinos destas verbas, uma vez que, nem a atual gestão, muito menos as gestões passadas, prestaram contas, e exibiram documentos, nesse sentido. Nunca houve qualquer transparência contábil e financeira do clube, embora isso tenha sido determinado pelo Poder Judiciário em ações passadas. Tais receitas na nossa gestão serão destinadas exclusivamente à atividade fim do Jockey Club do Paraná, ou seja, às suas corridas – sem prejuízo de investimentos na área social. 

Roberto Hasemann – Quando presidente, as receitas mensais eram provindas do Shopping Center e dos alugueres e parcerias citadas na pergunta. Isso na época totalizava cerca de R$ 250 mil/mês. O recurso é pequeno se pensarmos em todos os custos fixos, operacionais e principalmente de corridas via satélite. Mesmo assim, na minha gestão, mantive os salários, fornecedores e tributos em dia e honrei os pagamentos dos prêmios das corridas. Daqui para frente teremos que enfrentar o atual endividamento, buscar novas fontes de receitas e investir na atividade turfística, que é a razão maior da nossa existência.

RL – Como você enxerga a atual situação vivida pelo Jockey Club do Paraná?

Paulo Pelanda – Como todo turfista paranaense, visualizo uma situação de caos total, e sem qualquer perspectiva de mudança, caso o Jockey Club do Paraná siga sendo administrado desta maneira. O próprio cenário da vila hípica, que hoje, em grande parte, corresponde a paredes quebradas, fala por si só. Nos últimos anos houve um êxodo de profissionais, animais e proprietários para outros centros, e a cassação da Carta Patente completa esse cenário sem qualquer tipo de alento para a comunidade turfística local. E não bastasse isso, os escândalos envolvendo a atual diretoria do JCP mancham o nome do Clube perante à sociedade paranaense. Não pretendo ser pernóstico, mas, francamente, enxergo nas eleições do sábado o último suspiro do Hipódromo do Tarumã, e isso, caso vençamos. 

Roberto Hasemann – Enxergo o futuro com otimismo. Entre 2006 e 2011 plantamos sementes que hoje estão gerando recursos mensais extra turfe.

Nosso grupo não pensa em poder. Pensamos em trabalho para o nosso JCP galgar cada vez mais o seu espaço local, nacional e internacional. 

RL – Hoje o Jockey Club do Paraná abriga em suas dependências uma loja da franquia Turff Bet & Sports Bar, ou seja, da CODERE. Em janeiro deste ano o Jockey Club Brasileiro alcançou os piores números de captação de apostas em sua história, e não por coincidência também houve, no JCB, o estabelecimento de uma parceria com a CODERE. Se eleito, qual será a sua postura em relação à parceria firmada entre o JCP e a CODERE?

Paulo Pelanda – Da mesma forma, face a falta de transparência da atual administração do JCP, não temos qualquer ideia da minuta desse contrato firmado entre JCP e CODERE. Não temos conhecimento de valores, formas de pagamento, repasses, comissões etc. A exemplo do que acontecerá com os outros contratos comerciais vigentes em nome do Clube, iremos analisá–los, um a um. E no caso deste contrato, em especial, vamos examiná–lo analiticamente, no menor intervalo de tempo possível que já nos permita identificar se o movimento da nossa casa de apostas é afetado negativamente pela loja da CODERE, ou se do contrário, a sua presença é salutar para o JCP.

Roberto Hasemann – Diferente do JCB, onde a concorrência é direta, no JCP parceria com a CODERE vem complementar ao turfista e apostador. É uma opção a mais de entretenimento. 

Vamos sim buscar junto a CODERE um apoio maior para o fomento de nossas corridas e modernização de nosso Hipódromo. 

RL – Dentre as propostas de sua chapa, destaque as três principais.

Paulo Pelanda – Como não poderia deixar de ser, nossa proposta primordial é retomarmos as corridas no Tarumã, com o reestabelecimento da Carta Patente. Afinal de contas, o que é o Jockey Club sem corridas? Concomitantemente, nos propomos a equilibrar as despesas e as receitas do clube, numa administração profissional e sem qualquer interferência, ou prevalência, de interesses individuais. E, como nossa terceira principal proposta, desenvolveremos maciços investimentos na, hoje inexistente, vida social do clube, e em planos de marketing direcionados ao público leigo, para que tenhamos, como resultado, um aumento de público, e consequentemente de apostas, em nossas corridas. 

Roberto Hasemann – Retorno imediato das corridas locais;

Construção do Empreendimento Shopping Center, do qual o JCP é sócio–proprietário;

Reclassificação do Grande Prêmio Paraná, como prova de Grupo 1.

RL – O turfe brasileiro sofre de uma crise crônica em seus mais diversos setores, sobretudo no que se refere à renovação de seu público, e ações de marketing dirigidas às pessoas não turfistas. 

Nesse aspecto, quais são as suas propostas para que o Jockey Club do Paraná, na hipótese de retomar suas corridas, também cresça em público, e movimento de apostas? O senhor tem algum projeto específico para formar novos turfistas e/ou recuperar os antigos turfistas?

Paulo Pelanda – Estamos presenciando o esvaziamento dos hipódromos. O turfe está enfrentando uma crise onde pesa o insuficiente número de apostadores para gerar mais apostas, portanto, precisamos aumentar o número de adeptos das corridas e dos freqüentadores do hipódromo, como respondido na pergunta anterior. A nossa proposta, a exemplo de hipódromos internacionais, é apresentar novas opções de entretenimento, relacionadas às próprias corridas, assim como investir em marketing, com o intuito de atrair um novo púbico. Temos, ainda, que resgatar o antigo turfista, seja aquele apostador que não mais frequenta o JCP, porque não há mais corridas, seja o criador, ou proprietário, que poderá se sentir atraído com a retomada dos bailes, e demais atividades sociais que fizeram do JCP um dos espaços mais concorridos da sociedade paranaense. Vamos buscar estabelecer parcerias púbicas para otimizar o uso das áreas verdes e ociosas do clube. Pistas de caminhada, espaços para espetáculos, eventos sociais e esportivos em geral. Buscar uma integração com toda a comunidade turfística.

Roberto Hasemann – Nacionalmente, precisamos de um novo formato para a atividade. Precisamos deixar o Turfe mais atrativo. Precisamos do apoio do poder público. No JCP, nossa Diretoria de Marketing atuará diretamente na busca da tão sonhada renovação de público. Agregaremos ao Turfe novas atividades sociais, culturais, gastronômicas e esportivas. Tudo isso na busca de ter uma opção de entretenimento mais atrativa que os parques, praças, shoppings, TVs a Cabo, Internet e outras atividades do povo curitibano.

RL – O turfe tem perdido, ano após ano, espaço na mídia. O senhor tem algum projeto para divulgação do turfe paranaense, fora do meio turfístico? 

Paulo Pelanda – Sem dúvida. É nossa intenção termos uma relação estreita com os veículos consumidos, e acessados, pelo público que fica do lado de fora dos muros do Jockey Club. Rádios, sites, jornais, enfim, hoje existe uma lacuna entre o mundo do turfe, e estes transmissores de informação em massa. E acredito que a própria campanha da nossa chapa deixa isso claro, pois em questão de poucas semanas houve uma grande repercussão da nossa iniciativa na grande mídia, como no canal de televisão Mercosul e na Rádio CBN. E depois de nossa vitória, esse acompanhamento dos veículos de massa não irá parar.

Roberto Hasemann – Conforme resposta anterior, vamos agregar valor ao dia de corrida. Aliado a isso, manteremos uma constante assessoria de imprensa, forte ação de marketing digital e divulgação coligada com os mais diversos eventos a serem realizados nas dependências sociais do JCP – por nos reconstruídas.

Investir em propaganda requer condições financeira que os clubes de corrida hoje não têm.  Precisamos ser criativos para atrair o público. Em 2009, homenageamos os 100 anos do Coritiba Football Club. Aquele evento fez com que desfilássemos com um cavalo de corrida dentro de um estádio de futebol, no intervalo de uma partida. O resultado foi cerca de 3 mil expectadores no dia de corrida. 

RL – Em janeiro deste ano, a Promotoria de Justiça e Proteção Ao Meio Ambiente da Comarca de Curitiba conseguiu uma liminar na justiça (Ação Civil Pública nº 0037630–81.2014.8.16.0001 da 5ª Vara Cível de Curitiba) para que fossem paralisadas, e demolidas, intervenções feitas pelo Jockey Club do Paraná em seu patrimônio tombado, ou seja, obras ilegais que vinham sendo manejadas no terreno do Clube. O que você pensa a respeito do fato? Se vitorioso, qual será o tratamento que você irá dar à questão? 

Paulo Pelanda – É do conhecimento de todos que por decisão judicial estão proibidas novas construções nas áreas tombadas do Jockey Club do Paraná. Segundo a decisão, fica autorizada apenas a demolição do que já foi construído de forma irregular na área. Tais obras já tinham sido autuadas, embargadas e multadas pela Secretaria Municipal de Urbanismo, vez que em total violação às normas que regulam o tombamento do cube. O Ministério Público argumentou que “ao se permitir a descaracterização de bens que representam o patrimônio histórico, estar–se–á afrontando não só a legislação que tutela a matéria, como também a Constituição Federal de 1988”. A Justiça, além de fixar multa diária em caso de descumprimento da decisão, também determinou à Coordenação de Patrimônio Cultural do Município a promoção de fiscalizações regulares, no intuito de certificar–se do cumprimento da decisão judicial. Diante de tantas irregularidades fica desnecessário tecer qualquer comentário a respeito, a decisão judicial por si só explica a má–fé praticada pela atual gestão.  A lei tem que ser cumprida e respeitada, temos que atender às normas que regulam o tombamento do clube. Sendo que, uma das nossas propostas é preservar a memória do clube, conservando o patrimônio histórico e cultural, como seu acervo de obras e documentos.

Roberto Hasemann – Não participamos destas definições de locais. Sabemos que o local de construção do Tattersall foi definido entre JCP e a ACPCCP. Esta construção é de responsabilidade dos investidores do Shopping Center e de total incumbência da ACPCCP, restando ao clube simplesmente ceder o terreno para tal projeto. 

Se eleitos, vamos buscar resolver de forma rápida todas as pendências sobre o assunto.

RL – Em 2012, durante o Grande Prêmio Paraná, o Jockey Club do Paraná sofreu com aquele que talvez tenha sido o maior escândalo envolvendo a questão do doping, na história do turfe brasileiro. Seis animais foram desclassificados, sendo um no GP Paraná e outras três éguas no Clássico Primavera. Para que situações como aquela não se repitam, em termos de Comissão de Turfe, dos seus componentes, e do pessoal de serviço de veterinária e repressão ao doping, o que você apresenta? 

Paulo Pelanda – Realmente, foi o maior escândalo da historia do turfe paranaense, em termos de corridas, no qual as pessoas envolvidas, fossem elas profissionais, ou proprietários, não foram até hoje responsabilizados e penalizados pela atual diretoria. Em repúdio a tais incidentes a nossa proposta é dar maiores garantias ao controle antidopagem. O exame antidoping deve respeitar o Código Nacional de Corridas, tanto na sua realização como, na penalização dos infratores, o que não poderia ser diferente. A nossa Comissão de Corridas é composta por pessoas íntegras com historia e experiência em matéria de comissão de corrida, sem qualquer interesse direto nas relações da via hípica. Aliás, perceba que na chapa adversária a Comissão de Corridas sequer conta com um Médico Veterinário responsável pelo controle, e repressão, ao doping. 

Roberto Hasemann – Quando fui presidente, minha equipe cumpriu com rigorosidade o CNC. Não será diferente desta vez. Como advogado, seguirei as normativas e os procedimentos que se fazem necessários para a devida apuração dos fatos ligados a qualquer contraversão durante a realização das carreiras.

Minha primeira experiência como dirigente turfístico foi justamente na Comissão de Turfe. Minha equipe terá meu acompanhamento e respaldo direto. 

RL – Há pouco se falou em Grande Prêmio Paraná, e, como o JCP não está autorizado a realizar corridas, desde julho do ano passado, a prova deixou de ser realizada pela primeira vez depois de 48 anos, em 2014. Também muito se comenta sobre a perda da graduação de Grupo I do páreo. 

Diante desse quadro, qual a sua proposta para recuperar a realização, e o prestígio, de uma corrida tão importante como essa? 

Paulo Pelanda – O Grande Prêmio Paraná pela primeira vez em 48 anos deixou de ser realizado por total irresponsabilidade e desrespeito da atual gestão. E como bem alertado na pergunta, a diretoria do JCP manchou o nome de uma instituição, ao permitir que a única corrida de Grupo 1 do seu calendário perdesse essa graduação. Indo além, é visto que esse ato de total negligência prejudicou o próprio turfe brasileiro, porque como é sabido, nós, ao lado do Jockey Club do Rio Grande do Sul, detínhamos as duas únicas corridas de Grupo 1, em pista de areia, do país. Todavia, conforme dito anteriormente, não mediremos esforços para renovar a Carta Patente do Jockey do Paraná, e por consequência retomaremos o calendário com JCP, com a realização, obviamente, do GP Paraná.

Roberto Hasemann – A não realização do G.P. Paraná foi um golpe profundo na coletividade turfística. 

Quando assumimos em 2006, vínhamos de duas edições realizadas em dias de semana, com transmissão apenas pelo JCSP. Isso na época foi muito doloroso, pois o domingo era tradicional e o publico não correspondeu a mudança.

Logo no primeiro G.P, conseguimos a data exclusiva de Domingo, com transmissão pelo JCSP e JCB. Foi um sucesso de público e renda.

Recolocamos o Grande Prêmio Paraná no seu devido lugar. Realizamos em 2009 uma festa inesquecível, com a vitória do melhor cavalo da América do Sul na época, Mr. Nedawi. Esse evento teve a parte social viabilizada por venda de convites e ainda com renda destinada a instituições de combate a doenças renais. 

Em 2010, o jornal Gazeta do Povo, o mais conceituado periódico paranaense, destacou que o G.P. Paraná 2010 teve o maior público das ultimas décadas.

Enfim, tivemos eventos com recorde de público, cavalos de alta graduação e robustas premiações. 

Vamos em busca novamente do Grupo 1, com apoio da coletividade turfística nacional.

RL – Além do Hipódromo do Tarumã, o Paraná conta com outras instituições promotoras de corridas, como o Hipódromo de Uvaranas (Ponta Grossa), e as canchas retas da Lapa e Fazenda Rio Grande. Se eleito, como você pretende conduzir a relação do JCP junto a estes hipódromos? 

Paulo Pelanda – Os hipódromos que você citou, além de outras canchas retas, no interior do Estado, por exemplo, são de extrema importância para o Jockey Club do Paraná. Todos sabem de que há um fluxo recíproco de animais, de acordo com suas características e enturmações. Se o JCP vai bem, seus co–irmãos locais vão bem também, e vice–versa. E fico muito contente em poder afirmar que estamos sendo apoiados pelas diretorias de todos os hipódromos, e canchas retas, oficiais do Estado do Paraná. 

Roberto Hasemann – Quando fui presidente subsidiei o frete de animais vindo de Uvaranas para competir no JCP e deixei de formar corridas quando das proximidades da festa máxima de Uvaranas. Não será diferente desta vez.

Voltarei a realizar o Turfe Paranaense, prova de cancha–reta, que foi sempre um sucesso. Para tal a participação dos proprietários e parceria das entidades da cancha–reta são fundamentais.

RL – O senhor tem recebido apoio de profissionais e proprietários? O senhor poderia citar os profissionais e proprietários que apoiam sua candidatura?

Paulo Pelanda – Sem qualquer intenção de ser pedante, te digo que se fôssemos indicar, um a um, os profissionais e proprietários, de todo o país, que diariamente manifestam seu apoio à nossa chapa, essa resposta seria maior do que a entrevista inteira (risos). Além do mais, correríamos o risco de esquecer deste, ou daquele, nome, e aí estaríamos sendo injustos com tantas pessoas que tanto nos têm ajudado.

A situação é tão alarmante que até mesmo profissionais relacionados a pessoas da chapa contrária estão nos apoiando. E creio que isso é compreensível pois, tanto os profissionais, quanto os proprietários, têm como sua razão de existir, dentro de um Jockey Club, as corridas. E essas duas classes possuem plena consciência de que a única maneira de que as corridas sejam retomadas, e a administração salutar do clube, com aumento e pagamento de prêmios, dentre outras ações similares, aconteça, é com a vitória do nosso grupo.

Roberto Hasemann – Quando fui presidente deixei o clube com uma aprovação dos associados e profissionais, de mais de 90%. Seria impossível citar tantos apoios formais e, principalmente, informais que recebemos. São centenas de ligações e emails que repercutirão diretamente nos votos obtidos no próximo dia 14.

RL – O Raia Leve agradece e pede que deixe o último recado para os seus leitores. 

Paulo Pelanda – Ao invés de um recado, eu gostaria de agradecer, na figura dos leitores do Raia Leve, toda a comunidade turfística brasileira, por todo o apoio manifestado desde que nós decidimos concorrer à presidência do JCP. Digo que, independentemente do resultado de sábado, foi de uma enorme satisfação rever velhos amigos, agora engajados na campanha, e também conhecer novos rostos, e turfistas, que igualmente contribuíram para a nossa campanha. A experiência que estamos vivendo em nosso comitê, no qual figuras tão importantes do turfe paranaense dão as mãos, diariamente, como há muito não se via, é algo que, além de tudo, nos emociona muito. Aos meus companheiros de chapa também não poderia me furtar em agradecer, pois sempre prevaleceu, em nosso grupo, a união e a fidelidade. Por fim, como despedida, eu me comprometo com os leitores desse site em não deixar que essa entrevista se converta em promessas vazias, e não cumpridas, a exemplo do que aconteceu com as promessas feitas nesse mesmo site, há 4 anos, pela atual diretoria do JCP, na figura de seu presidente. Vamos reconstruir o turfe do Paraná. 

Roberto Hasemann – Sabemos como fazer um TURFE GRANDE no Paraná. Estamos acostumados as adversidades. Minha equipe é qualificada e está preparada para mais uma vez recolocar o JCP nos trilhos do crescimento. Queremos um JCP fortalecido para as futuras gerações. Otimismo e muito entusiasmo nos conduzirá a vitória. Obrigado a todos que nos apóiam.

da Redação



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