Mais uma sexta–feira sem corridas no Rio de Janeiro. Sexta–feira 13. A determinação da presidência do Jockey Club Brasileiro para só serem realizados páreos com um número maior do que seis concorrentes têm proporcionado, semanalmente, que provas de nível técnico interessante acabem na lata de lixo da Secretaria da Comissão de Corridas. O sorteio das balizas dos cavalos, na segunda–feira, anteriormente era público. Agora só conta com a presença do presidente da Associação de Profissionais de Turfe do Rio de Janeiro, Jaime Aragão, e dos representantes da Comissão de Corridas, Vicente Brito e Maira Frederico. E, na verdade, eles pouco podem fazer. Precisam organizar a programação seguindo a determinação ditatorial de não permitir que páreos com poucos animais sejam dados.
O resultado da obediência a esta arbitrariedade é o pior possível. Os páreos são juntados, machos com fêmeas, e perdedores com ganhadores de uma vitória, por exemplo, para proporcionar número acima de seis concorrentes. O prejuízo é nítido e absurdo para os proprietários de cavalos de corrida. Os profissionais, consequentemente, também são atingidos, pois vivem das comissões. O objetivo desta iniciativa, com certeza, deve ser diminuir o prejuízo do clube com a não realização de uma reunião semanal. Na falta de competência para diagnosticar outras soluções, esta foi à saída encontrada. A desculpa para a falta de criatividade talvez seja a diminuição do rebanho de equinos no País. Este fato é verdadeiro, mas não suficiente para justificar tamanha lambança na formação dos páreos.
Alguns dos melhores hipódromos do mundo, entre eles, o de Santa Anita, na Califórnia, organizam páreos equilibrados com seis ou, em alguns casos, apenas cinco competidores. O que se vê são provas emocionantes, com disputas calorosas e vibração do público. O movimento de apostas é sempre fantástico. Só mesmo quem entende muito pouco de corrida de cavalos pode considerar atraentes para os apostadores a realização de páreos numerosos, com largadas perto da grande curva e cerca móvel de 12 metros na raia de grama. O turfista está bem longe de ser trouxa.
O que me causa surpresa é a inércia dos proprietários, que gastam uma nota para pagar o trato e manter os seus animais. Será que eles não percebem o fato de estarem sendo prejudicados deliberadamente? E, para breve, a coisa deve piorar. Antes da virada da idade dos puros–sangues, os dirigentes cariocas querem importar o esquema de programação do turfe chileno. O negócio é tão complicado, que mais parece “o samba do crioulo”, do saudoso Stanislaw Ponte Preta. A diminuição da escala de peso dos cavalos, de acordo com as colocações obtida nas competições, vai ser um convite à volta de tempos obscuros, com páreos manipulados. Quem viver verá...
por Paulo Gama