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Março | 2015

Raia Leve publica defesa do titular do Haras Basano apresentada à ABCPCC
09/03/2015 - 15h43min

José Basano Netto, titular do Haras Basano, enviou ao Raia Leve, para publicação, cópia da sustentação que fez na última quinta–feira na sede da ABCPCC quando compareceu acompanhado de seus advogados no âmbito de um processo de suspensão movido contra ele por aquela Associação. A ACPCPSI entende ser este um assunto de interesse da comunidade turfística visto que envolve questões inerentes aos criadores, além de afetar diretamente um grande proprietário e criador do agonizante turfe paulista. Diante disso, resolve publicar o texto recebido, bem como se coloca à disposição da ABCPCCC e de qualquer outro envolvido à utilizarem o espaço da ACPCPSI em relação ao assunto.

 

 

Aos Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida e Turfistas em Geral.

 

                              Na qualidade de um dos três maiores e mais antigos criadores do Estado de São Paulo, venho denunciar aos órgãos competentes a pusilanimidade que estou sendo vítima da família Coutinho Nogueira “os Bonifácios”, famosos e quatrocentões.

 

                                           Como é sabido, essa prole, que se auto–intitula de família nobre, infelizmente ao contrário da glória de seus antecessores, possui um DNA mesquinho, recalcalcado, absolutamente antagônico às pessoas notáveis e glamourosas, vem tomando conta do turfe no Estado de São Paulo, provocando um imenso prejuízo na atividade agropecuária como um todo, levando–a à bancarrota, tornando–a inviável, transformando um antigo esporte dos reis em um aglomerado de mendigos e meliantes, salvo, em evidência, raras e honradíssimas exceções.

 

Vamos aos fatos:

 

                              O Haras Basano, em 24/04/14 realizou um leilão de sua produção, sendo encartadas no catálogo as condições do mesmo, e a agência promotora do evento inseriu as condições de compra e venda nos mesmos moldes dos leilões da ABCPCC, conforme era usual desde a época do Dr. Afonso Burlamaqui ; no acerto do leilão, o Stud Alvarenga devolveu dois produtos, alegando que os mesmos eram defeituosos, transgredindo todas as normas de praxe, mesmo com os laudos dos respectivos veterinários atestando que os mesmos eram perfeitos.

 

                                           Mas o Sr. Coutinho Nogueira, um “Bonifácio”, proibiu que o Sr. Ricardo Ravagnani tratasse com o Sr. Álvaro Novis da conclusão da venda, alegando que a ABCPCC seria estranha ao fato e que o Sr. Novis era uma pessoa séria e amiga do Dr. Quintella e essa absurda postura contraria todos os princípios das associações de cavalos desde a sua fundação, mostrando um total desrespeito e imaturidade para ocupar o cargo que ocupa. Diante dessa aberração, ameaçou o funcionário Ravagnani que, se insistisse na composição o demitiria. X xxxxxxxx x xxxxxx xxxxx xxx xx xxxxxxx x xxx xxxxxxxx xxxxxxxx xx xx xxxxxxx xxxxxxxxxxx xxxxxxxxx xxxxx xxxx xxxxxxxxxxx xx xxxxxx xx xxxxxxx x xxx xxxxxxxxxxxxx xxxx xxxxx xxxxxxxxxxx xx xxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx, xxxxxxxx xxxx x xxxx, xxx xxxxx x xxxxxxxx xx xxxxxxx xxxxxxxxx xx xxxxxxxxx.

 

                                           O Haras Basano, como associado, insistiu diversas vezes para que a ABCPCC cobrasse dos Jockeys Clubes inadimplentes os seus direitos de criadores e simulcastings, e deixando claro que se a ABCPCC não o fizesse, que desse um ofício para o Ministério da Agricultura, a fim de agilizar a cobrança, comunicando o ocorrido. Mas lamentavelmente o presidente da ABCPCC (Sérgio Cotinho Nogueira) é primo–irmão do presidente do Jockey, conhecido “Scalper” da Bolsa de Valores de São Paulo, seu filho é tesoureiro , seu irmão é diretor do Jockey e a revista Turfe em Cidade Jardim, responsável pela divulgação das notícias, dos programas e das ocorrências nos meios turfísticos, é de sua propriedade com outra prima, outra “Bonifácio” mulher de Carlos Eduardo Vaz Guimarães, caracterizando–se o cartel mais vergonhoso desde a história da fundação do Jockey Clube de São Paulo, que por pura vaidade querem o poder, achando–se importantes.

 

“Que lástima”!

 

                                           Além desses fatos gravíssimos, a fim de irritar mais o criador que esta subscreve, monocraticamente impediu que fossem dados os seguintes nomes de produtos de sua criação, a saber: Farabuto Horácio, Fesso Ricardinho, Eduardo Ladri, Finochio Sérgio, numa autêntica demonstração de destempero, obrigando o funcionário Dr. Sales, superintendente do Stud Book Brasileiro, a recusar estes nomes, e continuando a sua doentia administração, proibiu que esse mesmo senhor fornecesse a relação dos diretores da ABCPCC, indicando individualmente os cavalos que mantinham em corrida e as éguas de seus plantéis. Essa relação seria necessária, pois embasariam a sustentação oral a ser feita na ABCPCC no dia 05/03/12, mostrando que cavalo de corrida é para quem tem recursos, quem não tem cavalo de corrida ou égua de cria não pode ocupar cargos nas associações que tratam dos problemas eqüinos, pois não tem a mínima noção dos custos da respectiva criação e fazem parte das diretorias por mera vaidade, pois o dinheiro não arde em seus bolsos.

 

                                           Os Cartéis, principalmente os familiares, são considerados a mais grave lesão à concorrência e prejudicam consumidores ao aumentar preços e restringir oferta, tornando os bens e serviços mais caros ou indisponíveis, pois ao artificialmente limitar a concorrência, seus membros prejudicam a inovação, impedindo que novos produtos e processo administrativos surjam no mercado. 

 

                                           Em suma esse ranço prejudicial resulta em perdas de bem–estar do consumidor e, em longo prazo, também perda da competitividade da economia como um todo.

 

                                           No Brasil, assim como em quase todos os países civilizados onde há leis antitruste, os cartéis são considerados crimes e além de infração administrativa, tal prática também configura crime no Brasil, punível com multa ou prisão de 2 a 5 anos em regime de reclusão. De acordo com a Lei (revogada) de Crimes contra a Ordem Econômica (Lei nº 8.137/90), essa sanção pode ser aumentada em até 50% se o crime causar grave dano à coletividade.

 

                                           Há tempos fiz diversas sugestões: uma delas seria separar o criador de cavalo de corrida do carreirista, ou seja, aquele que só se interessa por correr seus cavalos, tendo obviamente seus interesses conflitantes. O criador pretende vender pelo preço maior de mercado, ao passo que o carreirista pretende comprar pelo menor preço possível. Evidentemente existem pessoas que criam e correm os cavalos, o que não impede que façam parte das duas associações.

 

                                           Tenho debatido em diversas matérias já publicadas que não há condições de o Jockey Clube de São Paulo sobreviver perdendo R$30 milhões anualmente. Quando da Assembleia que deu origem a esta sindicância, o Sr. Sérgio, como todo “Bonifácio”, me traiu descaradamente pois tinha conhecimento das várias indagações (pauta em anexo) que faria na Assembleia e preveniu seu primo–irmão, que a fim de tumultuar e não responder às indagações, trouxe uma tropa de choque que nem sócios eram da ABCPCC, com a finalidade de não responder às perguntas, impedindo–me de fazer as reivindicações previamente pautadas e dadas em mãos dos membros da Diretoria da ABCPCC.

 

                                           Em 11/12/13, dirigindo–me ao Jockey Clube de SP, na pessoa do Sr. Eduardo da Rocha Azevedo, com cópia ao Sr. Ricardo Monteiro de Barros Vidigal, Carlos Eduardo Coutinho e Sr. Sérgio Coutinho Nogueira, fiz as seguintes indagações (cópia da carta em anexo).

 

1.      Demonstrativo analítico de Receitas e Despesas no período da gestão de Vossa Senhoria, anotando como detalhe de relevo que segundo suas próprias palavras há um “déficit” de R$ 12 milhões com as corridas de cavalo, enquanto o Jockey Clube do Rio de Janeiro, com movimento maior e folha de pagamento menor perde R$ 26 milhões publicados em seu balanço.

 

 

Esclarecer, em detalhes de forma contábil e comprovada:

 

 

2.      Quanto era a folha de pagamento da gestão anterior e da atual.

 

3.      Quanto custará ao Clube os parcelamentos Tributários e demais parcelamentos em sua gestão, e qual o prazo e duração dos pagamentos.

 

4.      Quanto era a receita total da sede da Rua Boa Vista à época e sua venda, e quanto efetivamente entrou no caixa do clube, pois quando estive pessoalmente na Presidência, Vossa Senhoria falava ao telefone com Benjamin Steinbruch e dizia que havia entrado R$ 26 milhões em dinheiro no caixa.

 

5.      Quanto custa mensalmente para o clube a equipe do gestor Sr. Horácio Mendonça Netto, seu salário, e de seu assistente (que parece que quem é que trabalha).

 

6.      É dito em alto e bom som que os Srs. Vidigal e Azevedo emprestaram dinheiro ao Clube. Será verdade ou deram aval? Há indício de fraude fiscal, segundo informações, sendo o empréstimo camuflado, através do Tele Turfe do Sr. Vidigal.

 

7.      A partir da gestão da Presidência do Sr. José Bonifácio Coutinho Nogueira até a atual, quem eram os membros do conselho e seus respectivos diretores, que são diretamente responsáveis pela inadimplência do Clube. É bom que se frise que ser conselheiro e diretor de qualquer clube não é somente por vaidade, mas sim implica em responsabilidade pessoal e principalmente patrimonial para arcar solidariamente com as responsabilidades de uma má gestão e seus desmandos (sendo a responsabilidade fiscal extensiva a todos).

 

 

8.      Informar o verdadeiro comprador da sede da Rua Boa Vista, pois há fortes rumores de que um banqueiro armênio, juntamente com advogados e diretores do Jockey, camuflariam a compra e venda da sede, o que foi confirmado com o passar do tempo. O armênio é o Sr. Andranik, que usando um contrato de uma empresa de chineses (Porto Geral Administração, Empreendimentos e Participações SPE LTDA.), aumentou o capital social e usou o direito de preferência conforme estava previsto no edital do leilão. Juntamente com o advogado Kalil, que locava por R$ 100 mil do Jockey Clube de SP e sublocava por R$ 1.200.000,00, contratados pelo Sr. Horácio, negociaram com o Fisco para passar a escritura sem quitar todos os débitos fiscais.

 

                                           Com o passar do tempo, verificou–se que foi feita uma tramóia na venda do imóvel na Rua Boa Vista, como já haviam sido feitas outras tramóias (Tok Stok, contrato de locação) e despesas absurdas com construções irresponsáveis, “zepelim” no Hipódromo de Cidade Jardim, com custo de mais de U$$ 5 milhões, construção na Chácara do Ferreira de um CPD, custando mais de U$$ 10 milhões, venda do posto de fomento. Com isso acabou–se a hegemonia paulista na criação nacional de puro–sangue inglês e consequentemente enterraram o Jockey Clube de São Paulo e se faz necessário apurar as responsabilidades dos envolvidos.

 

                                           Feito esse pequeno histórico da destruição paulista do Jockey Clube, reporto–me a essa absurda sindicância que nasceu com absoluta má–fé.

 

Senão vejamos:

 

                                           Quando do incidente com Rocha Azevedo, em que este subscritor daria sugestões e opinaria nos assuntos referentes à criação para sua conseqüente melhoria tentei em vão demonstrar a todos esses nefelibatas qual seria o caminho correto, ou seja, um turfe sofisticado, glamouroso, freqüentado por figuras notáveis, artistas, intelectuais, industriais sérios de ilibada reputação moral, porque somente com esse modelo conseguiria subsídios para bancar as atividades turfísticas, como é feito na Argentina e EUA, pois no Brasil o turfe nos moldes atuais é altamente deficitário, pois somente sobreviverá com receitas paralelas, patrocínios e principalmente subsídios. Mas infelizmente quando usei a expressão “falta de credibilidade e pessoas qualificadas”, fui interrompido pelo Sr. Rocha Azevedo, conforme sua própria declaração que não aceitava tais afirmativas.

 

                                          Quero dizer que fui extremamente delicado, pois hoje usaria a expressão “o Clube é dirigido por um cartel, cuja principal figura se encontra nas páginas dos principais jornais e revistas, sendo executado por inadimplência de dinheiro emprestado pelo Sr. Pedro Conde (como é possível uma pessoa que presidiu a Bolsa de Valores tomar empréstimo de banqueiros e dirigir uma grande associação sem isenção).

 

                                           Pertinente aos fatos, informe–se de passagem que seu homem de confiança é o mesmo que hoje trazido por suas mãos, sangra os criadores, os proprietários, os apaixonados por cavalos de corrida, administrando de forma primária e sem a mínima noção desde o dia de sua posse, custando aos cofres do Jockey Clube de São Paulo nestes quatro anos  mais de R$ 5 milhões (Eduardo sempre se escusou de dar as informações corretas sobre seu salário, sendo inclusive responsável pela demissão do Sr. Mário Rangel, eleito Presidente da Comissão de Turfe de São Paulo e demissionário, pois não concordava que se desse uma gratificação como foi dada de R$ 300 mil ao Sr. Horácio, discursando para os funcionários do Clube que isso parecia um amor homossexual. Nenhum Presidente da República ou o maior executivo das melhores empresas mundiais ganha tanto. Será que os valores são somente para o Sr. Horácio?

 

                                           Como se pode perceber, houve uma montagem pelo cartel “Os Bonifácios” para calar quem fala a verdade, ama o turfe, se preocupa com os empregos e a parte social da atividade para que não sucumba, sugere diminuição de despesas e denuncia os desmandos ocorridos durante várias gestões que levaram o Clube à insolvência, fatos todos conhecidos e comprovados. Acrescentando ainda que o “feudo” Coutinho Nogueira, na pessoa do Sr. Rocha Azevedo, primo–irmão do Presidente da ABCPCC, é o pior presidente desde a fundação do Clube, tendo a freqüência negativa na área social desde sua fundação. Há pessoas bancando jogo dentro do hipódromo, prejudicando os criadores e proprietários, outros usando drogas nos banheiros das sociais, outros falando palavras de baixo calão, aos berros, espantando o público feminino e principalmente os jovens, que são o alicerce de qualquer atividade bem–sucedida.

 

                                           Para finalizar, este subscritor denuncia um telefonema destemperado e mal–educado do relator desta sindicância, que deve ter sido envenenado pelo Sr. Sérgio Coutinho Nogueira, o mesmo que mandou o Sr. Rocha Azevedo levar na reunião da ABCPCC uma tropa de choque para não ser questionado, pediu–me que ligasse ao Dr. Quintella para que este fornecesse uma cópia dos depoimentos colhidos na sindicância, pois já existia uma outra sindicância do mesmo assunto no Jockey Clube de São Paulo, e vários depoimentos eram conflitantes e que para fazer uma sustentação oral e razões finais numa sindicância tinha de ler os depoimentos de ambos os processos. Mais uma vez ficou demonstrado o cará ter dos dirigentes tentando me indispor e me afastar dos meios turfísticos.

 

                                           Qualquer analfabeto sabe que primeiro se faz uma sindicância e depois se aplicam as penalidades. Tanto o Jockey Clube e a ABCPCC primeiro me suspenderam preventivamente sem abrir as respectivas sindicâncias, o que demonstra o corporativismo familiar para forçar uma falsa verdade.

 

Para encerrar essa falsa sindicância, vamos aos fatos que lhe deram origem.

 

                                           O incidente na ABCPCC ocorreu no dia 07/11/14, a reunião no Jockey Clube que me suspendeu preventivamente foi realizada no dia 10/11/14 e lá foi anexada uma publicação (produzida antecipadamente para forjar provas, feita pela Revista Turfe em Cidade Jardim, que foi comercializada nos dias 13 e 14/11/14, o que prova (sindicância em anexo com todas as documentações) o crime do Cartel.

 

                                           Encerro esta sustentação exigindo que todos os membros da ABCPCC me peçam desculpas pelos transtornos e aborrecimentos a quem defende o Turfe no Estado de São Paulo e que os “Bonifácios” se demitam para o bem do Turfe.

 

Att.

 

 

Jose Basano Netto


Autor: José Basano Netto


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