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Fevereiro | 2015

Raia Leve entrevista o veterinário Emílio Viegas Cásseres de Borba, do Haras Bagé do Sul.
20/02/2015 - 12h34min



Dr. Emílio com a sua Dry Energy

Dr. Emílio, poderia nos dizer um pouco como foi seu início no turfe?

Comecei a acompanhar o Turfe aos 13 anos de idade. Sou natural de Bagé –RS , meu pai é bancário e em 1997 foi transferido para a cidade de Marau no Rio Grande do Sul. Meu pai é primo irmão do Dr. Ulisses Carneiro. Durante as férias escolares, sempre que possível eu visitava o haras, acompanhava cada animal de criação do Bagé do Sul correndo, eu tinha uma planilha com o nome dos animais, (Trancaferro, Jarrinho, Charge Ahead, Uapybo, Severado, Topo do Sul e etc...) data de corrida, como foi o desempenho, etc.  A partir deste contato mais intenso com o haras, foi nascendo em mim o sonho de ser Médico Veterinário e ai claro vir a trabalhar com o PSI, com foco maior na criação, no haras, no manejo, no acompanhamento dos cruzamentos, do desenvolvimento dos potros, e ai por diante. Dr. Ulisses e Dr. Paulo Bergamo (Fazenda Mondesir) foram pessoas que me incentivaram muito, entraram em contato com o Jornal do Turfe na época e este chegava pra mim toda quinta–feira na caixa correio do meu apartamento de Marau. Quando eu chegava do colégio ia direto até ela para pegar o JT. Meus amigos me achavam maluco.

Quando fiz 18 anos e conclui o segundo grau, vim direto pra Bagé, fiz vestibular aqui para estar perto dos Haras, vir nos finais de semana, acompanhar de perto mesmo. Isso foi muito importante.

Conclui a faculdade em 2009 e em 2011 conclui o Mestrado pela UFRGS em Reprodução Equina.

Trabalhar no Bagé do Sul pra mim sempre foi um sonho. O haras sempre foi vitorioso, sempre. Quando entrei no haras e as vitórias continuaram (e continuam) acontecendo a felicidade foi maior ainda, pois você passa a fazer parte de todos estes êxitos também.

Hoje o senhor trabalha no Haras Bagé do Sul, aonde nos últimos anos nasceram alguns dos mais importantes cavalos brasileiros como Plenty of Kicks, Paint Naif, Celtic Princess e outros, sem mencionar os incríveis velocistas criados pelo Stud Alvarenga. Tem alguma história curiosa sobre algum desses animais?

Plenty of Kicks foi destes animais que sempre foram craques, já nasceu bom, nasceu pronto. Quando foi pro Sampaio já começou a confirmar as expectativas. Não ganhou na estreia, mas nem nos preocupamos, estreia é estreia, pegou a pista de areia. Nas seguintes não perdeu mais e todo mundo sabe no que deu, foi craque.

Da geração dele também tínhamos o Poker Face do Dr. Quintella. Tão bom quanto o Plenty, não havia nenhuma dúvida sobre ele também. Como domamos estes animais aqui em Bagé sob os nossos cuidados, acompanhamos os primeiros exercícios. Posso dizer pra vocês que o Poker Face vai ser um grande Garanhão. Na minha opinião ele é maravilhoso, filho do grande Wild Event. Esta alojado aqui no Bagé do Sul, a primeira geração nasceu este ano e é diferenciada.

Uma história engraçada é com o Desejado Put, segunda cria da Super Duda, era bom potro. Durante todo tempo no haras ele foi bom, não excelente, na minha opinião claro. Ele era correto, mas miúdo, não era aquele potro que se sobressaía, mas pela raça, tinha que ser respeitado. Já quase pronto para "subir" para o CT, ainda aqui em Bagé no Haras, um dia entrando no caminhador para o exercício corriqueiro, o cavalariço que vinha puxando o "Put" me olhou e disse: "Dr. Esse potro vai ser uma máquina!", eu claro para não perder pra ele, concordei embora não muito convencido. O que aconteceu todo mundo sabe, grande velocista e até hoje eu brinco com o cavalariço Alexandre.

Desejado Thunder era chamado pelo apelido de "Torinho" pelos Funcionários. Ele tinha um vigor físico desde potrinho impressionante, acabava levando o pessoal por diante.

Quais são os reprodutores com os quais vocês trabalham hoje no Haras Bagé do Sul? Há alguma curiosidade em relação a algum destes animais?

Hoje estamos com o Public Purse, Poker Face, Kodiak Kowboy e Aerosol.

Public Purse está com 21 anos, é antigo na casa, cavalo maravilhoso de lidar, comprovado, manso.

Poker Face como já citei acima, vamos ouvir muito ainda dele.

Kodiak Kowboy é grande cavalo, lindo. Já produziu nos EUA, cobriu éguas boas este ano, o sucesso dele aqui no Hemisfério Sul é garantido.

Aerosol é filho do Public, ganhou o GP Brasil na minha opinião de forma espetacular, disparou com o A. Domingos, fez as 2 primeiras curvas embrabecido. Para esta temporada 2015/2016 ele merece ser mais prestigiado, porque qualidades ele tem, e muita.

Tenho muita saudade do Crimson Tide, esse era um "cachorro" de manso, ele passa isso para os filhos, são muito dóceis, ele é demais, grande cavalo. Hoje está no Haras San Francesco e espero que curta sua aposentadoria.

No Haras Bagé do Sul há inúmeras éguas de grande qualidade em relação à campanha e/ou pedigree. Poderia destacar algumas?

Celtic Princess, maravilhosa, corria demais, nasceu aqui, é da casa, voltou pra casa. Tem um potro sobre ano macho do Tiznow lindo e um potro ao pé do Crimson Tide não menos lindo.

Chanson Pour Julia, também cria do Bagé do Sul, mãe da Old Tune, tríplice Coroada. Está prenha do First American.

Hit Oil, mãe de Capitano Corelli, Alcorano e Brujo de Ojjeros.

Cluelles, mãe do Il Dodge, lider da geração em Cidade Jardim ano passado.

Pour Rafaela, mãe da High Jinks, exportada para os EUA do Jéssica. Essa potranca Lear to Fly geração 2012 que estreou a pouco, é daquelas que nasceram prontas. Vai ser muito boa égua.

Lindy Wells, mãe do Cabecinho (Curlin) que estreou ganhando semana passada.

Além destas ainda citaria Aritmética, Pop Lady (irmã Materna do Poker Face), Lady Pippa ( Filha da Hit Oil), Tana AM, mãe de Tanta Honra e do Tanto Luxo, Formosa, mãe da Addae do Jaguaretê que correu o Turfe Paulista a 15 dias e corre bastante, Phenomenal Baby, mãe do Caborteiro, Norwoods mãe do Jimy Woods, entre outras.

Na sua opinião, qual o grande segredo para o Sucesso do Pensionato do Haras Bagé do Sul?

Existem muitos fatores para ter ou não um bom resultado nas pistas, que é claro o que todo mundo deseja no final das contas. No entanto, certamente entre estes fatores eu citaria desde a qualidade das éguas, garanhões, os campos de criação e clima de boa qualidade, e estes nós temos aqui no haras, mas talvez o principal segredo nosso seja a Equipe. O Bagé do Sul tem uma equipe maravilhosa. Somos liderados pelo Dr. Ulisses Carneiro, ele é o grande regente da orquestra. Da a toda equipe condições para que se produza cada potro como único, ou seja, produzimos um indivíduo e não uma cavalhada.

O Haras tem aparelho de Raio–X Digital, Aparelho de Endoscopia e claro Ultrassom. Estes aparelhos ao nosso dispor são de grande importância dentro da propriedade.

Hoje com a tecnologia, mantemos contato direto com os clientes, com o programa Whatsapp, tiramos fotos, fazemos vídeos dos animais e logo mandamos, assim o proprietário consegue acompanhar mais de perto o desenvolvimento dos seus potros e éguas. Acaba nos deixando mais próximo dos clientes.

Qual foi a sua maior alegria no turfe?

Olha, já tive muitas alegrias desde que entrei pro haras, muitas vitórias, o nosso time é muito forte, a equipe Bagé do Sul é muito boa. Para citar alguns, tivemos o Plenty of Kicks tríplice Coroado, Holding Glory, Hawk´s Eyes, Desejada Duda, Desejado Thunder, Poker Face, Desejado Put, Brujo de Ojjeros, Belo Purse, Great Hot, Great Warrior, Negro da Gaita e mais recentemente o Paint Naif e Janurary Jones.

Mas para te responder sinceramente esta pergunta, a maior alegria foi como proprietário. Montamos um Stud em 2012 chamado Stud Bem Amigos (deveria ser 0800 porque só recebia animais, todos de presente), os componentes são Eu, Dr. Carlos Borges, colega do Haras, e nosso Secretário Edgar Calcagno. O primeiro animal veio do STUD GAETA e aproveito para já mandar um agradecimento ao Gaeta nosso amigo, ele que começou nosso STUD com a égua BallCat. Esta correu umas 3 conosco, depois teve problemas de casco e parou. Ai, o Sr. Danneman, da Coudelaria Jessica, nosso cliente também, nos deu a Heroine Supreme, essa uma Crimson Tide. Sr. Danneman nos ajudou muito, só tenho a agradecer a ele também já que após esta nos deu também o Hotter than You que foi bom cavalo em POA e inclusive voltou ao Rio e ganhou uma. Voltando a Heroine Supreme, a maior alegria foi com ela. Foi a primeira vitória minha (com os parceiros claro) no turfe. Foi no dia 16 de agosto de 2012, data do leilão de potros da Coudelaria Jessica e Dr. Ulisses no JCRGS. Estávamos com muitos amigos, era o primeiro páreo do programa, 1.100m areia, estreia dela. Sabíamos que era de pouca carreira, era leve, pesava uns 420 kg, treinada pelo Gerson Fernandes... Ela nunca animou nos trabalhos, já veio do Alemão Sampaio avisada. Alemão me dizia: "Emílio ela é bonitinha, toda corretinha, mas não foi feita para carreira". Essas histórias são legais! Mas a esperança era grande e era a última que morria. No dorso Lu. Andrade. A égua largou mal, na entrada da curva tomou uma fechada, quase caiu, mas faltando 100 m passou na frente e ganhou pagando R$ 7,50. Eu quase enfartei, enlouqueci, desci as arquibancadas gritando "nunca mais, nunca mais, nunca mais". Para muitos isso que eu estou escrevendo pode ser uma bobagem, grande bobagem, mas pra mim não foi, vi a Heroine nascer, era pequena, franzina, filha da Dulce Lark que estava vazia a anos, égua bem complicada de emprenhar. A Heroine Supreme não era de carreira, corria pouco mesmo, mas valeu a vitória, depois desta vitória correu mais umas 4 ou 5 vezes e trouxemos pra cria. Tem um potro macho do Public Purse sobreano lindo e está prenha do Poker Face, vive no Paraíso.

O turfe é mágico, a sensação de ter o cavalo, ir a cocheira de manhã, ver galopar, conversar com o treinador, programar uma carreira daqui 15, 20 dias, o toque, as parciais, será que melhorou? Como estava a pista no último toque? Chegou bem? Como foram os últimos 200 m? Isso é demais!

Quando tínhamos o Hotter than You na Tablada aos cuidados do M. Petrechel, eu saía de Bagé de manhã cedo e ia até Pelotas só para trabalhar o cavalo com ele. Logo voltava, mas faceiro pela perspectiva de correr meu cavalo, pelo sonho de ele cruzar na frente e ai por diante.

O Senhor fez especialização nos Estados Unidos. O que aprendeu de especial por lá?

Sim. O período foi para concluir eu estágio Curricular da Faculdade, me formei na Urcamp–Bagé.  Fui para os EUA no primeiro semestre de 2009. Fiquei 6 meses em OCALA, FLÓRIDA, na clínica PETERSON&SMITH– trabalhei durante dois meses Ocala Breeders Sales pela Clínica. Fazíamos exames de compra. Na oportunidade trabalhei como auxiliar do Dr. Cayot. Nós trabalhávamos muito com reprodução no período da manhã e clínica durante à tarde.

Quanto à Ocala Breeders Sales, a organização do leilão é sensacional, os livros com 600 lotes. Os animais domados, galopando e estes bem fortes para as filmagens. As vendas são feitas com o animal no Tattersal e ao fundo a imagem dele com o número do lote na manta trabalhando na raia. Isso é muito legal, você pode ver a forma com que o animal se movimenta, se atira ao galope.

Quanto à criação da Flórida, não posso dizer como toda a clareza pois não visitei tantos haras assim, foram mais centros de treinamento, entretanto ao ver outra realidade pode–se notar a grandeza da criação brasileira.

O senhor é um jovem profissional e proprietário. O senhor acha que o turfe pode ser atraente para um jovem (como turfista, proprietário ou profissional) hoje em dia?

Sinceramente acho que sim. Com certeza. Uma das coisas que as vezes penso é: porque não tem nada nas bacias dos Hipódromos? Nada, nada. Porque não um campo de futebol 7, quadra de tênis, bares temáticos, esportivos, estacionamentos? Não tenho a menor dúvida que estes frequentadores se interessaria pela atividade. Se não me engano há um projeto do JCRGS nesse sentido e é louvável.

Também vou citar algo que poderia mudar muita coisa aqui no Rio Grande do Sul, temos uma Feira Agropecuária muito importante que acontece em Agosto chamada EXPOINTER. É a maior feira agropecuária da América Latina. São milhares de pessoas no evento. O evento é gigantesco. Na EXPOINTER, há competições de tudo que é raça e espécie. Mas pasmem, não tem uma placa sobre o Puro Sangue Inglês. Isso mesmo, nada. A culpa? Não sei de quem é e também não me interessa, só acho que tem que haver algo nosso lá, algo mostrando que estamos vivos, e vou além, porque não uma cancha reta dentro do Parque Assis Brasil em Esteio onde é realizada a EXPOINTER? Esse é um assunto que está sendo tratado há um tempinho e não sei a atual situação disto mas seria de SUMA importância. Nos colocaria na vitrine de novo.

Falando como proprietário, tenho uma potranca pra estrear no JCRGS em parceria com Dr. Ulisses (Stud Vô Altair), acho que as pessoas só virão a se interessar em adquirir um animal no momento em que conhecerem o Jockey de outra forma, ou seja, entrarem ao Jockey para Jogar seu futebol, seu tênis ou apenas ir tomar um chopp no bar de esportes como há milhares nos EUA e como comentei acima, estas atividades estando dentro da bacia dos hipódromos, ai sim não tenho dúvidas que despertaria o interesse de muita gente. Resumindo, se está difícil irmos buscar turfistas novos "na rua", que estes possam "invadir" o Jockey por outros meios, meios estes que citei acima.

Como o senhor via turfe há cinco anos e como vê atualmente?

Estou apreensivo. Muito! Pessoal diminuiu muito, mas muito mesmo. Acho que tudo gira em torno dos prêmios. Prêmios bons, atraentes, fazem o pessoal acreditar, investir, criar, sonhar. A situação é bem, bem ruim. Vejo isso com muita tristeza porque sempre sonhei com isto e posso te dizer que não projeto minha vida pra 2017, 2018, 2020 por exemplo, visto o panorama atual da atividade. Isso é bem ruim.

Há 5 anos atrás não víamos liquidações de planteis toda hora, hoje em dia isso é rotina. É sim triste.

Acredito que vá faltar potros daqui a uns 2, 3 anos. Tomara, pois ai a atividade começará um novo ciclo.

Se você for ver, as perspectivas são até boas, JCRGS revitalizou muito, administração é muito boa, e vai continuar com o Felizzola que é da mesma linha do Presidente Vecchio. Isso é importante, a continuidade do trabalho que está sendo feito ali em Porto Alegre. O JCSP, se acontecer de voltar a pagar logo e subir os prêmios a um preço bem importante como já ouvi falar por aqui, seria maravilhoso. O JCB segue sendo o ponto forte nosso ainda e se Deus quiser o Jockey Club do Paraná, com a nova chapa, encabeçada pelo Paula Pelanda, tomara a Deus seja eleita. É turfista e principalmente uma pessoa séria e MOTIVADA. Isso é importante. A motivação é que rege as coisas, eu acordo todo dia de manhã querendo que o Haras tire outro Plenty, outro Poker Face, Holding Glory e mais uma Celtic Princess. Se não fosse assim, ficaria difícil.

Porque Bagé não tem um CT para os potros começarem seus trabalhos, já que grandes Haras ainda estão por ai?

Durante o Leilão do STUD TNT há uns 2 anos atrás, foi lançado pelo Prefeito de Bagé este CT. Não saiu do papel até então. Mas a poucos dias as coisas melhoraram já que, foi feita uma Associação dos Profissionais do Turfe da cidade, na qual eu faço parte e é presidida por pessoas sérias aqui de Bagé. Já ouve reuniões com a prefeitura para que esta liberasse uma área muito grande no Parque do Gaúcho, onde hoje há uma estrutura com cancha reta e cocheiras, e esta área passasse para a Associação comandar. Nós temos a área, seriam 1.200 m de volta fechada, a prefeitura vai entregar a área toda fechada, plainada e com os bueiros, ficaria a cargo da associação reger isto então. O investimento seria agora, para por areia na cancha e fecha–la com as cercas. Qualquer pessoa, haras ou STUD que quiser construir sua cocheira e começar seus potros ali poderá, terá uma concordata da prefeitura de 25 anos de posse do local. É só entrar em contato com a Associação.

Penso eu que será muito importante algo assim na cidade, para os proprietários melhor ainda, Bagé tem mão de obra muito boa. Os custos para este proprietário seriam mais leves que nos grandes centros, sem falar que o proprietário já saberia e "subiria" para os Hipódromos os animais que realmente se destacassem, assim economizando um bom dinheiro. Se Deus quiser há de sair do Papel desta vez o CT em Bagé.

Diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo turfe brasileiro atualmente, acha que poderia ser feito algo para atrair novos proprietários e manter os atuais?

Vou ser um pouco repetitivo do que sempre se fala, mas tudo gira em torno do Marketing. Tenho CERTEZA ABSOLUTA que muita, mas muita gente não sabe e nunca sonhou com o que acontece dentro do Hipódromo.  As pessoas passam em frente aos Hipódromos e não fazem ideia do que acontece ali. Do ambiente que é, dos restaurantes que tem, quiçá dos dias de corrida. Mas a culpa não é destas pessoas, e sim dos clubes, que pouco divulgam. Estas pessoas que me referi acima, muitas delas com certeza iriam gostar das corridas, iriam se interessar em adquirir um animal em um claiming de R$5.000,00 por exemplo para ter com a família, ou o grupo do futebol, e assim começaria um novo pequeno proprietário, que é fundamental para atividade.

Há alguns anos atrás o Canal SportTV fez uma grande Reportagem sobre o Mundo do PSI. Inclusive filmou aqui no Haras. Lembro que a reportagem repercutiu muito. O cavalo Desejado Magee do Stud Alvarenga aparece durante aquele programa com uns 7 dias de vida. Quando ele ganhou a Copa São Paulo Velocidade, a primeira edição, entrei em contato com os produtores da reportagem contando o acontecido sobre o Desejado Magee, achei que seria interessante mostrar que aquele potrinho da imagem virou um campeão, mas não evoluiu em nada. Neste caso específico, fica claro que falta MARKETING. Um departamento de Marketing que se preze teria que ver uma situação destas e tentar fazer uma matéria, mostrar que aquele potrinho que tinha nascido há poucos dias, virou uma máquina de correr, são assim que nascem os ídolos, assim que a gente aprende a gostar das coisas.

Frequentemente o espaço do leitor do site Raia Leve é invadido por críticas a alguns profissionais ou algumas comissões de corridas. O que pensa disto?

Sinceramente acho um saco. Não concordo, acho que o pessoal poderia dar mais ideias, coisas mais construtivas. Mas, faz parte. É um espaço aberto e cada um expõe seus pensamentos.

Gostaria de deixar alguma mensagem especial aos turfistas, aos profissionais ou aos dirigentes de turfe brasileiros?

Sim. Inclusive já postei no espaço do leitor isso mas queria reforçar, pois devemos nos unir, todos nós, principalmente os dirigentes. Acho de fundamental importância uma reunião com as autoridades deste país, logo isso não me compete as prioridades dos assuntos, mas os dirigentes claro sabem as prioridades a serem tratadas, mas uma reunião expondo a situação atual do turfe é preciso, logo, "pra ontem"!

Peço a todos que não duvidem da atividade, que não parem de sonhar, de acreditar, de lutar pelo cavalo de corrida, pelo sonho de tirar um craque, de ir pra foto no Derby, no Diana, ou como no meu caso foi, em um páreo comum sem vitória com uma égua que me foi dada, e acho que as coisas se mantem dentro de nós, apaixonados por isso, pelo sonho, pela alegria de estar lá, vendo nossos animais.

Obrigado ao Raia Leve por esta entrevista para que os turfistas possam saber que ainda há muitos jovens apaixonados e sonhadores como eu no Turfe.

da Redação



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