O mesmo fantasma responsável pelo fechamento dos hipódromos da Serra Verde, em Belo Horizonte, Linneo de Paula Machado, em Campos, e Tarumã, em Curitiba, continua a assombrar o turfe do Rio de Janeiro. Esta assombração passou por Cidade Jardim. E também já obteve sucesso em São Paulo. Há alguns anos, o paulistano deixou de ter quatro corridas semanais para ter apenas três e, em alguns casos, como nesta semana, só duas. Hoje, sexta–feira, o carioca, mais uma vez, está sem corridas. Nada mais triste do que uma simples constatação. Apesar da criação de PSI estar num momento dos mais positivos em seu país, tudo corre ladeira abaixo devido à má administração e a total falta de comprometimento dos dirigentes.
Por onde anda o entusiasmo de realizar promoções turfísticas? Tudo o que se pensa em relação à atividade hípica parece tarefa difícil e incapaz de ser realizada. Mas se surgir algum evento musical, cinematográfico, gastronômico ou coisa que o vale, a animação é imediata. Afinal, basta alugar o espaço generoso e nobre dos principais palcos turfísticos brasileiros, Gávea e Cidade Jardim. Os encarregados do evento montam os palcos, erguem as arquibancadas e depois colocam tudo abaixo. Nada e nem ninguém relacionado com os Jockeys Clubs precisam mover uma palha ou ter qualquer tipo de trabalho. Basta ter a cara de pau para exercer o papel milenar das cafetinas. Eu cedo o meu espaço maravilhoso e você faz a sua lambança. Mas, por favor, deixa tudo limpo quando for embora. E os nossos artistas? Cavalos, jóqueis e treinadores. Aonde é que eles ficam nesta história? E o público turfista? A cada dia tem um espetáculo de menor qualidade e com a sentença de morte decretada para os próximos anos.
Hoje, dia 6 de fevereiro, é mais uma sexta–feira mal–assombrada. Sem corridas no majestoso hipódromo carioca. E dezenas de turfistas vão se acotovelar na loja da Codere, dentro do próprio prado. Para eles só restará acompanhar corridas nos famosos hipódromos norte–americanos. Eles apostarão pules de vencedor, placê, show, pick–tri, pick–four em Aqueduct, Gulf Stream, Santa Anita, Golden Gate. E, a meia–noite na Austrália. Parece até aquela música do Cazuza que diz: Brasil mostra a tua cara. Hoje ninguém paga pra gente ficar assim. Brasil qual é o teu negócio? O nome do seu sócio. Confia em mim...
por Paulo Gama