Em seu quarto ano de mandato, a atual presidente do Jockey Club de São Paulo enfrenta uma grave crise de credibilidade. É crescente entre criadores, proprietários, profissionais de turfe e funcionários do clube, sócios ou não, a desconfiança de que não sabe como enfrentar a situação critica para a qual conduziu a Entidade.
Eduardo da Rocha Azevedo e o superintendente Horácio Mendonça Neto – seu homem de total e irrestrita confiança há cerca de quatro décadas –, vem se isolando de muitos de seus apoiadores de primeira hora.
Nas crises, as necessidades se tornam mais prementes. Tais necessidades impõem uma postura pró–ativa e responsável, para enfrentar problemas e tentar novas soluções. O único problema sem solução é aquele não enfrentado.
A situação é agravada porque o Presidente que deveria mostrar sua liderança nas horas difíceis, evita enfrentar a realidade. Não é protagonista como deve ser um líder. Falta–lhe objetividade, coragem e transparência. Ensimesmado, nunca procurou os sócios turfistas para com eles dividir os problemas e ouvir sugestões.
No cargo desde 2011, Rocha Azevedo não apresenta resultado positivo algum. Ao contrario, levou o Jockey Club de São Paulo a uma situação caótica, jamais vista em seus 140 anos de existência. Acredita em soluções mirabolantes. Em nome delas compromete o patrimônio do Clube. Reconheceu espontaneamente e de forma temerária, R$ 80 milhões de dividas de IPTU que vinham sendo questionadas, administrativa ou judicialmente, e quando ajustadas, pagas em parcelas, por todos os Presidentes do Clube desde J. Adhemar de Almeida Prado nos anos 70.
Para fazer frente à enorme divida que ele mesmo criou, o Presidente dilapida o patrimônio do Clube. A Sede Social e a Chácara do Ferreira mudaram de mãos em processos açodados, confusos e pouco claros. Rocha Azevedo evoca a fórmula empregada no final dos anos 90 – ocupava a Diretoria de Operações da gestão Grisi –, quando concebeu e conduziu pessoalmente, o processo de venda, a preço vil, do Posto de Fomento de Campinas, ato que marcaria o início da perda da hegemonia da criação Paulista. O dinheiro evaporou do caixa do clube em questão de meses. Como também evaporaram em pouco mais que um trimestre, os 90 milhões de reais auferidos com a venda do prédio do centro.
Quando questionado, Rocha Azevedo não dá satisfações ou presta informações aos associados e aos turfistas, criadores, proprietários e profissionais, sobre cujos investimentos e esforços repousam o favor governamental da Carta–Patente para exploração de apostas em corridas de cavalos.
Ao contrário, apresenta–se sempre como vítima do destino, da conjuntura do turfe, e de administrações anteriores do clube. O presidente do JCSP, aliás de qualquer clube, deve dar satisfação de seus atos administrativos passados e presentes. E nas atuais circunstancias, deve informar qual é verdadeira situação da Entidade. E apresentar um programa de trabalho para o futuro, para gerenciar minimamente a grave crise que se instalou em sua gestão.
Egresso do mercado de capitais, Rocha Azevedo tem obrigação de conhecer bem a regra pétrea de prestação de contas aos “stake–holders”, no caso associados, criadores, proprietários, profissionais do turfe, funcionários do clube e apostadores. E também ao Governo. O Jockey Club de São Paulo não é de propriedade do sócio que ocupa a Presidência. Na mão contraria, o Presidente negligencia as exigências do cargo que ocupa para manter na função, a soldo consideravelmente acima do mercado – em atitude que transcende a teimosia –, o superintendente Horacio, cuja avaliação negativa é virtualmente unanime.
Diante da gravidade da situação – sobre a qual Rocha Azevedo e Mendonça Neto se furtam a prestar informações –, e para a qual apresentam sempre a solução recorrente da “liquidação de posição”, a comunidade turfística deve se mobilizar para defender seus interesses legítimos. A omissão levará fatalmente à venda apressada em processo pouco claro, de mais patrimônio do turfe de São Paulo (já se especula que há “negociações” envolvendo o Hipódromo de Campinas).
Em definitivo, a situação está no limite da irresponsabilidade. No caso de Rocha Azevedo e Mendonça Neto, de forma ativa. E no caso da comunidade turfística, por omissão!
Transcrito do site APFT