Há anos, estamos vivendo uma situação de contínua e acelerada deterioração do turfe de São Paulo, fruto da incapacidade da Diretoria do Jockey Club de apresentar solução para os problemas existentes. Essa Diretoria – assessorada por profissionais contratados a soldos que não guardam relação com a realidade financeira da Entidade –, não admite seus erros e, também por isso, não encontra alternativas para mudanças. É exatamente como ocorre no Governo Brasileiro, que também não assume seus erros, e os atribui à conjuntura, a causas externas, a problemas de terceiros. A combinação de incompetência e miopia impossibilita a mudança para melhor.
Esta Diretoria cometeu erros que comprometem o futuro de curto prazo da atividade turfística no Estado de São Paulo, sendo que muitos deles poderiam ter sido evitados se houvesse maior transparência e diálogo.
Elencando somente os principais erros:
1) Negociação passivo tributário – medidas foram tomadas sem maiores reflexões, e sem aconselhamento de especialistas de notório saber e ilibada reputação, das áreas financeira e jurídica;
2) Chácara do Ferreira – o bem foi entregue apressadamente à Prefeitura, sem que houvesse uma negociação mais favorável do valor do terreno e do modelo de cálculo do IPTU vigente;
3) Sede do Centro – negociação também foi apressada e desconsiderou as alternativas apresentadas. Nada foi dito sobre o destino dos recursos arrecadados com a venda, os quais acabaram em poucos meses.
4) Eventos – inexplicavelmente, foram sucumbindo um a um, nas áreas do Hipódromo, da Chácara e da Sede, tirando do clube importante fonte de receita;
5) Apostas – as modificações no plano de apostas implementadas pela atual Diretoria falharam em cativar o grande universo de apostadores acessíveis graças às novas tecnologias e, não foram eficazes para aumentar o MGA, que ao contrário, decresceu no mesmo período em que o JCRGS foi capaz de triplicá–lo;
6) Prêmios – essa área fundamental do turfe paulista foi, mais uma vez, mortalmente ferida com o anúncio de retenção das dotações pela terceira vez em quatro anos.
Desta forma, só poderemos esperar a morte lenta do nosso turfe com a realização de cada vez menos páreos, prêmios menores, atrasados ou não pagos, além da venda de patrimônio e a deterioração das edificações, instalações e pistas do Hipódromo Paulistano por falta de manutenção e investimento.
A Diretoria é responsável por essa realidade atual do Jockey Club, e não pode se omitir perante a gravidade da situação. Também não pode negar as evidências negativas nem querer atribuir o fracasso a questões externas ou diretorias anteriores.
A comunidade turfística (sócios do clube, criadores, proprietários, profissionais e apostadores) também não pode se omitir; deve cobrar esclarecimentos, medidas e procurar participar da solução dos problemas. Entretanto, cabe ressaltar que esta Diretoria nunca foi aberta à possibilidade de diálogo ou de trabalho conjunto, sempre mantendo uma postura de arrogância e autossuficiência, a qual se estende de forma inaceitável ao todo poderoso gerente geral, que se jacta de não gostar de turfe.
O recente acontecimento no principal restaurante do Hipódromo, que está fechando, é um exemplo eloquente da falta de planejamento, gestão inoperante e descaso com os associados e apostadores. Como os demais erros cometidos, poderia ter sido evitado. Ou seja, apenas mais um caso grave de omissão da Diretoria do Jockey Club de São Paulo!!!
Omições (*) Ver o erro é fácil para quem conhece e está atento. Para quem ignora, muitas vezes, é impossível.
Transcrito do site APFT