No Grande Prêmio Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, em 2.200 metros, na pista de areia carioca, voltou a reluzir a estrela do bridão Marcos Mazini, no dorso de Beautiful Point, propriedade da Coudelaria Barcelona e criação do Haras Anderson. Aliás, Mazini já havia desfilado sua classe no final de semana, com o potro Sixteen Tons, do Haras São José da Serra, no clássico para potros da nova geração. Aos poucos recuperado de sua melhor forma física, Mazini foi um jóquei enérgico e eficiente para o pensionista de Dulcino Guignoni, cujo reinado continua absoluto nas provas de fundo. Beautiful Point atropelou com força e determinação para superar Ballpoint, do Stud Alvarenga, diante dos gritos frenéticos da legião de fãs de Marcos Mazini.
Neste contato de poucas semanas com Mazini, na condição de seu agente de montarias, fui surpreendido com o carinho do público turfista por ele. São crianças que pedem para participar das fotos das vitórias. São turfistas tradicionais que aparecem para lhe dar conselhos. E alguns admiradores mais entusiasmados que pedem para que eu lhe ajude assim e assado. Depois do páreo de Beautiful Point, por exemplo, teve um turfista que se dirigiu a mim aos berros: “Muito obrigado! Muito obrigado!”. Eu não tinha feito nenhum favor ao sujeito. Então lhe perguntei de imediato. “Mas meu amigo. Obrigado por quê?”. Sem a menor cerimônia, ele exagerou. “Obrigado por trazer o Mazini de volta. Um cara com o talento dele merece brilhar”, encerrou com os olhos marejados.
Este sentimento de emoção envolve a vida de Marcos Mazini. Ele é carismático, dócil e sempre bem humorado. Por isso, ele conquista o coração das pessoas. E, também por isso, esta responsabilidade de ajudar a impulsionar outra vez sua carreira trata–se de imensa responsabilidade. Na verdade, eu não fiz nada diferente até agora. Apenas procurei fazer o serviço. Como agente de montarias tenho procurado assinar bons cavalos para ele montar. E, em contrapartida, como excelente piloto, ele aproveita as oportunidades. Mazini não precisa de tantos conselhos e nem de tantas orientações como às pessoas julgam necessário. Mazini só precisa gostar de si mesmo. Por que o público turfista o adora. Os proprietários também. Os treinadores ficam felizes com a presença dele nos seus cavalos. E os cavalos então nem se fala. Os cavalos ficam turbinados como a sua tocada. Mazini só precisa, a cada dia que passa aprender a cuidar melhor dele mesmo. Se isto acontecer, as coisas boas acontecerão na sua vida com a mais absoluta naturalidade.
VALDINEI GIL – O irreverente, talentoso e competente, o “Dragão”, Valdinei Gil esteve impecável no dorso desta fantástica velocista que é Blind Ambition no Clássico São Francisco Xavier. Mantida em forma atlética irrepreensível por Roberto Morgado Neto, a craque surgiu pelo centro da pista com aquela ação típica dos puros–sangues de exceção. E desta vez não houve luta. Colocada por Gil numa audaciosa passagem entre os concorrentes que ponteavam a carreira passou sem a menor dificuldade, num triunfo esmagador e inquestionável.
No melhor momento de sua vida profissional, Valdinei Gil pode evoluir ainda mais. Só precisa ter mais foco na hora de planejar a sua carreira. É um piloto de rara sensibilidade no percurso. E, além disso, possui aquela frieza para montar característica dos melhores jóqueis do planeta. Basta se espelhar e se inspirar em Roberto Morgado Neto, treinador dos melhores puros–sangues que ele monta. Pode aprender com ele a ter mais interesse e ambição.