As férias acabaram para Jorge Ricardo. E ontem, no final da tarde, no Aeroporto Internacional do Galeão, o jóquei brasileiro telefonou para este repórter para se despedir antes do embarque para Buenos Aires. Foram duas semanas de muita alegria, acompanhado da mulher, Renata, e das filhas Giovanna e Luana. Ricardo esteve em Pernambuco, depois em Cabo Frio e São Lourenço. Nos próximos dias, ele volta a montar nos hipódromos de Palermo, San Isidro e La Plata. Mas, no dia 20 de janeiro, retorna ao Brasil, para participar das duas primeiras provas da tríplice–coroa da Gávea, em que conduzirá Calêndula, do Haras Santa Maria de Araras, no GP Henrique Possolo, e Caballo de Hierro, do Haras Regina, no GP Estado do Rio de Janeiro. No exato momento em que atendi a sua ligação, Russel Base entrava na reta final do segundo páreo de Golden Gate no dorso do maior favorito da tarde e ampliava para 103 vitórias a sua vantagem sobre o nosso campeão. Pedi desculpas a Ricardinho por lhe transmitir as más notícias.
“Ricardo você ligou bem na hora em que o seu maior rival está prestes a vencer mais um páreo lá nos Estados Unidos. Estou aqui na Codere e ele monta numa reunião de apenas sete páreos, a maioria com seis concorrentes. Na verdade, esta disputa entre vocês dois é bem desigual, tal a diferença entre o nível técnico do hipódromo em que ele monta e os dois maiores da Argentina, em que você atua”, falei.
Resignado, Ricardo perguntou sobre o número de montarias do rival e se ele havia sido bem sucedido na primeira prova. Depois, como de hábito, quis saber informações sobre todos os participantes da tríplice–coroa carioca e também detalhes específicos sobre cada um. Com relação ao confronto com Russel Base foi lacônico.
“A disputa é justa e leal. Se por um lado, ele tem maiores facilidades na raia e também descansa por três dias na semana. Eu levo a vantagem de montar um maior número de páreos todo dia na Argentina, e sempre em provas de campos com muito mais cavalos e contra jóqueis de categoria internacional. Mas ele é um grande atleta e uma pessoa que aprendi a respeitar depois de conhecê–lo melhor durante o desafio em Porto Alegre. Jamais vou diminuir a importância dos seus feitos e das suas conquistas. Ninguém alcança mais de 12 mil vitórias sem ter mérito. Mas já consegui ultrapassá–lo duas vezes. E tenho esperança de que isso possa voltar a acontecer”, encerrou.
por Paulo Gama