(*) Off The Way leva o Brasil de 1983
Há muitos anos não chove no dia do Grande Prêmio Brasil. A última pista pesada foi em 1972, quando ganhou Fenomenal. De lá pra cá, Fizz, Morais Tinto, Orpheus, Janus II, Daião, Sunset, Aporé, Big Lark, Campal e Gourmet sempre encontraram uma tarde de sol.
No início da semana passada, até mesmo na quinta–feira, não havia esperança do tempo melhor. Então, veio um sábado de sol frio, chegando a 19 graus no domingo, que permitiu que as elegantes pudessem usar, sem receio, suas vestimentas de inverno. Com isso, o JCB recebeu um público acima dos anos anteriores, e o movimento de apostas também correspondeu a todas as expectativas.
O público jovem, na faixa entre os 14 e os 18 anos, sem muitas opções, compareceu em massa ao hipódromo, dando outro colorido às monótonas tardes de domingo. Fez muito bem o JCB ao facilitar o fornecimento de convites, pois é daí que podem brotar novos contingentes de turfistas. É disso que o Jockey Club mais precisa.
Falando em frequência, uma grande surpresa para muitos foi a publicação dos resultados de uma pesquisa de uma revista esportiva americana, que apontou o turfe como primeiro colocado em audiência, na frente do beisebol, basquete, boxe, hóquei, futebol e atletismo. Estão vendo?
Voltando ao domingo, na Gávea, o público recebeu de maneira carinhosa e comovente a vitória da única eguinha, Off The Way (1983), derrotando com seus 400 quilos os 18 machões do páreo. Quem visse no galope de apresentação aquela égua magrinha e nervosa, mostrando as costelas e num galope assustado, não poderia imaginar que ali estivesse a ganhadora tinhosa, valente e com um coração maior do que seu peito.
Na sexta anterior, em conversa com o jóquei A. Barroso, dizíamos que nossa torcida seria para ele, porque só faltava o Brasil para ele completar a sua cartela maravilhosa de triunfos. Ele respondeu que estaria montando um animal de alta categoria e que a vitória era bastante viável.
Como se sabe, foi na Escola de Aprendizes que Barroso iniciou sua vitoriosa campanha de jóquei. Bom aluno, excelente caráter, honesto, em vícios e sem máscaras, subiu sempre e nem se abalou com três fraturas que teve nas pistas.
Também na manhã dessa sexta, quem viu o cavalo chileno Plástico galopar na grama não teve dúvida em selecioná–lo como um dos grandes adversários da carreira. Ele só fez confirmar a impressão, perdendo por pequena diferença, depois de um pequeno prejuízo na hora da queda dos três animais. Seu treinador, Juan Zuniga, mesmo sem ganhar, estava contentíssimo. Primeiro por voltar ao Rio de Janeiro e, segundo, pela magnífica demonstração de seu cavalo.
Para terminar, ganhamos o primeiro lugar no concurso de domingo, em que participaram mais de 100 jornalistas do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Chile e do Peru. O que nos agradou ainda mais foi o fato de este troféu levar o nome do saudoso Ademar de Faria, cujo filho Roberto é o patrocinador do concurso.
(*) Texto publicado originalmente na Revista JCB, na década de 1980, por Heitor de Lima e Silva, o Bolonha.
Apoio:
Stud Azul e Branco